quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Uma recusa.

Um tempo atrás fiz uma viagem inusitada, interessante e gostosa. O meu destino foi o Santuário de Madre Paulina, por volta de uma hora e pouco distante de Floripa. Além de muita coisa ligada a Igreja Católica. O espaço máximo da fé por lá é uma Igreja nova com uma arquitetura um tanto que extravagante.


Eu fiquei mais concentrado na atmosfera da fé católica na Livraria Católica, especialmente folheando um livro biográfico do atual Papa, o famigerado Bento XVI. O hoje Papa, que tem como nome de batismo Joseph Alois Ratzinger, nasceu na região da Baviera – Alemanha – no ano de 1927, por conta desse contexto de nascimento busquei informação na biografia sobre o período do regime nazista alemão -1993 a 1945- gostaria de saber que o jovem Raztzinger fazia naqueles anos.


Estranhamente é informado que Ratzinger, hoje Papa, serviu a juventude hitlerista e inclusive chegou ir para as frentes de batalha, sendo que não disparou um único tiro. Infelizmente não comprei o livro e nem anotei o nome do autor, mesmo assim a pergunta que ficou pairando na minha cabeça foi “Como é possível ir à guerra mais emblemática e violenta do século XX e não disparou um único tiro numa frente de batalha?


O tempo passa e as pessoas são passiveis de mudanças. Mas observando alguns fatos da vida de Ratzinger me leva acreditar que nem tudo é uma mudança considerável e em alguns aspectos a mentalidade e a memória permanecerá martelando.


Veja dois exemplos:


Quando o teólogo brasileiro Leonardo Boff (1) sentou na cadeira que já passou Galileu Galilei, Giordano Bruno e foi julgado por “terríveis crimes” de escrever um olhar latino-americano e não branco sobre Jesus Cristo, o então cardeal Ratzinger foi um dos responsáveis pelos veto do olhar sobre Cristo proposto por Boff. Um resumo é que Jesus somente é considerado na visão branca da construção histórica européia sobre o tema.


O próximo exemplo é a mania doentia do Papa Bento XVI de perseguir as pessoas que amam pessoas do mesmo sexo. Os gays, as lésbicas, os transsexuais são responsáveis pelo mal do mundo e contrários a manutenção da humanidade, ao menos é que podemos perceber na fala (2) do estúpido Papa Bento XVI – ex Joseph Ratzinger -, sendo que novamente voltou a publicar a opinião contra os seres humanos.


Levando em consideração os dois exemplos da biografia do atual Papa, que tem sua criação na congregação da Igreja Católica chamada Doutrina e Fé (3), que na Idade Média era uma organização responsável pela “Santa Inquisição” onde impôs o medo e terror para todos os seres humanos de espírito livre ou que simplesmente dançavam a música em outro ritmo. Por isso, recuso a instituição da Igreja Católica, mesmo considerando que em determinados momentos teve papel fundamental na defesa da vida e dos direitos humanos. O ato de escamotear a história da humanidade é uma prática nada ética voltada ao espírito humano, amparado na busca da liberdade e da igualdade. Faço a opção de reafirmar a recusa da Igreja e todos os seus pilares contra a construção de um mundo mais justo.


Notas.


(1) A leitura da entrevista vale a pena conferir clicando aqui

(2) Leia clicando aqui

(3) Leia clicando aqui.


3 comentários:

Camila Rosa disse...

caramba, hein!

Wesley disse...

Como é bom ter um amigo historiador como vc.
tb não curto a igreja católica. e msm sobre os tais pilares para a construção de um mundo mais justo, do q vc está falando?
da família? dos cultos? das tradições?
há tanta hipocrisia nisso tudo.
gostei d vc ter tocado no assunto sobre outras orientações sexuais, tenho a maior vontade de fazer um filme buscando a raiz do ódio da igreja católica contra os homossexuais,
claro q seria ficção, ms baseada em fatos históricos.

WD disse...

O Ratzinger era considerado um liberal durante o Concílio Vaticano II, mas mudou depois de virar cardeal. Acho que foi o gosto pelo poder.