sábado, 12 de julho de 2008

[História] Um nazista entre o Floresta e o Centro.

Quando criança saia do meu bairro Floresta rumo ao centro de Joinville, passava pela Igreja Sagrado Coração de Jesus, naqueles anos às vezes fazia o sinal da cruz. Hábito que abandonaria aos doze anos.

Ao abandonar o sinal da cruz passava a conhecer a história do anarquismo, textos dispersos e nenhuma sistematização clara das idéias do anarquismo, somente um desejo de conhecer a história de luta.

No mesmo trajeto encontra-se o Círculo Operário. Durante a graduação em História conheci um estudante que pesquisava sobre o surgimento do Círculo Operário em Joinville, nas pesquisas havia percebido o discurso “anticomunista” do Padre Kolb, que viria assumir administração nos primeiros anos do Círculo Operário, assim realizando os objetivos de afastar a classe trabalhadora do “perigo comunista” e mantendo a exploração nas costas dos-as trabalhadoras.

Quando lia sobre a história do movimento anarquista e operário brasileiro, especificamente da década de 1930, um personagem recorrente as perseguições, as prisões e torturas dos militantes sociais da década de 30 era Filinto Miller.

O nome não era novo em minha vida, afinal o notava desde criança quando saia da rua modelo e ia pela rua São Paulo até o centro. Na altura da Igreja Sagrado Coração de Jesus, um pavilhão, anexo ao Círculo Operário, tinha o nome em homenagem ao carrasco dos sonhos de liberdade e igualdade para todos os seres humanos.

O pavilhão ainda está em pé e na sua parede ostenta uma placa escrita Pavilhão Filinto Miller – 1942 – há anos algumas perguntas estão atravessadas na minha garganta. Como pode a Igreja, o Círculo Operário homenagear, em plena Campanha da Nacionalização, um sujeito que era abertamente pró-nazismo e atentava diretamente a vida dos seres humanos ? O que posso notar, sem pesquisa, são posições próximas de um conservadorismo assustador. E hoje, quais seriam as permanências desse passado nebuloso ?

As questões ficam atravessadas na minha garganta e os possíveis meios de encontrar respostas borbulham nos meus pensamentos quando estou saindo do Bairro Floresta com destino ao centro de Joinville.

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