sexta-feira, 8 de agosto de 2008

[ "Anti" - Campanha Eleitoral ] Repressão para todos-as.

"A praça Tiradentes:
Leitora pede instalação de posto policial na praça Tiradentes, uma antiga reivindicação do bairro Floresta. E que o Conselho Tutelar e o Juizado da Infância e Juventude atuem de forma mais efetiva por ali, que estaria sendo ponto de encontro de menores em situação de risco. Para ela, o ideal seria a colocação de câmeras de segurança e mais policiais. Em último caso, a praça tem de ser cercada. É uma idéia ousada. Quem quiser opinar sobre praças cercadas, escreva para a coluna."

O trecho acima foi publicado na coluna do Jefferson Saavedra, o que assustada é constatar que a saída para os problemas sociais do bairro que nasci e vivo, segundo a leitora, é repressão a todos-as. O mais assustador que é para o discurso conservador poderá ganhar espaços na Câmara de Vereadores , afinal no bairro Floresta "recebeu" os comitês de diversas figuras conservadoras que estão na busca de votos.

A comunidade precisa refletir sobre os problemas que vivemos, não podemos deixar nas mãos dos políticos, porque a politicagem partidária e os discursos conservadores de setores da comunidade poderá colocar em risco a já difícil vida estamos enfretando nas ruas do nosso bairro.

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Por conta do comentário da leitora acabei de enviar a seguinte carta para o colunista:

Olá.

Lendo sua coluna de hoje o que me chamou atenção foi a breve nota sobre a Praça Tiradentes, no Bairro Floresta, então vou tentar ser objetivo e claro.

Eu sou morador do Floresta por volta de 25 anos, sendo que tenho 27 anos, desde criança a Praça Tiradentes é tratado como um problema. Agora, as observações da sua leitora são no mínimo assustadoras.

Precisamos identificar os problemas, buscarmos suas causas, compreender o que leva as crianças a se envolverem com o consumo de drogas e pequenos outros delitos. Também não podemos observamos a questão somente que as crianças estão erradas, porque estão exercitando uma vida contra a lei.

Talvez, questionamentos em torno de pontos como:

O que o bairro oferece para a comunidade levarem uma vida mais digna ?

O que o poder público realiza para solucionar os problemas ?

Quais são as responsabilidades das Escolas do bairro nessa questão ?

Qual é o papel da família ?

Quais são os papeis da Associação de Moradores do Floresta ?

Qual é a responsabilidade da sociedade como um todo para as crianças e a juventude se marginalizarem ?

Realmente, a existência dos menores de idade em situação de risco na praça é um fato, como em diversos espaços públicos da cidade. Agora, pensarmos que câmeras, policiamento, cercas e grades são os mecanismos para solucionar o problema é no mínimo um retrocesso histórico sem tamanho.

Sinceramente, o Bairro Floresta precisa refletir sobre esses problemas e muitos outros que estão em nossa comunidade. Quem sabe se buscarmos a nossa história recente, como a trajetória de justiça social e dignidade vivenciada com as pastorais sociais da década de 1970 e 1980, especialmente na Igreja Cristo Ressuscitado. Também é na história que encontramos tristes histórias de que policiamento, câmeras, cercas e grandes são destrutivos para a vida humana, quem sabe, parafraseando Naomi Klein, precisamos de janelas para uma vida digna para as crianças e a juventude no Bairro Floresta.


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Moradores e moradoras do bairro Floresta, vamos superar a repressão como mecanismo para solucionar os problemas sociais da nossa comunidade.

2 comentários:

Neander disse...

Não é necessário resolver o problema se ele não me afeta. Assim, deixando o problema dentro da cerca, como num zoológico, pode-se exercitar a intelectualidade olhando para ele de fora das grades e refletindo como chegamos nesse ponto. Vira diversão de "classe média" assistir a desgraça ao passar com carros novos na rua ou ao ligar a TV.

Y. disse...

muito bom ter uma cobertura crítica radical da vida política de Joinville, Maikon. acredito que é por esse que caminho que devemos agir. agir local, pensar global já é um lema antigo, né? importantíssimo se focar em retratar o local e questioná-lo, isso colabora para sua transformação. um dos fatores que ajuda é disputar espaços e brechas na Grande Mídia, como essa sua resposta. continua com uma certa frequência de atualizações que tá bem legal, meu chapa.

grande abraço.