segunda-feira, 19 de novembro de 2007

[ Livro ] Um livro em dois fôlegos

Tô aqui no meu quarto, um calor de rachar a cabeça, uma certa desorganização e bagunça, porém, não chega a 1% do que Tailon Ruppenthal depõe a Ricardo Lísias no livro "Um soldado brasileiro no Haiti".

Tailon é gaúcho de nascimento que integrou o Exército Brasileiro durante alguns anos do século XXI, inclusive participou da "missão de paz" da ONU no Haiti, no segundo semestre de 2004.

A experiência nas 161 páginas do livro não são das mais positivas. Na partida, a chegada e o retorno prevaleceu a falta de informação, de treinamento, de justiça, de serviço humanitário, de respeito, de prognósticos pós "missão de paz".

Não é de hoje importância dada a hierarquia e a conseqüente humilhação aos subordinados no Exército Brasileiro. Mas trazer a tona os acontecimento teatrais que conduziram o envolvimento brasileiro nessa operação é de grande importância.

A sede do Governo Lula em obter uma cadeira fixa no Conselho de Segurança da ONU, levou o envolvimento sem nenhum questionamento do golpe que derrubou Jean Bertrand Aristide, os interesses dos EUA e da França na manutenção dos golpistas no poder haitiano. Em nenhum momento prevaleceu a busca de justiça social, somente PODER!!!

Pouco se fala, escreve ou discute sobre o papel do Exército Brasileiro no Haiti e, ainda, os efeitos causados aos homens e as mulheres (tanto daqui como de lá) envolvidos/as nessa experiência. Por isso, tomar um fôlego ler as 100 páginas, dormir um pouco e tomar o segundo fôlego e concluir a leitura nos produzirá a sensação de participação na manutenção das misérias, caos, ausência dos direitos humanos no Haiti.
Foto: Eu tirei a foto. A leitura ocorreu durante um dos dias que estive com febre.

Nenhum comentário: