domingo, 27 de dezembro de 2009

Aos domingos


Aos domingos o tempo se faz lento e partidário da nocividade, ao identificar cada centímetro de erros nas memórias individuais.


Aos domingos o sol se faz mais quente. Fazendo a necessidade de uma sombra ao lado do amor que um dia confiou em mim.



Aos domingos as ruas estão em silêncio. O que se escuta é o canto de solidão de um pássaro, é o barulho do galho seco caindo, enquanto os meus pés, ao tocarem o chão quente, fazem sussurros de queimadura.


Aos domingos as pessoas desaparecem. É como um anúncio de que o futuro encontrará a solidão socializada a todos os corações.


Aos domingos se faz necessário aprender com a lentidão, o clima, os silêncios, os barulhos, as pessoas desaparecidas, a solidão e com os erros.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Um amigo catalão



É a última tarde antes do natal. Lá fora faz uma chuvinhafilhadaputa. Um clima ideal para ficar longe das ruas da cidade. Aí, um amigo catalão, envia o vídeo do Fun People tocando “Si pudera”.

Fiquei putasso com o amigo. Ele tentou amenizar dizendo que as vezes é bom ouvir uma música e pensar que as grades estão sendo destruídas e o encontro acontecerá. Maldito catalão metido a poeta.



"Ay si pudiera mi amor
encontrarte otra vez en el lugar de siempre a la hora de siempre.
Tal vez, me entenderias, lo se...
Ay si pudiera, tal vez, encontrarte otra vez
y contarte las cosas que un dia calle por el bien de ambos,¿sabes?
Si pudiera mi amor explicarte el porque
fui solo esa noche a donde ambos soliamos ir.
¿Sabes donde estoy? ¿Donde estoy ahora? Tal vez...
(Sabes amor, a veces no todo es eterno como mi amor por ti.
Tenia un presentimiento y.. te menti.
Yo tenia un pacto y debia cumplir, y no queria involucrarte nillevarte.
No me escape de ti, estoy tras las rejas, y ellas, ellas meseparan de ti."
Si pudera por Fun People.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

2010: Should I Stay Or Should I Go e Por el suelo



“Devo ficar ou devo ir agora?
Se eu for haverá problemas
E se eu ficar haverá o dobro
Então venha e me deixe saber
The clash na música “Should I Stay Or Should I Go”

“Pelo solo caminha meu povo”
Manu Chao na música “Por el Suelo”



Quando digo que sou professor de história e trabalho com teatro as pessoas que estão ausentes da minha vida e distantes dos meus círculos de vivências escutam com certa admiração, no fundo é um falso glamour. A minha vida profissional é uma mentira.


Os meus trabalhos com o teatro voltarão em fevereiro de 2010, enquanto isso nenhum dinheiro estará entrando no meu bolso. A minha sobrevivência será com as economias dos últimos meses, ou seja, quase nada de grana. Quando a grana entrar será pouca, a realidade do teatro em Joinville é complicadíssima, mesmo a cidade sendo referência circuito teatral catarinense.


O governo do Estado de Santa Catarina faz de conta que contrata professores-as. A prefeitura de Joinville é a mesma ladainha. Estou refém das escolas privadas, cujo meu perfil não é adequado. O diploma de professor de história não tem segurança para conseguir um emprego.


As duas experiências profissionais relatadas transcorreram no presente ano, quando diferentes elogios foram destinados a mim, inclusive aplausos de pessoas que tenho como referência no teatro e no ensino da história. O que me faz acreditar que caminho com desenvolturas pelos dois campos profissionais.


Os pensamentos que povoam a noite de hoje é que formação profissional, dedicação e desenvolturas não são suficientes para manter uma vida profissional para pagar as contas, os passeios, os livros e afins. E os outros pensamentos são quais saídas adequadas devo tomar . Tudo como se “should i stay or should i go” estivesse zumbindo no meu cérebro.O melhor da dúvida é que após momentos de reflexão a decisão surgirá, o que faz o caminho “por el suelo” acontecer da melhor maneira possível. Que venha 2010.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O tempo e as músicas


Os tempos passaram. Uns estão empregados, outros desempregados, uns estão casados, outros separados e tem uns que estão naquele vai e vem de uma relação à outra. Uns estão certos, já outros, continuam com os erros. Uns são felizes, outros se mantém na montanha russa das tristezas a momentos empolgantes. No fundo, a todos, os tempos passaram e fazem das memórias sobras provocativas delineando um sorriso nos lábios, fazendo os pés baterem no chão, como se no quarto tocasse as músicas certas daqueles dias, chega a fazer os corpos dançarem na frente do espelho, como se todos nós estivéssemos prontos para uma festa com muita tequila, vinho chileno e uma geladeira cheia de cervejas. Nesse momento está como se a música crescesse no ritmo da beleza transformadora das nossas faces, os nossos passos são levados a inusitada sensação de um amor, de um amor meigo, brincalhão, divertido a caminho do campus, debaixo de um sol das 8 da matina. Graças as histórias vivenciadas coletivamente, possuímos memórias.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ausência



A leitura do livro “Cultura e Resistência” com entrevistas de Edward W. Said (1934-2003) concedidas ao radialista David Barsamian me levou a perceber uma carência na realidade da cidade de Joinville: ausência de intelectuais ativos.



Edward W. Said foi um professor de literatura de origem palestina e criação cristã. Sim, na Palestina não é composta somente por judeus e islãs, existem cristãos, ateus e outros. Edward viveu no contexto do Oriente Médio, estudou na Inglaterra e nos Estados Unidos da América. O que levou a desenvolver uma visão crítica sobre o processo de colonização que a população palestina está sofrendo desde ocupação inglesa, com a formação do Estado de Israel e com todo o incentivo direto dos EUA.



O fato é que Edward assumiu a condição de intelectual; não daqueles dos cadernos culturais  dominicais dos "grandes jornais"; não daqueles que ficam nas universidades como vivessem num cárcere; não daqueles que falam para os seus semelhantes, cuja linguagem tem o papel de dificultar o conhecimento de todas as pessoas. Pelo contrário, Edward fazia parte dos intelectuais com o papel de falar a verdade de maneira clara, sem a falsa objetividade e imparcialidade.



Edward fez dos seus livros, das suas entrevistas e das salas de aulas como espaços para ser um intelectual disparando palavras inteligentemente com a força de uma pedra disparada por um adolescente palestino num tanque do Exército colonial do Estado de Israel.



Por aqui, a vida e as opiniões de intelectuais como Edward, poderia citar Chomsky, Klein, Zinn ou Ali, são completamente ignoradas. E quando professores – ou qualquer outro profissional – assume o papel de intelectual está baseado em mentiras ou estão se propondo a falar com sutilizas viciadas em nome do petismo ou do tucanato. Sempre mantendo o poder e um cargo, jamais uma causa em nomes das pessoas vítimas de violações.  Somente sobra o papel de  reclamar a ausência de intelectuais ativos como Edward Said.


O colecionador de imagens

http://tuasimagensaominhasimagens.blogspot.com/

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Mame nas tetas do inferno



Sem dinheiro do Estado e nem do setor privado a Brain Films lança o curta “Mame nas tetas do inferno” no seu blogue. Inclusive saiu uma nota na página Orelhada, do Rubens Herbst. O meu entusiasmo com os dois adolescente da Brain Films é grande. Nem completaram 17 anos e com um computador e uma máquina fotográfica digital ficam criando roteiros, filmando e editando filmes seguindo todas as dicas dos seus mestres da cinema bagaça.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

“Eu odeio rap!”


Eu odeio rap!” é uma frase simples e direta. Uma vez escutei de um policial, outra de um adolescente branco “amante” de metal extremo e também de um rapaz de classe média. A frase faz parte de um discurso que pode ser lido nas entrelinhas da própria curta frase: no primeiro caso é como dissesse “Eu sou um autoritário!”, no segundo “Eu sou um racista!”, no último “Eu odeio os pobres!”. A música rap – e toda sua cultura – é um caminho, intencional ou não, de tornar público todos os preconceitos existentes na cidade.


