sábado, 18 de outubro de 2008

[ "Anti" - Campanha Eleitoral ] Três cartas sobre os direitos humanos.

O artigo sobre os Crimes de Torturas publicado no Jornal A notícia rendeu mais um debate, iniciando com um carta lamentável na edição de ontem. Hoje sairam mais três cartas, que reproduzi abaixo.


"Direitos humanos

A respeito da preocupação do leitor Paulo Curvello ("Direitos humanos", 17/10, página 14), questionando a posição do Centro de Direitos Humanos quando da morte do policial militar Sidnei Rodrigues no PA 24 Horas do Itaum, no dia 30/7, cabe-nos dizer que sim! O CDH também se preocupa com a integridade física, psicológica e profissional dos agentes de segurança pública, sejam eles policiais civis ou militares, agentes prisionais ou qualquer outro servidor público exposto a situação de risco, sem treinamento, equipamentos inadequados e remuneração insuficiente. No episódio da morte do policial, viemos a público, em "AN" de 1º/8, externar nossa indignação com o ocorrido e empenhar solidariedade com a família de Sidnei Rodrigues. Sidnei morreu por culpa das condições de perigo que enfrentava no seu dia-a-dia e por omissão do Estado, que submete os servidores a tais condições de trabalho. Por isso, dizer "direitos humanos só defende bandido" não é verdade. Os defensores de direitos humanos fazem uma opção pela vida, por uma vida digna. E isso vale para todas as pessoas, não apenas para humanos "direitos".

Cynthia Pinto da Luz
Advogada do CDH Joinville


- Li a crônica "Crime de tortura", da advogada Cynthia Maria Pinto da Luz, (15/10), e cumprimento-a pela clareza com que colocou a questão. Ela tem razão quando diz que esse crime é ainda mais grave quando praticado por autoridades. Mas é preciso distinguir os que o praticam isoladamente, ao arrepio da lei, do poder constituído a serviço do qual se encontram. Quando um policial tortura não é justo acusar a polícia como um todo de torturadora. Pela mesma razão, são injustas as acusações de tortura atribuídas, com o aval do ministro Tarso Gernro, a órgãos do regime militar, pois o que aconteceu naquele período da vida nacional é o mesmo que acontece ainda hoje: agentes públicos de má índole usando e abusando da autoridade que têm para dar vazão a seus instintos bestiais.


Lino Tavares
Laguna

- Na edição do dia 15/10 foi publicada uma interessante crônica sobre abordagem policial, assinada por Cynthia Maria Pinto da Luz, advogada do Centro dos Direitos Humanos de Joinville. Na edição de sexta-feira, o leitor Paulo Curvello cobra dos direitos humanos a ausência da entidade na hora de apoiar as famílias vítimas da violência urbana e traz o tradicional argumento de que os direitos humanos somente estão presentes para defender "presos e supostas vítimas de violência policial", chegando ao ponto de determinar que a preocupação do CDH devesse ser com os tais "humanos direitos". À família que sofre com a violência urbana, como no caso do policial militar morto em serviço, cabe ao Estado direcionar todo o apoio. Na questão dos treinamentos, mais uma vez é papel do Estado preparar e trazer uma abordagem com olhares voltados aos direitos humanos, e com certeza poderia contar com apoio de agentes externos da Polícia Militar para contribuir nos treinamentos, como o próprio CDH. No que diz respeito aos "humanos direitos", é uma argumentação lamentável e elitista. Felizmente, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição Brasileira de 1988 fazem a abordagem de que todos os seres humanos são iguais e merecedores do mesmo tratamento. Por isso, a existência do CDH de Joinville se faz muito importante nesses últimos 29 anos, em que os direitos humanos continuam sendo desrespeitados e deixados de lado por conta dos agentes públicos, pelo Estado e infelizmente até mesmo pelos principais beneficiados com os direitos humanos.

Maikon Jean Duarte
Joinville"

Um comentário:

Camila Rosa disse...

poxa, mk. que bom que gostou! isso foi para um trabalho de estética que tive na faculdade, e como eu gosto muito daquele quadro do delacroix, resolvi utilizar ele pra fazer essa revisitação que era a proposta do trabalho. espero que ajude em alguma coisa.
beijo!