quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

As fotos de uma revolta popular.

As fotos têm um poder de sedução e mobilização que é impressionante. Dois exemplos emblemáticos dos dias de hoje. O primeiro são os registros dos desastres das chuvas dos últimos meses em Santa Catarina e a falta de prioridades do governo do Estado e da Prefeitura de Joinville em relação aos atendimentos as pessoas vitimas. O segundo exemplo é os registros da revolta popular grega, que vai para o décimo segundo dia, sendo o estopim o assassinato de um jovem estudante e todo o contexto anterior de exploração capitalista e autoritarismo estatal. As cores vermelhas e negras do anarquismo estão presentes nas fotos e nas matérias da televisão. Nesse aspecto é importante afirmar a tradição anarquista na perspectiva insurrecional na Grécia, que segundo I.A.C.S.T: “O anarquismo sempre foi um movimento social composto por uma grande variedade de perspectivas no que diz respeito à organização e estratégia. O anarquismo autônomo e insurecionalista, baseado na responsabilidade individual, na ação direta, na organização informal e na luta armada...”[1] As informações sobre o anarquismo na Grêcia que a Agência de Notícias Anarquistas envia são recheadas de tom dessa perspectiva anarquista, também importante frisar a influência da “Batalha de Seatle”[2] de 1999 e o “boom” do Black Bloc como força de destruidora e pouco prepositiva para uma organização revolucionária anarquista, tendo como a luta de classes, autogestão, federalismo e a revolução social.[3]
Toda a resistência popular grega não é originária do anarquismo insurecionalista, nota-se a presença de diferentes organizações, entidades e inclusive Partidos Políticos, enquanto o Partido Comunista Grego boicota as ações e até mesmo as assembléias. As fotos[4] propagadas demonstram um mobilização espetacular e inspiradora, independente dos traços ideológicos da (ou da não) organização da resistência anti-capitalista na Grécia, um elemento histórico de que a superação do capitalismo e do Estado se faz presente e necessário nos dias de hoje.
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[1] A sigla significa Insurrectionary Anarchist of the Coast Salish Territories-Vancouver, Canadá. A citação foi retirada do texto “O movimento autônomo anarquista insurrecional: uma história esquecida” editado por Edições Pitufas Negras. São Paulo, inverno de 2004

[2] O artigo “Aproximações ao movimento ‘anti-globalização’” vale a pena conferir, leia clicando
aqui.

[3] A história do anarquismo aponta a necessidade de uma revolução social e da necessidade da organização, como podemos perceber nos escritos de Bakunin, Kropotkin, Malatesta e outros. Sobre essa perspectiva você poderá conhecer clicando
aqui ou aqui.

[4] A fonte das fotos e para visualizar outras clique aqui.

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