Obrigado Ribas, Nalvan, Bruno e ao André por mostrarem Kamau, Emicida, Valete, Gutierrez e tantos outros-as.


P.S : os clássicos do rap já conhecia ;-)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Em 2010


Em 2010 vou trabalhar com teatro, recebendo o suficiente para pagar as contas e aproveitar a vida.


Em 2010 vou trabalhar com cinema, recebendo o suficiente para aproveitar um pouco mais.


Em 2010 vou ser aprovado no mestrado.


Em 2010 vou escrever.


Em 2010 vou a Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.


Em 2010 ir até Curitiba continuará sendo como sair do bairro Floresta ao Bom Retiro, que bom.


Em 2010 estarei curado da minha doença.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Se o resumo é bom, imagina o livro.


Os cenários invisíveis do caso Battisti, escrito por Carlos Alberto Lungarzo, é uma surpresa entre todas as buscas por informações mais consistentes sobre o caso de Cesare Battisti. É possível passar pela história, pelo direito, pela política, fazendo a compreensão do caso ser mais amplo e consistente. Leia aqui.


Outra maneira de encontrar mais informações é ir a página do autor, Carlos Alberto Lungarzo, que também fornecerá interessantes informações para quem está – ou é – envolvido com direitos humanos.

Como é perceptível o Vivo na cidade está recebendo somente informações curtas sobre o caso do Cesare Battisti, a razão é que estou sem paciência para escrever com mais atenção, pois os dias estão sendo de uma dureza, fazendo tudo ficar bem nebuloso, não faço referência alguma às nuvens, falo de mim.

o que fazer no sábado

No dia 12 de dezembro (sábado) estará ocorrendo um debate sobre o caso Cesare Battisti e as perseguições e criminalizações dos movimentos sociais ocorridos na cidade de Joinville. O evento está marcado para as 16 hs, o local será o Centro de Direitos Humanos de Joinville “Maria Graça Braz” (RUA DOUTOR PLÁCIDO OLÍMPIO DE OLIVEIRA, 660 - BUCAREIN CEP: 89202450 - JOINVILLE – SC).


 

Mais informações: http://www.barraracriminalizacao.blogspot.com/

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

De língua pra fora


é hoje e amanhã. Mais informações : http://linguarudosfestival.blogspot.com/

Debate


No dia 12 de dezembro (sábado) estará ocorrendo um debate sobre o caso Cesare Battisti e as perseguições e criminalizações dos movimentos sociais ocorridos na cidade de Joinville. O evento está marcado para as 16 hs, o local será o Centro de Direitos Humanos de Joinville “Maria Graça Braz” (RUA DOUTOR PLÁCIDO OLÍMPIO DE OLIVEIRA, 660 - BUCAREIN CEP: 89202450 - JOINVILLE – SC).
 

Mais informações: http://www.barraracriminalizacao.blogspot.com/

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ato


http://www.barraracriminalizacao.blogspot.com/

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

É preciso informar


ontem foi Sacco & Vanzetti

e hoje é Cesare Battisti


Conheça o Comitê de Apoio aos Movimentos Sociais, clique aqui.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Agir é possível



É comum ouvir comentários como “Eu queria me envolver mais nas lutas sociais, mas justamente quando alguma luta está acontecendo estou completamente fodido com as coisas do trabalho (ou faculdade ou família)” Realmente, as dificuldades e as responsabilidades de estudos e de trabalhos são pedras no sapato quando buscamos ir além do que já estamos imersos.



A possibilidade de se envolver não é somente indo ao piquete de greve, a manifestação de rua e aos debates públicos. Um exemplo prático é assinando a petição pela libertação de Cesare Battisti, lendo e discutindo a mídia independente e dos movimentos sociais, levando as informações aos teus amigos e tuas amigas de trabalho e da escola.




