domingo, 16 de novembro de 2008

Eu quero uma dose diária.

Era quinta-feira, a última que passou, um dia de chuvinha, chuvona, friozinho, um solzinho, um bafo de calor que acompanhou até o dia seguinte.

A ocupação para a tarde era sair do antigo apartamento da rua do príncipe – que nunca veio a cidade – e seguir até o Bom Retiro, cruzando a Princesa Isabel, a João Colin, um pedacinho da Dona Francisca, Santos Dumont e virar a direita na rua Nova Trento.

Simples trajeto para quem vive em cidades como Curitiba, São Paulo ou Porto Alegre, porém nos que vivemos por aqui, percebemos o crescimento populacional, da cultura consumista e individualista do automóvel, o trânsito é assustador. E a amiga e motorista comenta “é coisa de louco sair todos os dias nesse horário”, a minha condição de passageiro do banco da frente trouxe as lembranças das saídas em São Paulo, onde ocupava o mesmo lugar num carro diferente, também com uma companhia amigável e querida, onde a trilha era cantada e tocada pelo Clash.

Como os dias em São Paulo, as ruas e todo o trânsito levaria aos felizes acontecimentos marcantes ao coração sujo e sem esperança que carrego comigo nesses tempos.

Um sensação semelhante ao entrar na rua Nova Trento que há décadas hospeda um homem portador da letra E, tanto em seu nome, como nas suas idéias, sonhos, companheirismo e amor.

E de esperança,

E de esquerda,

E de Elas, tão importante sua a liberdade mesmo que parcial.

E de Edgar.

O seu Edgar nos recebeu e no primeiro momento olhou com um ar desconfiado, em seguida ao convite para compor uma mesa para contar sua memória de homem-coração que buscou romper as amarras impostas pelo militares, pressão internacional e setores da sociedade brasileira.. Mesmo em Joinville, terra onde vigora o discurso da “paz”, “ordem” e “trabalho” caiu nas ruas e buscou-busca derrotar tudo aquilo que entende como fascismo. O olhar de carinho e de esperança se abriu.

Eu escutava seu Edgar e respondia com algumas palavras, enquanto isso todos os meus sentimentos transformavam o coração sujo e sem esperança para uma atmosfera de lembranças esperançosas do tempo recente nas ruas movimentadas em que a beleza da inocência do amor pulsava no ritmo da velocidade dançante do Specials.

É, quem sabe seja necessário uma dose diária de E para alimentar o coração para a vida.

Um comentário:

Anônimo disse...

É bom ter partilhado este momento contigo! Momento que me trouxe a vida, a paixão, a coragem de continuar acreditando e lutando.

Gisa