segunda-feira, 24 de março de 2008

[ Entrevista ] Uma nova banda na cidade.

Bem, há horas recebi a indicação do show da banda Laranja Business, corri para escutar ( escute aqui ). Já conhecia o Gugue, a música da nova banda e a estética caiu perfeitamente em alguns aspectos que penso em relação ao rock underground e a cidade.
Resolvi escrever algumas perguntas, abaixo as respostas Gugue:


Apresente a banda:

A Laranja Business é uma pseudo banda de Rocknroll. O que a gente faz é quase uma metáfora do modo de vida rocknroll e nos apropriando da sonoridade Rocknroll. Talvez uma das principais influencias da banda seja o trabalho do Frank Zappa, que fazia isso como ninguém, trabalhando os clichês do rock, mas parodiando tudo. Quem ouvia achava que era apenas rocknroll, mas era muito mais. Laranja Business então se apropria do rocknroll, do punkrock e groove para animar até o mais desavisado fã de rock que vá ao show.


Na próxima sexta-feira, dia 28-03, acontecerá a primeira apresentação ao vivo e o que vai rolar no show?.

Sim, será a primeira apresentação da banda Laranja Business, porém, a minha parceria com o Nino (tecladista) já remonta há dez (mil) anos atrás. Desde que tocávamos na Buzzgang (1999/01). A LB foi formada agora em 2007 e já tem um mês de formação e com a principal intenção de ser uma banda pra tocar ao vivo. E pra movimentar o povo.

Para este show a gente está planejando juntamente com amigos do pessoal da banda, uma série de esquetes performáticas a acontecer durante o show. Será apresentado o empresário da banda (Eduardo Baumann) que chegará com uma mala cheia de dólares no palco, para contar sobre a sua nova aquisição ( o Laranja Business) e sobre o seu sucesso como empresário de famosos como The strokes e Amy Winehouse, e sobre seus projetos que desencadearam na recente volta do Led Zeppelin e do The Police.

Em outro momento do show será chamado ao palco o pastor (baumann novamente) da igreja do santissimo sepulcro dos ultimos dias (da qual a banda faz parte) para arrebatar o coração do público e tentar converte-los ao sepulcrismo, e é claro, passar a sacolinha com as obreiras safadas dos penultimos dias.

Essa proposta vem de encontro à intenção da banda de diversificar o seu show, ao tratar justamente sobre as contradições das relações de trabalho e a abordagem “profissional” tão exigida para que uma banda seja levada a sério, mas que por isso mesmo acaba tornando tudo tão ridículo. Laranja Business então é uma paródia a bandas e pessoas que estão negociando em tudo.

No myspace foram disponibilizada quatro músicas, estão pensando algum lançamento ou somente são para divulgação na internet¿

Por hora algumas músicas estão no myspace, mas estamos planejando o lançamento de um ep, sob o título de “Demo ensaio Jabá”. Com faixas gravadas no estúdio montado no apartamento do Nino. A primeira pré cópia foi entregue ao pessoal do Programa É rock, da Rádio Udesc FM (91,9). A entrevista foi ao ar no último sábado (22/3) e logo será disponibilizada no Youtube. Provavelmente a cópia oficial contará com 5 a 6 faixas, a ser lançado no máximo até Julho.

Na música o “Trabalhador” ( e outras) a relação com o cotidiano da cidade está presente. Na história do rock underground da cidade poucas bandas tiveram essa relação nas letras e a estética da banda. Essa abordagem é pensada ou ocorreu de sem nenhuma pretensão ¿

Sim, essa característica talvez seja um dos unicos motivos que fez 3 caras quase trintões se juntarem pra fazer um som. Pra falar do que a gente vê aqui e sente. A música trabalhador, por exemplo, fala do cotidiano do operário que trabalha em uma firma e todo dia no fim do dia bebe cerveja na recreativa da empresa e que pretende um dia comprar um carro e largar sua bicicleta barra forte, o que pra ele simboliza uma ascenção moral, ou mesmo sucesso pessoal.