E quando tiver condições de ir ao piquete de greve, levantar um cartaz numa manifestação de rua e discutir publicamente num debate; faça. O seu envolvimento jamais será menor do que um suposto líder de uma burocracia sindical, muito pelo contrário

O canto do povo de um lugar



Eu estou contribuindo na produção da peça “O canto do povo de um lugar”. A peça é dos-as alunos-as do projeto Teatrando no Profipo, que visa criar um cenário teatral de bairro. Vale a pena clicar aqui e saber como está a montagem.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Duas meninas e suas histórias


A Jaqueline de Mello é estudante de jornalismo do IELUSC e escreveu a reportagem “As Anas de Joinville”. A abordagem traz duas meninas e suas histórias, as diferenças na mesma cidade, afastadas por diferenças sentidas em cada rua de Joinville.


Dois trechos:


“A diferença entre as Anas de Joinville é mais do que social. As Anas representam os dois lados da cidade. Joinville tem 35 bairros, a maioria deles composta pelas classes B, C e D, nos quais as pessoas moram em barracos de madeira, as crianças brincam no meio das ruas ou em campos improvisados como no bairro Paranaguamirim. E as famílias dependem da boa ação da comunidade, de doações de alimentos e roupas arrecadados pelas igrejas. Alguns bairros ainda possuem valetas a céu aberto, são os casos do bairro Profipo e Paranaguamirim.”



“Uma Ana conversa com os pais diariamente, a outra Ana, só os vê no horário do almoço. Uma delas sonha em ver o pai em casa e descansado: “Ele trabalha demais com construção, chega todos os dias cansado, brinca comigo e com meu irmão, mas sei que tá cansado”. O pai de Ana é pedreiro e a mãe, costureira. A Ana que tem os pais empresários também sonha com algo parecido, essa Ana quer que os pais tirem férias e passem um pouco mais de tempo com ela. As Anas de Joinville são apenas crianças, mas têm problemas de adultos.”




quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Prates, um fascista servido no almoço



Luiz Carlos Prates, um sujeito estúpido, reacionário e preconceituoso. Nada do que sai da boca dele é possível de uma risada, só um riso curto e amargo. A ele destilo um ódio a todo seu discurso fascista servido no horário do almoço.


Eu não tenho o que dizer, por isso indico as considerações do Jornalismo B, clique aqui

Um passo e outros passos


A justiça brasileira é política, é o que vejo no caso do Cesare Battisti, o assalto a FAG e os inúmeros casos de prisões por conta do consumo de maconha e pequenos furtos. No caso de pequenos furtos e consumo de maconha somente um juiz, em Joinville, olha com o cuidado social e busca analisar o contexto, pois a lei aplicada sem avaliar o contexto é da politicagem mais canalha e mantedora das desigualdades, tanto econômica como de gênero. Pelo visto, outros  juízes estão avaliando de acordo com o contexto.



Ontem e hoje no jornal de papel “A notícia” e o jornal televisivo do “Meio Dia da RIC-Record” noticiaram o primeiro caso de adoção de uma menina por um casal de mulheres, ou seja, os direitos das lésbicas estão, paulatinamente, sendo reconhecidos, ao menos no que remete a leia. É um passo ao respeito a diversidade sexual.



Agora, é preciso transformar a nossa cultura machista e homofônica. Nesses casos culturais a dificuldade é maior, pois não é uma lei que faz a mudança, longe disso. É preciso a batalha em todos os espaços e lugares, felizmente pessoas estão se organizando com tais bandeiras, como no GEPAF e Associação Arco-Íris, que fazem outros passos rumo ao respeito a diversidade sexual.

Leitura repetida


Nos últimos tempos tenho escrito, mas nada adequado para publicar no Vivo na cidade. Nos últimos tempos não tenho visitado outras páginas virtuais para indicar por aqui. Nos últimos tempos tenho lido, mas também nada novo, voltei  a ler o que já tinha devorado, entre os tais livros está “Dias e noites de amor e de guerra” do Eduardo Galeano, li em 2001, mas por conta do comentário do Nils resolvi ler mais uma vez.


Um fragmento me pegou em cheio, ao menos é como tem sido as últimas noites:


"Afundo as mãos nos bolsos. Estico as pernas. A sonolência me dá estremecimento de prazer e de fadiga. Sinto a noite  metida na cidade. É tarde. Estou sozinho."

