terça-feira, 25 de novembro de 2008

A chuva na cidade.

Eu gostaria de escrever sobre as chuvas e todos os sofrimentos causados pelas enchentes. Pensei em rascunhos sobre a minha experiência na Escola de Ensino Fundamental Senador Rodrigo Lobo e a comunidade do Jardim Sofia, que tem laços efetivos de solidariedade por conta das enchentes que sofreram na década de 1990. Pensei na angústia do meu avó impedido de ir a Igreja da rua Guararapes por conta das quase 20 centímetros de lama na frente da sua casa.Gostaria de escrever sobre a tristeza no rosto de uma amiga ao saber que todo o material da escola que leciona está apodrecendo desde o último sábado. No fundo, não tenho condições de escrever uma linha, principalmente, porque estou sem notícias de todos-as os-as jovens e adultos-as que leciono. Todas pessoas humildes, trabalhadoras, inteligentes, dedicadas, carinhosas e solidárias e ao mesmo tempo moradores-as dos Bairros mais afetados com as chuvas.

3 comentários:

emanuellecarvalho disse...

Essa situação toda além de angustiante - pelos parentes e amigos desaparecidos - é ainda agravada pela condição social que a população deste local vive. As partes afetadas são regiões pobres, onde as necessidades são maiores e o descaso governamental é notável, mas então o quê fazer? Nesses momentos o assistencialismo é substituído pela solidariedade, e a luta pelo companheirismo.
Força e muitos abraços solidários.

Wesley disse...

Com certeza vc sente muito pelos os que perderam tanto, eu tb!
provavelmente vc não consegue escrever pq vc não perdeu nada!
não sintiu na pele a dor e a miséria provocados pela natureza.
eu estou como vc, apenas sinto muito pelos outros, ms não fui afetado fisicamente, as unicas consequencias que senti foi que não estou tendo aula.
mas se nós tivessemos passado pelo aperto que tantos passaram...
putz...
teríamos vivencia o suficiente para escrever o livro do ano.

ps: minto, sofri sim... esses dias de chuva as minhas gatinhas não desciam para fazer cocô nem xixi, dai elas minaram a nossa área, tava um cheiro insuportável, e hj de manhã eu tive q limpar tudo!
foi foda...

Bruno disse...

Com as enchentes é normal se ouvir :
"os que mais sofrem são os pobres",de certo ;a água não escolhe rico ou pobre ,mas o ser humano ? ,quem tem o poder sempre tratopu de escolher os melhores meio e ambientes pra viver ,criou verdadeiras guarnições ,casas - fortalezas ,o pobre não tem esse direito de escolha ,em último casos fica onde enche,agora aparece defesa civil e o estado ,mas onde estavão?,quem é responsável ,será coincidência que nenhuma mansão foi afetada pela chuva ?,o governador não se cansa de falar que nunca choveu tanto assim em SC ,sabemos ,mas já há relatórios técnicos,infelizmente não mostrados na mídia ,que mostram que a enchente também é consequência de uma omissão nas políticas públicas de sanemaneto e nas estratégias para se evitar uma enchente ,que sim é possível !,impossível é ficar esperando e contando com a sorte, quelocais onde há um histórico d enchentes onde há rios que passam no meio da cidade fiquem a esperar o bom tempo para que não ocorra uma tragédia ,talvez esse não seja o momento para esse tipode discussão ,é hora mesmo de ajudar ,até porque para quem nesse momento está desabrigado esse tipo de discussão não tr´s uma mudança imediata ,mas é triste viver em um lugar onde até as desgraças naturais estão atreladas a uma sociedade injusta e exploradora

"Duas notícias

Novembro 24, 2008 by José Saramago

No Brasil, entre entrevista e entrevista, fico a conhecer duas notícias: uma, a má, a terrível, que o temporal que de vez em quando desaba sobre São Paulo para deixar, minutos de fúria depois, um céu limpo e a sensação de que não se passou nada, no sul causou pelo menos 59 mortos e deixou milhares de pessoas sem casa, sem um tecto onde dormir hoje, sem um lar onde seguir vivendo. Notícias destas, apesar de tantas vezes lidas, não podem deixar-nos indiferentes. Pelo contrário, cada vez que nos chega a voz de um novo descalabro da natureza aumenta a dor e a impaciência. E também a pergunta a que ninguém quer responder, embora saibamos que tem resposta: até quando viveremos, ou viverão os mais pobres, à mercê da chuva, do vento, da seca, quando sabemos que todos esses fenómenos têm solução numa organização humana da existência? Até quando olharemos para outro lado, como se o ser humano não fosse importante? Estas 59 pessoas que morreram em Santa Catarina, neste Brasil onde estou agora, não tinham que ter morrido de esta morte. E isto, sabemo-lo todos."Saramago
fonte :http://caderno.josesaramago.org/