quinta-feira, 27 de março de 2008

[ Vídeo ] Um olhar em vídeo.

Assisti o vídeo “Sob o céu de Joinvile” e resolvi escrever alguns comentários. Por favor, antes de ler o presente “post” é de grande validade assistir o filme em questão. Por AQUI você poderá baixar o vídeo.

Meu olhar do “Sob o céu de Joinville”

A produção de cinema na cidade de Joinville é inexistente, ao menos nada circula nos jornais da cidade. Já as produções em vídeo tornaram-se presente nos últimos anos, principalmente com incentivos dos editais de incentivo a produção artística local, veiculado a Fundação Cultural de Joinville.

O último lançamento foi o vídeo “Sob o céu de Joinville”, de Rodrigo F. Brum, que em 15 minutos e 56 segundos traz seu olhar das ruas, das casas, dos prédios, das praças, dos-as moradores-as, sendo o centro e os bairros os espaços expostas na tela. O tempo do amanhecer, a passagem do meio dia e o final de dia, acompanhado de uma chuvinha são as expressões e os trajetos temporais do vídeo.

A montagem ficou interessante, alimentado de boas inspirações e acompanhado de sensibilidade no recortar da cidade. Porém, faltaram recortes dos diferentes aspectos dos bairros, quem sabe seja necessário outros olhares e interpretações da cidade, e principalmente levar a ousadia para o nosso cotidiano e passar a produzir. Afinal, o que persiste por aqui são as idéias e quase nenhuma ousadia para agir e produzir. Felizmente Rodrigo F. Brum ousou (dentro do contexto da cidade) e produziu um vídeo que toca quem passa os dias nas ruas cidade.

A opção de não trazer falas e nem atores, somente moradores-as anônimos deixa um clima favorável para a interpretação viva. Mas o silêncio não é o que faz a tônica. A trilha sonora de qualidade, criada por músicos locais, Rafael Zimath e Jean Douat, que tem criatividade, conhecimento de música fora dos padrões convencionais dos “artistas de canela brasileira”.

Assistir “Sob o céu de Joinville”, pensar e refletir a cidade utilizando como suporte a experiência de vida dentro desse espaço (Joinville) é um mecanismo interessante. Um exemplo foram as rodas de amigos-as acompanhados de debates. As diferentes opiniões brotaram e levaram nossos pensamentos sobre as condições da vida, da paisagem, das políticas públicas, da classe artística, as condições de moradia nos bairros e outros temas pertinentes a nossa realidade social, política, econômica e cultural. Talvez, sem saber, Rodrigo F. Brum alimentou diferentes debates que já estão presente em nossa realidade.

Agora, um novo debate é necessário:

Lendo as críticas, matérias nos jornais e os blogs me levaram a pensar sobre a produção do vídeo. Em algumas leituras encontrei a expressão “vídeos independentes”, o questionamento surgiu foi: O que determina uma produção independente seja em vídeo, cinema, música, artes plásticas, jornalismo, ensino e demais campos manifestação artística?

No meu ponto de vista uma produção veiculada a iniciativa privada ou pública não mantém seu caráter independente, sendo que para receber o dinheiro é necessário o envio de um projeto antecipadamente, que receberá aprovação ou não do projeto. Assim, a expressão artística passa a receber a interferência externa dos reais produtores.

Página do vídeo: http://ceudejoinville.com.br/

Os dois produtores da trilha sonora tocam na banda Alva, acesse aqui: www.myspace.com/alvasounds

2 comentários:

H. disse...

Maikon,
Achei realmente bom o vídeo (vi ele na pré-estreia, no Ielusc).
O mais interessante é que assumindo, a princípio, um discurso hegemônico sobre a cidade ele trabalha os contrastes que realmente a definem.
Do ponto de vista da qualidade formal, não tenho nem o que dizer exceto um "fantástico".
Escutei duas críticas ao filme, uma em certo grau mais justa e outra, penso, que não. Essa é: as imagens rápidas sobre os bairro/periferia e a câmera tecnicamente perfeita quando da explicitação do discurso hegemônico (no começo, por exemplo)denotam uma visão de classe média e favorecem um tipo de interpretação que, ao modo burguês, somando tudo, mostra uma Joinville mais "bonita" que "feia". Refutação dessa opinião: o ritmo do filme pós-amanhecer é completamente inspirado no ritmo do trabalho, das coisas humanas e mundanas, portanto o olhar rápido sobre os bairros ou sobre o movimento em geral refletem esse ritmo alucinado, concepção de tempo capitalista por excelência.
Outra crítica, que é mais justa mas não toda justa, é: a utilização do fast-motion (a câmera rápida) quando do olhar sobre o trânsito trai a realidade pois mostra em ritmo rápido o que, efetivamente, não é (o contrário do ritmo da produção capitalista é o ritmo da circulação de mercadorias, dos alimentos à força de trabalho). Essa crítica, do ponto de vista do apelo formal, me parece correta. Porém alguém poderia argumentar - creio eu com certa coerência, pois as coisas não passam ainda assim -: "O trânsito de Joinville, afinal, não é tão ruim. O mundo joinvilense gira e as mercadorias chegam no horário".
No mais, muito bom.
Abraço.

Anônimo disse...

http://paladardepalavra.blogspot.com/