sexta-feira, 13 de junho de 2008

[História]Anotações produzidas durante a fala de Celso Martins.

Tenho a necessidade deixar claro que todas as palavras a seguir foram retiradas de um papel todo rabiscado e como não tenho a prática de ouvir uma fala e anotar pode ocorrer algum engano.

O critério da ordem dos pontos nas linhas a seguir foram de acordo com a fala de Celso Martins. Você poderá notar que não houve uma sistematização como “era assim” e “hoje é assim”, mas uma fala que foi ao passado, traçou aspectos do presente relacionando o passado com o presente.

Foto acima: Celso Martins, Eu e seu Edgar Schatzmann



“A certeza é um dos pilares da Ditadura. A dúvida abre espaço para a realização.”

“Sou mais da democracia direta”

Celso Martins.

1 – 90% dos militantes do PCB de Santa Catarina que conheceu eram de boa-fé e mantinham o sonho de justiça social e as críticas tomadas não foram expressa para desacreditar as pessoas envolvidas no processo histórico. A relação entre os militantes do PCB estava além da militância partidária, envolvia laços de convívio entre as famílias, amizade e sonhos.

2 – O marxismo-leninismo é uma pobreza intelectual” e explanou que no seu germe está o controle e uma ditadura, que mesmo sendo para trazer a justiça social devemos questionar, porque devemos nos organizar sobre o principio básico da liberdade.

3 – Considerou que primeira e a segunda Guerra da Tarifa e a organização do Movimento Passe Livre de Florianópolis trazendo o debate e as deliberações para as ruas da cidade é um mecanismo de construção da democracia direta.

4 – A proposta evolucionista do pensamento marxista desenvolvida por Engleas e outros levou Celso Martins a dizer “evolução da visão ‘marxista’ deixou dopada a intelectualidade brasileira.” Assim introduzindo uma visão externa do problema brasileiro e da mesma maneira prejudicando a organização para transformação da realidade local.

5 – Na década de 1980 Celso Martins viajou para a URSS com a intenção de participar de um encontro mundial da juventude comunista.

Nos dias soviéticos vivenciou uma experiência antagônica que esperava e lia sobre a URSS. Sentiu o clima de repressão e controle do Estado, sendo que a população estava privada de diversas questões básicas, como a liberdade.

O retorno ao Brasil “Eu não tive coragem de dizer o que vi na URSS em relação às perseguições e controle. Era uma traição falar mal da URSS”.

6 – Relatou que durante os anos de 1980 a 1985 que viveu em Joinville e trabalhava no extinto jornal O Extra participou da organização do PCB por aqui e como o Partido se encontrava na clandestinidade uma reunião demorava cerca de 30 dias para acontecer, porque havia uma série de cuidados de segurança frente as possíveis repressões do Estado.

7 – Em relação à delação dos militantes comunista em SC pontuou que um homem ou mulher sendo torturado-a com choques, no pau de arará e outros métodos: “um sujeito numa situação dessas não podemos considerar que seja um delator”. Citou um exemplo, acho que o nome é Nilton Candido que sofreu com a tortura e que inclusive outros sete familiares foram presos e foram vitimas de tortura, sendo que não tinham uma ligação com o PCB. O Nilton Candido agüentou a tortura física e a visualização das práticas violentas contra seus familiares e quando chegou à sua filha não resistiu e disse todos os nomes dos principais quadros do PCB de SC e do PR. Em Santa Catarina essa operação ficou conhecida como “Operação Barriga Verde-1975”.

Participação do público:

8 – Ao abrir ao debate fui o primeiro a pedir o microfone e comentei que o trabalho de Celso Martins é lido entre alguns militantes do Movimento Passe Livre de Joinville e em outros setores da militância social da cidade de Joinville.

Comentei de que ao discutir a repressão durante os anos de chumbo não podemos deixar de problematizar questões pertinentes à permanência das práticas repressivas as mobilizações sociais que buscam resistir e transformar a ordem do poder seja do Estado ou Privado. Citei exemplo como a repressão aos militantes do MPL-Joinville que acontecem desde sua fundação em 2003.

Nesse ponto Celso Martins citou exemplo como os vividos em pleno “Estado de Direito” durante a guerra de tarifa (2003 e 20040, em que o clima de terror e repressão eram de tamanha envergadura que levou a pensar nos tempos da Ditadura Militar, sendo que a repressão em 3 ou 4 dias das semanas de luta não deixaram nada a deseja aos tempos da Ditadura.

Em seguida comentei sobre dois aspectos: a não adoção do PCB a luta a armada e a opção da via parlamentar no meio dos quadros do MDB, assim solicitei para discorrer sobre esses dois pontos e fazer sua avaliação.

Comentou que defendeu a estratégia e considerou que essa perspectiva não partiu dos comunistas brasileiros e sim foi uma ingerência do PC soviético. Naquele momento “seria uma luta prolongada e de massa” e que “um pouco era cansaço da clandestinidade”.

Sustentou que o programa do MDB eram bandeiras do PCB como: anistia, direito de greve, liberdade de impressa e como comunistas buscavam estimular os parlamentares “mais autênticos” a fazerem discursos defendendo as bandeiras.

Os militantes do PCB que foram para o campo parlamentar Celso Martins expressou: “Todos traíram o passado” e somente buscaram fazer a manutenção do poder institucional, assim deixando de lado as lutas, “isso foi uma das coisas que levou a derrota do PCB”. E naquele contexto achou “correto, mas nos levou para esse lado monstro”.

Fechamento da fala:

Ocorreram diversos questionamentos, entre dos quais sobre a juventude de hoje que é taxada de alienada e sem mobilização política e radical Celso Martins disse que o discurso não é de hoje e exemplos com o MPL-Floripa e daqui são exemplos disso.

Outros pontos não anotei, mas vou buscar o vídeo com o departamento de História e socializar com os-as interessados-as.

Um comentário:

FELIPE CALHEV disse...

ROBEI TEU TEXTO P/ COLOCAR NO JM OK? SE NÃO ESTIVER OK, JÁ FOI...

HEHEHE