domingo, 23 de novembro de 2008

A "iminência da catástrofe".

Gohar agora estava acordado; pouco antes, sonhara que estava se afogando. Apoiou-se num cotovelo e olhou à sua volta, com uma expressão cheia de incerteza, ainda desnorteado de sono. Já não estava sonhando, mas a realidade estava tão próxima de seu sonho que ficou perplexo por instante, intensamente consciente de que um perigo o ameaçava. “Por Alá! A enchente!”, pensou. “O rio vai levar tudo embora.” Porém não ensaiou nenhum gesto de fuga ante a iminência da catástrofe; pelo contrário, ficou agarrado ao sono como a uma tábua e fechou os olhos.”[1]


Um registro[2] da Rua do Príncipe, que, por aqui nunca pisou e muito se contou da sua história. Agora, somos contemplados com vários dias de chuvas, alagamentos, enchentes e com a “iminência da catástrofe”. Enquanto chove agarro os meus dias sem esperança e espero um impulso no meu coração que já foi livre e hoje simplesmente é um coração sem saber quais os rumos tomar. Uma sensação de que todas as ruas do coração estão alagadas, estou de frente a "iminência da catástrofe".


[1] Albert Cossery em Mendigos e Altivos – Editora Conrad 2006.
[2] Mais fotos do centro completamento alagado http://www.flickr.com/photos/ludimila-castro/

Um comentário:

Anônimo disse...

e nesse momento a uma penca de idiotas agradecendo que graças a chuva amanhã não haverá prova ,ou não terá que trabalhar na segunda feira ,saiba então que graças a chuva morreram 14 pessoas em SC ,há uma inúmeras pessoas desabrigadas ,no jativoca uma porção de famílias que já estão sem alimento ,então ,ao menos que vc não viva em uma bolha (se bem que para alguns a casa quentinha e confortável pode como uma bolha parecer -se ) não cabe,é incensível e egoíta agradecer as pequenas graças que a chuva trouxe .