quinta-feira, 5 de junho de 2008

[Movimento Estudantil] Uma leitura necessária

Não tenho leitura profunda da obra do historiador Daniel Aarão Reis, somente li alguns artigos disponíveis na internet, assisti o documentário “Hércules 56 que aborda de maneira criativa e faz um recorte muito instigante do seqüestro do embaixador dos EUA no final da década de 60. Para aprofundar o interesse no trabalho do historiador foi conhecendo a trajetória como militante social que é considerável e louvável, quando percebemos que ainda se mantém ao pensamento anti-capitalista ( poderia dizer socialista ou comunista ?), ao contrário de outros-as daqueles anos de “chumbo”.

A proposta era simplesmente informar sobre a revista Fórum que publicou a entrevista do historiador Daniel Aarão Reis, mas com a leitura das observações críticas despertou uma reflexão sobre as minhas experiências nos últimos anos como estudante universitário.

Nostálgicos Não – Estudantes Sim!!!

“Quando se recupera o ano de 68, para além das celebrações acríticas, é preciso apontar e analisar estes descompassos de análise e de perspectivas entre a dinâmica interna dos movimentos sociais e as organizações revolucionárias. A partir deles é que se pode avançar mais na compreensão dos caminhos e descaminhos que viriam em seguida.”

O trecho em determinada maneira vêem referendar meus constantes argumentos em relação aos eventos de lembranças como os 20 anos do Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi – CALHEV – que compôs uma mesa para trazer fragmentos de memórias individuais da trajetória do movimento estudantil da UNIVILLE, assim falram dos anos 1970 ao tempo presente. Infelizmente consistiu em discursos nostálgicos, distante da realidade de hoje sobre as práticas estudantis e da administração da universidade, chegando ao ponto de ouvirmos palavras carregadas de elogios dos setores conservadores do corpo docente.

No questão do ano de 68 a minha preocupação volta-se a Semana de História da UNIVILLE, que acontecerá de 09 a 13 de Junho. Até o momento não encontrei a intenção de buscar uma reflexão profunda sobre o ano de 68 e os encaminhamentos das lutas sociais no tempo presente. O CALHEV, mesmo tendo passado por um processo eleitoral durante a construção da semana de história, poderia ter despertado a necessidade do debate. O mesmo vale para os demais estudantes que de uma maneira direta ou indireta se percebem como parte do movimento estudantil universitário de História.


“O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade” Zeca Afonso


A seguir a revista Fórum você encontrará:

“Fórum – Na sua opinião, quais ações da época foram equivocadas? O que poderia ter sido feito e não foi?

Reis - Acertamos em cheio no programa de reivindicações concretas. Considerá-las a sério, conseqüentemente rompendo com as tradições esquerdistas e instrumentalizadoras que vinham do Partidão em relação às chamadas entidades de massa, os diretórios estudantis e as uniões estaduais e nacional dos estudantes. Estas tradições também impregnavam a AP e o PC do B e mesmo as Dissidências e até hoje, desgraçadamente, continuam muito presentes, contaminando o PSOL e o PSTU, entre outros.”

O trecho trouxe a memória recente que vivi nos cinco anos como estudante de História na UNIVILLE, sendo que o minguado movimento estudantil universitário consistia em fortalecer as necessidades dos Partidos Políticos e das inexpressivas organizações políticas de juventude dos próprios Partidos.

A afirmação de que eram ( e são ) grupos pequenos ocorre porque a organização União da Juventude Socialista (UJS- ligado ao PCdoB) que apregoa como a maior entidade de juventude da cidade, seus-suas próprios-as filiados-as estavam (e estão) completamente a margem do se passa na sua organização e quando voltava-se as lutas dos estudantes buscavam (e continuam) somente a cooptação.

O mesmo posso considerar com a Juventude Revolução (JR ligado a Corrente Esquerda Marxista do Partido dos Trabalhadores - PT) quando passou a ganha expressão ao assumirem o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e felizmente abriu um canal de comunicação e produção com estudantes de fora da sua corrente, mas se perdeu no caminho da História ao buscar a cooptação dos estudantes. Sendo um dos fatores para o afastamento de uma relação aberta e democrática com os estudantes com inclinações anti-capitalistas ou simplesmente com valores de inclusão social no meio do movimento estudantil.

Em relação às demais “forças estudantis” ligadas ao PT, PMDB, DEM, PP, PDT e outros não tenho muito que falar, porque a prática é distante e são menores do que “seis gatos pingados”. Porém nocivos à mobilização e luta.

Por isso enquanto pendurar a distância das “lideranças” com a realidade dos-as estudantes universitários-as, a prática de cooptação a seus Partidos e Correntes não acontecerá uma reivindicação realmente estudantil, o que poderia despertar um interesse efetivo de responsabilidade e participação de todos-as.

O distanciamento de uma nova configuração das lutas estudantis poderá ficar nebulosa, quando os-as estudantes de História, que se mantiveram na trajetória de luta e reivindicações passaram recentemente por um processo eleitoral desgastante, que levou um afastamento, a priori, de estudantes ligados à base anti-capitalistas e com efetiva participação social. Assim levando em consideração a história do CALHEV e a falta de organização dos demais Centros Acadêmicos o receio torna-se ampliado.

A esperança de que no transcorrer do dia após dia espero me enganar e sentir o cheiro da contestação e das reivindicações estudantis no campus universitário e fora dele. E principalmente por aqueles-as que fazem vida estudantil: os-as estudantes!!!

Um comentário:

H. disse...

Salve,

Achei boa essa entrevista. O Wili, da FARJ, me disse que o Daniel Aarão hoje se considera anarquista - inclusive ele tem um livro sobre a História do Anarquismo no Brasil -, no entanto, na prática política ele não é um exemplo.

Ah, sempre tu pões a origem da foto. Porque não colocaste nesse link?

Abs.