sábado, 16 de agosto de 2008

[ "Anti" - Campanha Eleitoral ] Correndo contra os pró-ditadura militar.

Os meus dias estão a mil por hora, por conta da cadeira de aluno especial no mestrado em História do Tempo Presente da UDESC e também porque na segunda-feira começo a lecionar numa escola da rede estadual de educação. Os espaços que ocuparei são lugares para derrubar a estúpida idéia de olhar para a Ditadura Militar brasileira com um olhar saudosista.

Aproveito e publico mais três cartas que sairam na edição de sábado do Jornal A Notícia:

"· Regime militar

Durante o julgamento de Nuremberg, um argumento recorrente usado pela defesa dos principais réus era "tu és outro". Ou seja, uma resposta para acusações de crimes de guerra e afins era a de que os aliados tiveram, no decorrer do conflito, atitudes iguais às dos alemães. Embora o recurso mitigasse a pena, de forma alguma ele anulava o crime cometido. "Tu és outro" se tornou uma forma comum de desqualificar as denúncias feitas a respeito de homens e mulheres que, ao longo do regime militar (1964-1985) no Brasil, foram torturados e mortos dentro de delegacias, quartéis e demais aparelhos. O "elas-por-elas" esvazia o debate em torno dos reflexos dos 20 anos de autoritarismo no País, deixando na obscuridade os seus responsáveis. Resta saber o que está atrás disso: ignorância histórica ou má-fé.

Wilson de Oliveira Neto
Joinville

· - Concordo com Maikon Jean Duarte, em carta publicada quarta-feira ("Torturas", página 8), e quando fala que "verdade histórica não é uma via de mão única" compreendo que pessoas tomam algumas posições, pois é de direito, mas concordar com o fascismo e a repressão é ignorar que hoje temos liberdade de expressão porque foi abaixo o totalitarismo do regime militar, caso contrário, nós não estaríamos nem expondo nossas opiniões neste jornal. Prender aqueles que lutaram contra o regime não seria hipocrisia?

Marcelo Cardozo
Joinville

· - As opiniões de Aurívio de Souza e Noel Trindade, em cartas publicadas esta semana, expõem a chaga, ainda aberta, da ditadura militar que assolou o País por mais de 20 anos. As opiniões defendem ou diminuem os crimes praticados por esse regime de exceção. A ONU condena práticas de tortura e os militares as praticaram em larga escala contra os democratas e demais militantes sociais que se opuseram ao regime. Equivaler a postura dos que resistiram por todos os meios à ditadura aos que detinham o poder, cerceavam as opiniões e golpearam a democracia em 64 é falta de senso histórico. O que Vladimir Herzog tinha em comum com os militares que o assassinaram? Nada, e se hoje há pessoas que não entendem isso, é indício apenas da falta de sensibilidade com a democracia e seu saudosismo com o período mais violento que este país já viveu.

Hernandez Vivan
Joinville”

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Felizmente, as pessoas com sensibilidade histórica estão ocupando os espaços e assim alimentando uma oposição aos insensatos saudosistas pró-prisões, torturas e mortes em nome da “ordem” e da “paz” nos anos da Ditadura Militar.

Fonte clique aqui.

Um comentário:

Prof. Wilson disse...

Caro Maikon.

Muito obrigado por divulgar a carta que redigi recentemente e que foi publicada no AN. O assunto me interessa muito e era difícil não se manifestar.

Detesto saudosismos e acredito que as manifestações pró-Regime Militar deixem claro os motivos de eu não gostar desse tipo de representação sobre o passado.