Eduardo Galeano


Nossa, como a palavra "última" esteve presente nessa postagem. Não foi de caso pensando, ficará assim.



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dois culpados




O Vini foi o responsável por minha entrada no teatro. Eu enchi a paciência dele até introduzi - lo ao mundo dos Blogues Então, ele é culpado de uma coisa e eu de outra.

Clique aqui e acesse o Blogue do Vini





Na foto: Eu com a máquina e o Vini ao fundo, fazendo brincadeiras no camarim do teatro do SESC de Lages. 

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Que Marvin Gaye olhe...


que Marvin Gaye olhe por nós, porque deus já ligou o foda-se

Picket lines and picket signsPiquetes e cartazes
Don't punish me with brutality Não me puna com brutalidade
Talk to me Fale comigo
So you can see Então você poderá ver
What's going on O que está acontecendo
Ya, what's going on Sim, o que está acontecendo
Tell me what's going on Diga o que está acontecendo
I'll tell you what's going on - Uh Eu direi o que está acontecendo
Right on baby Certo baby
Right on baby Certo baby




















sábado, 28 de novembro de 2009

John Reed: um jornalista e socialista.

A cidade não me paga o que eu trabalho… Eu vou dormir no parque... O guarda da cidade vem e me manda embora... Para onde eu vou? Pro inferno! Não é uma boa?

John Reed no conto “O capitalista” publicado no livro “O filho da revolução”.


Fotografia de Henri Cartier Bresson



O ato de ler os contos reunidos no livro “A Filha da Revolução” de John Reed, lançado no Brasil há nove anos, traz o encanto de perceber os conflitos humanos e as cidades na literatura, ora como cenário ora como protagonista. John Reed, a sua maneira, talvez por conta das suas experiências como o “maior jornalista das primeiras décadas do século XX”, envolveu os seres humanos e as cidades com traços ficcionais e reais, pouco importando a linha do real e do imaginário, mas fazendo dos seres humanos rotos e esfarrapados como portadores de simplicidades ou estupidez, sem idealizar os fodidos das cidades. Fazendo da literatura não objeto de defesa de tese, mas objeto de questionamentos das condições humanas dentro de um conflito de classe, é claro.



Filme baseado na vida de John Reed.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Mais uma vez....


Mais uma vez escrevo sobre a peça MARCO. A razão é que o presente final de semana é o último da temporada 2009, depois somente em 2010 em lugares como o Teatro Juarez Machado e outros espaços - os convintes estão chegando. No elogiado (hehehe) blog da montagem da peça tem comentários de pessoas que foram assistir a peça, clique aqui e leia.

27 de Novembro de 2009 – sexta-feira.

Horário: 20 horas

Entrada inteira: R$ 10,00

Meia entrada: R$ 5,00 (estudantes e pessoas com mais de 60 anos)

Local: Galpão de Teatro da AJOTE.

Cidadela Cultural Rua XV de Novembro, 1383 – América


28 de Novembro de 2009 – sábado

Horário: 20 horas

Entrada inteira: R$ 10,00

Meia entrada: R$ 5,00 (estudantes e pessoas com mais de 60 anos)

Local: Galpão de Teatro da AJOTE.

Cidadela Cultural Rua XV de Novembro, 1383 – América


29 de Novembro de 2009 - domingo

Horário: 20 horas

Entrada inteira: R$ 10,00

Meia entrada: R$ 5,00 (estudantes e pessoas com mais de 60 anos)

Local: Galpão de Teatro da AJOTE.

Cidadela Cultural Rua XV de Novembro, 1383 – América


INFORMAÇÕES COMPLETAS DA MONTAGEM E DA CIA RÚSTICO TEATRAL

rusticoteatral@gmail.com

http://marco-umacenapoetica.blogspot.com/

47 – 99413774 (Maikon)


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Como era o meu pai?

Pergunta simples para aqueles que têm um amor gigantesco do tamanho de toda pieguice necessária para descrever. Uma pergunta difícil para quem odeia a figura autoritária, facilitando a criação de uma estúpida fabula de duas páginas e pensar que é o novo Orwell. As duas opções estão aí.



