quarta-feira, 13 de agosto de 2008

[ "Anti" - Campanha Eleitoral ] A política da tortura

Em plena democracia representativa as vozes em defesa da ditadura militar ganha as páginas do Jornal A notícia. O mais nefasto é que são opiniões de leitores.

Antes de continuar a leitura indico clicar aqui e ler o começo dessa história.

Hoje saiu a minha nova carta e também uma outra opinião em defesa da ditadura militar.

"Torturadores

Lendo carta escrita por Aurívio João de Souza Júnior ("Memória curta", 12/8, página 8), percebo equívocos. Concordo plenamente com a possibilidade de julgamentos dos militares que torturaram e mataram em nossa história recente. Os militares agiram por conta própria, e nada mais adequado todos pagarem o preço das torturas e das mortes. Ainda hoje, militantes dos Direitos Humanos, dos Sem-terra ou do Movimento Passe Livre são perseguidos, ameaçados e sofrem com a criminalização. Cada um de nós é portador da sua história, por isso identifica e formula as visões de acordo com sua vida e conhecimento. Assim, a verdade histórica não é uma via de mão única, mas um cruzamento repleto de conexões e desconexões."

Maikon Jean Duarte
Joinville
__________________________________________________________________

Agora a opinião do leitor pró-ditadura:

"Concordo com a punição dos torturadores, desde que ex-seqüestradores, ex-assaltantes de bancos e os autores de muitos crimes contra a Nação também sejam julgados no mesmo tribunal. Os bandidos de ontem são os heróis de hoje, acobertados pelos cargos no governo atual. Aliás, sugiro que leiam no portal www.ternuma.com.br a lista "onde eles estão?" e saberão quem deve mais à Justiça brasileira."

Noel Trindade
Joinville

__________________________________________________________________

Levando em consiração a carta de Noel Trindade acabei de redigir o trecho abaixo:

O medo nos dias de hoje.

"No transcorrer dos debates sobre a punição aos militantes torturadores me provoca um medo. Afinal, sugerir a indicação para a leitura da página Terrorismo Nunca Mais (http://www.ternuma.com.br/ ) como fez Noel Trindade no jornal de hoje, é recorrer as fontes e opiniões conservadoras e contrárias as práticas dos direitos humanos e muito se aproximar dos grupos de contrários aos princípios básicos da democracia, porque não podemos esquecer de que o Grupo Ternura defende as ações contra as vidas humanas durante no nefasto regime militar brasileiro.

Por conta disso, eu tenho medo dessa forma de ternura e prefiro o carregar o peso do mundo que é o amor, como bem escreveu Allen Ginsberg."


Por favor, eu solicito a todos-as a opiniar e encaminhar com nome, cidade, idade e profissão ao emeio: opiniao@an.com.br

2 comentários:

Prof. Wilson disse...

Infelizmente, a combinação entre aulas e Mestrado faz com que eu leia muito pouco jornais, principalmente os de circulação local. A correria infernal torna a busca por informações uma seqüência de visitas superficiais à sítios de notícias, sem muito aprofundamento. Assim, a discussão na qual o Maikon está participando sobre o Regime Militar passou batida por mim. Contudo, tanto a divulgação do debate quanto um convite feito para participar dele foram inegáveis.

Abaixo, gostaria de tornar público a carta que enviei à seção de missivas de leitores do jornal "A Notícia", em apoio às declarações feitas pelo colega.

"Durante o julgamento de Nuremberg, um argumento recorrente usado pela defesa dos principais réus era “tu és outro”. Ou seja, uma resposta para acusações de crimes de guerra e afins era a de que os Aliados tiveram, no decorrer do conflito, atitudes iguais às dos alemães. Embora o recurso mitigasse a pena, de forma alguma ele anulava o crime cometido. “Tu és outro” se tornou uma forma comum de desqualificar as denúncias feitas contra pessoas que, ao longo do Regime Militar (1964 – 1985) no Brasil, torturaram e mataram homens e mulheres dentro de delegacias, quartéis e demais aparelhos. O “elas por elas” esvazia o debate em torno dos reflexos dos 20 anos de autoritarismo no país, deixando na obscuridade os seus responsáveis. Resta saber o que está atrás disso, ignorância histórica ou má fé.

Wilson de Oliveira Neto, Joinville (SC)".

Finalizando, lamento o fato de que o espaço permite um texto de apenas 800 caracteres, pois tenho mais algumas coisas para expor. Saudações e até mais.

Ciber Social Metranka disse...

Creio que o "rabo preso" como diz Guga no post abaixo é a um dos motivos por ainda termos fascistas no meio social.