terça-feira, 3 de junho de 2008

[Grande Mídia] Uma postagem "sem ofensa".


Em razão ao meu e-mail para o jornalista Jefferson Saavedra (leia a postagem anterior) no jornal dessa terça-feira, 03 de junho de 2008, saiu a seguinte nota:

“Sem anarquia

Maikon Duarte não gostou do título "Anarquia" em nota publicada ontem sobre bagunça de terceiros em vestibular da Udesc. Para ele, a comparação ofende ("prática social radical" também conhecida como anarquia. E informa que está sendo criado em Joinville um grupo para discutir as idéias anarquistas.”

Segundo o blogueiro e futuro “ex-estudante” de História Neander o jornalista escreveu em tom irônico. Não interpretei como irônica a nota, mas a palavra “ofende” deixou o conteúdo do meu e-mail fora da argumentação proposta . Porém não voltarei a escrever mais uma mensagem para o jornalista, tenho por preferência cair os olhos nas páginas de “Um país distante”, do jovem escritor Daniel Mason que em determinado trecho escreveu:

“Os dias passavam e eles de olho no céu, acreditando em nuvens distantes que sumiam de repente, como se num passe de mágica. Quebravam pedaços de terra nas mãos, acariciavam o solo, dissolviam os torrões entre os dedos, rolavam o pó pelo polegar cheio de calos, experimentavam a terra com a língua, conversavam com ela. Lisonjeavam, pediam desculpas, imploravam. Um dia, um jornal do litoral apareceu por lá e depois escreveu: O camponês conhece a textura da terra melhor que o próprio rosto. Quando a reportagem foi lida e, voz alta, num dos campos de retirantes, um velho riu e disse: Mas claro! Eu nasci ali, sou pobre demais para ter espelho, e nunca teve água suficiente para fazer uma poça.”

Interessante, o tal do Daniel Mason expressou uma característica comum de diversos jornalistas, que infelizmente encontramos em diversos veículos da grande mídia.

Por isso, ao ler uma nota, uma matéria, um artigo devemos identificar que existe um-a autor-a e que a vida, as experiências, a história ou o poder podem interferir na maneira da escrita, dessa maneira na maneira do que se passa na cidade.

Um comentário:

Ciber Social Metranka disse...

É uma pena que a palavra Anarquia ainda seja levada em conta apenas pela etimologia, isso é que soa irônico!, assim como a etimologia é a parte que estuda a origem e a história das palavras, então nestes anos todos que se passaram, não foram o bastante para agregar as lutas relativas à esta, o anarco-sindicalismo na Patagonia na década de 1920 e na Espanha na década de 1930 e outros, como se o conceito fosse estático/inerte no tempo, não agregou valores desde a invenção na Grécia (pelo menos é o que os dicionários dizem - "falta de governo ou de chef; confusão; desordem...") para mim está claro que o interesse do dicionário não é conscientizar. Mas o que me deixa mais aborrecido é que ao contrário do dicionário, o anarquismo numa perspectiva de movimento social, é uma corrente em que crê apenas no ser humano como autônomo, e capaz de buscar na prática sua emancipação nas relações sociais e políticas (apartidárias)
Esse momento é de luz para a esperança libertária em joinvas, estamos entrando em uma nova fase, como nunca houve, outras práticas e discussões estão surgindo neste novo cenário, e não estamos falando de política partidária, estamos falando de posturas políticos-sociais que interfiram direta ou inderetamente nas questões que nos suprimem como seres de transformação. O Anarquismo, portanto, é acreditar que acada indivíduo, pode sim ter sua importância dentro de sua comunidade, e que ele possa acreditar que as coisas dependem mais dele para modificar a atual situação de exploração do que ele pensa.
Através de uma educação emacipadora pautada nas questões humanistas, numa metodologia multi-transdisciplinar, poderemos fazer muito para nossa comunidade e nossa cidade. Talvez poderíamos chamar de trangressão essa prática, mas não da forma em que comentam o anarquismo como prática no senso comum, de "desordem e bagunça", e sim numa forma de não cumprir a ordem capitalista e neoliberal, que consiste em explorar o indivíduo e gastar toda sua energia para que se cale perante o poder. A intensão é resgatar o auto-estima dos indivíduos, para que se levantem com autonomia para responder com segurança que não estão mais conivente com a exploração e a acumulação.

É isso...

Saudações libertárias ao amigo e companheiro Mk.