Essa abordagem nasceu por acaso, em rodas de viola que aconteciam no jardim do museu de arte, ou mesmo em alguma mesa do Bar Gloria, onde alguns amigos, entre eles o Jésus (simples/ecase) faziams cançoes “colonas” falando sobre as ruas da cidade, hábitos e sensações. Sem pretenções, se vc pegar qualquer banda da história do rock, como beatles, ou velvet, ou stooges. O que eles faziam era falar sobre suas vidas, cotidianos. Não entendo porque alguem compra instrumentos, gasta horas de ensaio pra tocar cover de um cara que viveu a infancia em um país da europa a 30 anos atrás. Isso me soa a esquizofrenia. Gosto de pensar no que o Tom Z, ou Arnaldo Antunes fazem. Ou mesmo no exemplo de criação de identidade do genial Chico Science.

Como exemplo vale a pena conferir a canção Cidade de Colono, do Jésus, que infelizmente ainda não está gravada. É um ode ao cotidiano de Joinville. Logo pra compor a gente tinha que se fazer entender, o portugues foi uma escolha lógica. As pessoas começaram a dar risadas ao ouvir as letras e a gente foi acreditando nisso. Hoje a gente não se ve tocando outra coisa, ou algo que não seja ligado a essa nossa identidade local. E agora vamos tocar ao vivo pra um público, e isso vai ser um termometro pra sentir a aceitação deste tipo de tematica musical.

O cenário roqueiro de joinville sofre altos e baixos, em relação as bandas, espaços para tocar, zines e público. Podemos observar esses problemas seja no rock, no punk-hardcore e todas as expressões voltadas ao underground. Hoje, como você vê o cenário do rock local ¿

Olha, tomo por base que morei os ultimos 5 anos em floripa, parece que o povo lá tinha menos preconceitos em relação a cena underground, o povo somava mais, sendo um pouco menos exigente em relação ao “outro”. Aqui em Joinvas tudo parece muito segmentado e o que lota show ainda é banda cover de Black Sabath. Nada contra, black sabath acho ótimo pois eles são igual maconha no mundo das drogas: A porta de entrada.

Teve algumas ondas efervescentes que acompanhei aqui. Quando moleque no fim dos anos 80 as bandas Leis e Ordens, Atrito e H2O, ainda com a velha fórmula FM e pedal Corus, terrível, rsss. Já nos anos 90 teve o histórico show do Ratos de Porão, com a abertura do lendário The Power of the Bira. Eita tempo bom! A loja rock total engatinhava e tinha como balconista o Marcelo, que era vocalista do Flesh Grinder. Nessa época os anarko punks e os bangers co-existiam numa boa e dividiam a praça do Lojão da Casa no centro e as mesas do Odivan pra beber cerveja. Tinha muito show loco. Nesta época conheci o pessoal do Rot na casa do toninho, tinha muita articulação rolando. Mas depois a coisa desandou. Os bangers foram ficando cada vez mais Nazi e a cidade mais fascista, tanto que os punks dessa época desistiram daqui. Triste... No finalzinho dos anos 90 contavamos com bandas como Vacine, Buttspencer, Sanchez e muitas outras nos tempos do Chaplin Bar. Depois tudo deu uma pausa e rolou uma outra onda, com estas bandas Straith edge, Eu contra o mundo e outras, os festivais do parque aquático que acompanhei pouco pois estava away.

Agora vejo que tem uma casa fixa pelo menos com show sempre, que é o Old music Bar, mas o principal problema é que nestes períodos de vacas magras perdemos sempre público, fica uma lacuna que nunca é preenchida novamente. Falta formação de público que tenha interesse em pesquisar não só som de bandas, mas movimentos de arte, contraculturais e que realmente leve isso pra sua vida particular na prática. Não somos panfletários nem temos ideologia fixa, mas posicionamento momentâneo ou mesmo o minimo bom senso pra distinguir entre uma banda ou fá de rock com pose totalmente fake de uma banda mais sincera, ou de uma proposta mais interessante. Isso deveria ser cultivado! Pra deixar um ultimo lamento, digo que falta tudo aqui, faltam bandas, ou melhor, falta que as bandas se imponham nos espaços dominados pelo lixo cultural pagodeiro e emptyPop. Falta público interessado e claro, mais fanzines. Esta atividade não deveria ser tao Quixotesca como é aqui. Cada zineiro com sua célula informativa deveria sim é ser aclamado e congratulado por esse serviço de utilidade essencial que é propagar a cultura e informação!

Um comentário:

Eduardo disse...

Opa, é isso aí: tentando dar uma cara mais bem-humorada pro rock da nossa mui amada província.
Só ressaltando que a Fernanda Leal e a Stana Beatriz estarão participando comigo das intervenções performáticas.
Bora pro Old nesta sexta, povo!!