sexta-feira, 30 de maio de 2008

[ Livro ] Algumas horas de leitura no sítio de Jim Dodge.

Nos últimos dias estive envolvido com a história de, um jovem que adora passar o tempo fazendo cercas, um velhote que teve uma vida desregrada a base de um uísque chamado “velho sussurro da morte” e para fechar estavam acompanhados de uma pata gorda. Os três estavam cercados de uma vida simples.

O jovem é o Miúdo, neto do Velhote chamado Jake e a pata gorda é FUP, que dá nome a esse livro de bolso com suas 96 páginas lançado na série “Sabor Literário” da José Olympio. Os personagens estão no cenário de uma fazendo na beira de um rio nos Estados Unidos da América.

O responsável pela criação é Jim Dodge nascido no fim da segunda guerra mundial no Estado da Califórnia e filho de um militar. A explosão da “porralouquice” hippie ou (e também ?) a busca da simplicidade o levou para as comunidades alternativas, cursando a universidade e vivendo com sub-empregos, que para o mundo da literatura parece que destina ao autor uma atmosfera de “ser o cara”. Chegou a lecionar na universidade, mas que nos últimos anos tem se dedicado à literatura e a militância ecológica, tendo como uma residência um pequeno sitio. Estaria vivendo sua história escrita em 1983?

No livro Jim Dodge buscou sustentar questionamentos a sociedade dos EUA, os elementos destrutivos ao meio ambiente, mas a escrita não é direta e efusiva. É um enredo sensível, engraçado e com reflexões pertinentes para a nossa vida nas cidades e as maneiras que conduzimos a nossa chegada ao novo, ao inexplorado.

As presenças das reflexões se fazem mais presente quando vivemos nas últimas semanas a saída da ministra Marina Silva da pasta do Meio Ambiente, que ao sair a comemoração partiu dos exploradores da mata nativa e receberam com um agradável aceno o novo ministro, Carlos Minc, que segundo a grande mídia brasileira mantém posições mais “liberais”. As posições mais “liberais” podemos entender que está mais dedicado aos interesses do mercado na exploração de nossas matas.

Entre animais como um porco do mato chamado Cerra-Dentes, os vizinhos, os familiares falecidos, os indígenas, os dias e as noites de jogatina está presente o silencioso indígena Johnny Sete Luas que diz:

“ – Arg, vocês brancos fizeram muito para tirar isso da gente, mas nada pra merecer. Vocês querem domar o tudo, mas, se ficassem quietos e sentissem por um momento, saberiam que tudo anseia por ser selvagem – deu uma cuspida. – E toda essa gente com cercas, cercas, cercas. Afinal, o âmago da questão não é não se deixar nada dentro e nada fora ? Mas sei que você compreende isso, Jake, porque você não tem cercas e dedica sua vida a fazer uísque e ficar sossegado, e essas são atividades nobres que valorizam o espírito de um homem.”

Talvez Lula, Carlos Minc e outras figuras poderiam ler essa curta e prazerosa novela. E aprender que embaixo de cada metro de asfalto estavam florestas, diversas vidas e culturas e dessa maneira interpretar que as vidas humanas e todo o meio ambiente estão na frente dos interesses do dinheiro. Enquanto isso eu tenho que aprender muito e muito com a simplicidade de levar a vida na cidade, talvez voltar o olhar e interpretar a simplicidade da vida no campo seja uma saída.


Nota sobre as imagens: foram retiradas do Google. Estou preguiça de procurar os endereços exatos, mas é só você digitar o nome do Jim Dodge ou do livro que aparecerá as imagens.

Um comentário:

neander disse...

Será q leêm nossos blogs tanto quanto comentam?