Uma opção de pai:



Uma excelente figura paterna, daquelas que passava as horas com seu cargo de direção numa grande empresa de Joinville. Na verdade, não posso descrever sabiamente o trabalho do meu pai, pois ele não tinha o hábito de comentar seus problemas fabris, mesmo ocupando um cargo que denotava grandes responsabilidades. As suas noites eram em casa ou praticando seu esporte favorito, o bolão, chegando a disputar grandes competições.



A outra opção de pai:



Uma excelente figura paterna, daqueles que não tentava impor seus desejos, onde as minhas escolhas eram apoiadas, onde ele mantinha um olhar distante creditando confiança nos meus rumos. Quando os problemas estivessem evidentes, mas aos meus olhos houvesse uma neblina, logo ele corria e estendia as mãos, os braços, os ombros, os ouvidos, a boca e o coração.




Nenhumas das opções estão corretas. A minha imaginação, muito criativa para as hipóteses de como era o meu pai, está desativada, como uma máquina. Hoje, sou um homem adulto, ainda sem pai, só que agora com plena certeza de que ele está morto e enterrado, condição que impõe o fato de jamais saber como ele poderia ter sido, além do que realmente foi: ausente.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O povo da História (ou: memórias de um ex-estudante de historia)

A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou, no modo de definir toda a realização humana, uma evidente degradação do ser em ter. A fase atual, em que a vida social está totalmente tomada pelos resultados acumulados da economia, leva a um deslizamento generalizado do ter para o parecer, do qual todo “ter” efetivo deve extrair seu prestígio imediato e sua função última. Ao mesmo tempo, toda realidade individual tornou-se social, diretamente dependente da força social, moldada por ela. Só lhe é permitido aparecer naquilo que ela não é.”


Guy Debord no livro Sociedade do Espetáculo.



O povo da história não vai ao teatro. Assertiva ouvida por esses dias, não fiquei calado, já fui à defesa do povinho mais ou menos da história, questão de defesa da classe. No fundo deveria ter ficado calado, no máximo ter soltado um “será?”



A razão do meu silêncio serviria para sentenciar a verdade, não adianta esconder, o povo da história, isso incluí os-as professores-as da graduação, não desenvolveram, ou está escondido, o hábito de ir ao teatro, ao cinema, as mostras de artes, aos debates públicos, aos eventos independentes e afins. Existe uma minoria, já graduada e ainda em processo de graduação, que estão nos espaços citados, sempre os mesmos rostos.



Num parágrafo podemos citar os eventos ocorridos no Teatro do SESC, as sessões de filmes do Ciclo de Cinema, o Clube de Cinema do Ielusc, os Saraus na Estação da Memória, os eventos do DCE da UNIVILLE, os eventos do GEIPA e tantos outros. Exemplos que vão do domingo ao domingo, com entrada franca. E nada do povinho mais ou menos da história dar as caras.



Por um tempo acreditei que a razão era falta de grana, mas o argumento não é mais possível sustentar. Já que quando o evento envolve festa, cerveja, role hardcore, SxE ou Skin todos estão dentro até o pescoço. É melhor nem cair no que remete a política, pois aí o povo da história se afirma como envolvido, no mesmo caso somente uma minoria se mantém politizada e envolvida organicamente.



O X da questão é que indo aos tais os espaços não seremos seres humanos “mais avançados”(sic), mas ajudará na formação das nossas sensibilidades. Já que nada adianta viver de imagem, muitas vezes construídas por pessoas de fora do curso de história. Somos produtos da mesma história, estamos no mesmo lixo, na mesma lama da aparência e da pretensa auto-suficiência. É uma grande merda concluir o meu texto com a possibilidade de Guy Debord estar certo, já que o povo da história faz o permitido, o ato de parecer, como escreveu o elitista Debord.


