segunda-feira, 12 de novembro de 2007

[ Anarquismo ] A defesa de sua relevância.

Abaixo uma breve anotação após a leitura do livro:

A RELEVÂNCIA DO ANARQUISMO PARA A SOCIEDADE MODERNA
- Sam Dolgoff Editora Faísca. - 2006 -


A crítica comum aos homens e as mulheres ligados as lutas anarquistas nos dias de hoje é de que anarquismo venceu sua "validade histórica". Pontos de vistas como esses são encontrados nos círculos das lutas sociais aos bancos universitários. Pelo menos são nos ambientes que caminho e tenho notado as discussões sobre anarquismo. No meio universitário foi à última discussão que participai ocorreu da seguinte maneira, ao apresentar um trabalho expositivo sobre o anarco-sindicalismo brasileiro e papel das resistências nas primeiras três décadas do século XX. A professora que “avaliaria” a apresentação comentou com o seguinte argumento de que o anarquismo perdeu força por não compreender e não propor alternativas a complexidade da sociedade brasileira naquelas três décadas iniciais. Assim, trazendo que nos dias de hoje ocorre da mesma maneira.

O debate em sala, poderia ser aprofundado com a leitura do livro, que originalmente lançado como um panfleto, A RELEVÂNCIA DO ANARQUISMO PARA SOCIEDADE MODERNA, de Sam Dolgoff, autor de origem da Bielorússia e viveu quase 90 anos dos 100 anos do século XX em território estadunidense, participando do movimento operário anarquista e na impressa libertária. O autor mantém a perspectiva de esclarecer a relevância do anarquismo em nossa sociedade. Dessa maneira evidenciar que a "validade histórica" não venceu e que a complexidade da sociedade atual tornou-se necessário o anarquismo social.

No meu ponto de vista, os aspecto importante do texto é buscar diferenciar o "neo-anarquismo", que mantém característica burguesas, como Escapismo: que é idéia de a renúncia do sistema capitalista e de buscar uma aproximação de organização independente do sistema: comunas e outros ambientes possibilitara a falência do sistema. Netchaievismo: "a glorificação da conspiração, crueldade e violência, na tradição amoral de Netchaiev" (pg 22). Boemismo: rejeição de "organização, auto-disciplina" e a busca de um estilo de vida "pitoresco" (pg. 23), acompanhado de um individualismo anti-social. Assim, podemos notar ausência de compromisso e aproximação com os homens e as mulheres das cidades.
Segundo o autor a intenção de não desmerecer em sua totalidade essas ações, mas que devemos buscar: "os princípios construtivos do anarquismo" (pg 24). As observações críticas estão pautadas em escritos clássicos dos pensadores anarquistas que mantiveram ligados as lutas sociais em seu tempo, como: Bakunin, Malatesta, Fabri, Kropotkin etc.

A circulação nos meio de historiadores de que o anarquismo venceu o "prazo de validade" também recebe contestações, no trecho "Deturpando as Idéias Anarquistas", principalmente em livros de autoria de George Woodcock, Irving Horowitz e James Joll, não precisamos apontar os textos de autores de formação marxistas que cegos pelo dogmatismo fizeram as mesmas opções de apontarem o "fim do anarquismo".

A partir do trecho "As sociedades complexas precisam do anarquismo", que os desenvolvimentos tecnológicos na sociedade contemporânea afirmam as necessidades do anarquismo, principalmente porque a autonomia e a descentralização acentua nesse meio, e as observações sobre essas questões o autor busca em Proudhon, Bakunin e Kropotkin. Argumenta de que a descentralização não significa divisão da sociedade, muito pelo contrário torna-se necessário a organização que:

"A organização libertária deve refletir a complexidade das relações sociais e promover a solidariedade nas proporções mais amplas possíveis. Isso pode definir-se como federalismo: coordenação por meio do livre acordo - local, regional, nacional e internacionalmente. Isso consiste em uma enorme rede coordenada de alianças voluntárias compreendendo a totalidade da vida social, na qual todos os grupos e associações usufruam os benefícios da unidade ao mesmo tempo em que exercitam sua autonomia dentro de suas próprias esferas de ação e expandem os limites de sua liberdade. Os princípios organizacionais anarquistas não são entidades independentes. A autonomia é impossível sem a descentralização, e a descentralização é impossível sem o federalismo." (pg 30)

Uma nova sociedade vem fundamentada em determinados aspectos da sociedade de hoje, está nos acompanhando como podemos notar nas diferentes organizações anarquistas e nas permanências da necessidade do anarquismo. Mesmo "Depois da Revolução" devemos nos manter atentos, porque a sociedade não será perfeita e a construção da nova sociedade será constante. Assim podemos considerar que o anarquismo não venceu seu "prazo de validade", muito pelo contrario continua vivo e com a busca constante de uma efetiva inserção social.

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2 comentários:

Taty disse...

Uma boa dica de leitura MK... e lembro bem dessa apresentação aí.

Leonel Camasão disse...

Ehe
eu comprei esse livro em um encontro estudantil
=D

ò, dá uma olhada lá quando der. Não sou um blogueiro assíduo
http://politicanaprovincia.blogspot.com/