terça-feira, 12 de agosto de 2008

[ "Anti" - Campanha Eleitoral ] Antes repercussão do que repressão.

O estudante de História Bruno Bello me perguntou se li uma carta no jornal A notícia de hoje. Como não havia feito, busquei na edição virtual e encontrei uma carta contrariando o meu ponto de vista expresso na postagem:

O que seu candidato fazia nas décadas de 60 e 70?

O ato de nascer, crescer e ainda viver na cidade de Joinville pode levar a identificar diversas pessoas que estão ligadas há anos aos setores públicos e privados. Estão na política ou são empresários, jornalistas, advogados ou professores.

Bem, você já perguntou o que estavam fazendo essas figuras notórias com mais de 45 anos no triste período da Ditadura Militar (1964-1985) ?

Circula por aí, como nos livros, de que muitos estavam por aí, abraçando militares, entregando “subversivos”, torturando ou fazendo de conta que nada da Ditadura Militar acontecia na “pacata’ e “ordeira” Joinville.

Sinceramente, espero que leiam que a Comissão da Anistia quer levar a toda população o que se passou nos anos de torturas e mortes em nome do “Brasil” e por conta disso existe a possibilidade de punição por todos seus crimes contra os direitos humanos nos 21 anos de regime militar.” (fonte aqui.)

A carta completa você lê abaixo

“Memória curta

Lendo, na edição de sábado (página 10), a carta de Maikon Jean Duarte, em que lança questionamentos sobre a existência de pessoas em Joinville ligadas à ditadura, percebe-se que ele defende a tese de Tarso Genro na caça aos militares e civis que atuaram naquele período. Gostaria, pois, de sugerir aos leitores que busquem conhecer a fundo a história de Dilma Rousseff, Tarso Genro, José Dirceu, Celso Ming e outros "amiguinhos" de nosso presidente que naquela época, em nome de suas siglas subversivas, andavam armados, roubavam bancos, seqüestravam pessoas e cometiam atentados, tudo para formar o caixa de suas organizações. Se alguém precisa ser julgado por crimes cometidos no passado temos de começar por eles. Infelizmente, costumamos contar a história como a ouvimos dos outros, sem buscar conhecê-la a fundo para formar nossa própria opinião. Assim, formamos, salvo raras exceções, um povo de memória curta desprovida de fundamentos. A prova está nos resultados pós-eleições, em que, invariavelmente, elegemos os mesmos corruptos de sempre e que ontem criticávamos. Aurívio João de Souza Júnior – Joinville” (fonte aqui.)

Como estou desempregado e tenho tempo ocioso nada melhor do que escrever uma resposta e sustentar o debate que é necessário. Abaixo publico a carta que acabei de enviar ao jornal:

Lendo carta de Aurívio João de Souza Júnior, na edição de terça-feira, percebo apontamentos equivocados. Eu concordo plenamente com a possibilidade de julgamentos dos militares que torturaram e até mataram em nossa história recente. Afinal, o Exercito declarava que não aconteceram torturas em suas salas, sendo que a história demonstra o contrário, assim os militares agiram por conta própria, nada mais adequados todos pagarem o preço das torturas e mortes.

O senhor Aurívio diz que somos um povo de memória curta, lendo a sua carta noto a possibilidade de sermos por conta de que afirmamos a “caça aos militares é coisa do Tarso Genro”, sendo que há anos o Movimento Nacional de Direitos Humanos e outros estão reivindicando a pauta. Logo, estou ao lado dos lutadores dos Direitos Humanos e não de um político seja petista, tucano ou de qualquer outra sigla.

Ainda hoje, em pleno regime democrático, em várias cidades brasileiras militantes dos Direitos Humanos, Sem terras ou do movimento passe livre são perseguidos, ameaçados e sofrem com a criminalização, por conta disso precisamos refletir sobre nossa história e quem sabe poderemos encontrarmos a permanências das violências do Estado brasileiro, que Tarso Genro faz parte, e do poder financeiro.

Cada um de nos é portador da sua história, por isso identifica e formula as visões de acordo com sua vida e conhecimento, assim a verdade histórica não é uma via de mão única, mas sim um cruzamento repleto de conexões e desconexões. Maikon Jean Duarte – Bairro Floresta – Joinville-SC

Quem sabe você deixe de lado a passividade de um leitor e passe a compor uma voz, por meio da escrita, no debate e faça que a repercussão do debate seja mais viva do que a repressão que ainda permanece em nossa vida.

4 comentários:

Neander disse...

Completanto suas palavras:

http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15184

Y. disse...

bicho, não deixa esses filhasdasputas desses fascistinhas passarem em branco, não. responde e não deixa o papo morrer. é só o que me faltava, que absurdo uma resposta dessas. agora lutar contra ditadura é coisa de terrorista. manda tomar no cu esse tipo de gente.

Ciber Social Metranka disse...

Infelizmente o maior problema de uma população é a memória curta, falta de conhecimento histórico e, contudo, falta de caráter político... Quando vivemos ainda por conta disso tudo escrito acima, como àquela música de nosso querido cantor e compositor Belchior "Como Nossos Pais", repreendido por apenas refletir pontos negativos de nossa história recente que ainda resiste na mentalidade da penúltima geração. É incrivel o quanto é ingênua e ignorante esta, salvo uma minoria, eu os perdô-o por não perceberem que esse tipo de postura só faz violência para com as próximas gerações, ainda que posssamos esperar algo mais destas para daqui anos.

gugue disse...

cara, bem, rsss
não é de hoje, que o jornal A Noticia compactua com o fascismo.
Antes do acordo com os Eua, varias capas de A Noticia, enalteciam Hitler e a alemanha como a superpotencia que duraria Mil anos (fonte Jornal A noticia, por apolinário ternes((se nao me engano)) )
Mas veja bem, a publicação de uma carta não corresponde a opinião do jornal, pior seria ter censura dizendo o que pode e o que não pode ser publicado (cartas), e claro o embate via cartas é justamente um meio muito útil e importante pra manifestar opiniões, principalmente se forem pra desmascarar certos indivíduos que hoje acenam ao povo mas que tem o rabo preso nos porões da ditadura.

Um exemplo inusitado é o do ex-ministro Delfim Netto, considerados por muitos o melhor que ja tivemos, inclusive foi ministro do Lula. Ele está em diversas manchetes nos jornais de hoje( An em várias colunas , noticias do dia, etc...) mas ninguem leva muito em consideração que ele foi um dos principais nomes que apoiaram a implementação do AI-5 (vide google) A palestra ocorreu na Sociesc... da pra ser diplomático e levar em consideração esse senhor que ri bem humorado e comemora a boa fase do brasil? (acompanhei a coletiva). Podemos botar todos no panelão e dizer que a Sociesc é facista? putz... e agora, será que ta tudo dominado, ou sempre esteve?
abraço