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NOTA EXPLICATIVA: A utilização do fragmento de Debord é uma ironia. Simplesmente uma piada sem graça. Mais sem graça quando se faz necessário explica-la.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ontem era Sacco e Vanzetti, hoje é FAG e Battisti



Concluir a leitura do livro Sacco & Vanzetti, de Howard Fast, em pleno momento em que a Federação Anarquista Gaúcha passa por uma tremenda criminalização, Cesare Battisti é mantido preso e sua extradição poderá ser executada pelo governo brasileiro, faz se consolidar a idéia de que ainda somos (nós, os-as socialistas) uma pedra no sapato da classe dominante.


domingo, 22 de novembro de 2009

Cesare Livre: debate


Existe o discurso de que a lei é clara, basta seguir o que está escrito, a lei não se discute, se aplica, independente do contexto político, econômico, cultural e social. O fato é que todos esses discursos são essenciais para fazer política com nome de justiça. Um exemplo é a justiça brasileira manter no cárcere o preso político italiano Cesare Battisti, o exemplo ganha mais evidência quando a Justiça Brasileira e o Governo Brasileiro, sim o LULA, insistem em mantê-lo preso e enviar para Itália, onde possivelmente a morte o aguardará, já que muitos presos políticos italianos tiveram a morte no cárcere. Então a dica é assistir o debate via internet, no próximo dia 24 de novembro de 2009, 18h30, discutir o tema com amigos-as, companheiros-as de trabalho e de luta, levando o debate para os variados espaços.



Mais informações no Passa Palavra e Cesare Battisti Livre


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Em busca de si

"Em busca de si" é o nome da matéria publicada no caderno Anexo, do jornal Anotícia. Clique aqui e leia. Sobre "MARCO", a peça da CIA Rústico Teatral, já disse muito sobre a montagem por aqui e por aqui. Agora, caso queria assistir é seguir as informações do cartaz.

Quando o pai morre

Eu, sem pai a vida toda, fico pensando como sou estúpido por sentir saudades do que não vivi, de como fico preso às perguntas que jamais encontrei respostas. No fundo, nesse exato momento, desejo deixar de lado, querendo somente saber, o que se faz quando o pai morre.....

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Músicas da semana: Against Me!

Against Me! tem tocado diaramente no meu quarto, do primeiro ep ao último disco. Por isso, fiz uma seleção de vídeos. Veja, escute e tire suas conclusões.


Sink, Florida Sink


Cavalier Eternal



Problems



We Laugh At a danger... (é ao vivo, é muito foda!!!)


Stop (na Tv e piscadela safada)

domingo, 15 de novembro de 2009

Um réu confesso (ou: a necessidade de mudanças)

“E esse [café] é último sobrevivente, o último dos moicanos doscafés nos quais eu fui formado. Minha universidade foram os cafés de Montevidéu, foi aqui que aprendi a arte de narrar, a arte de contar histórias. (...)aprendi muito mais escutando. Desde muito menino aprendi que, por alguma razão, nascemos com dois ouvidos e uma única boca.”

Eduardo Galeano (1)



Eu não tinha o hábito de ouvir. Gostava de falar, de ser ouvido, jurando que convencia. O abandono da prática de falante foi ocorrendo com passos devagarinhos, ainda mantenho uns quêzinhos de falante. Viu, sou um réu confesso. Ainda bem, já que dizem ser uma importante condição de mudança.



Assumir a condição de réu em processo de mudança não impede de sentir constrangimentos das encrencas, das quantas pessoas importantes deixei de conhecer, de ouvir. Quantos inimigos de classe, seja econômica ou cultural, não ouvi boas histórias de um passado próximo, de uma rua próxima do meu bairro, de uma vida que não tive e nem pensei querer.



A necessidade de mudança de falante que jurava convencer se fez presente no primeiro ano da graduação em história. Felizmente, nos outros quatro anos de graduação universitária ocorreu o aprendizado de ouvinte, era o momento que ouvia muita merda de professores-as portadores de diferentes títulos acadêmicos. Na maioria das vezes ficava em silêncio, somente não levava o desaforo para casa quando as merdas ditas faziam referências ao anarquismo, ao tema cidade, aos direitos humanos, a história da América Latina e as posturas constituídas no CALHEV. Aí, batia o pé e ia ao enfrentamento acompanhado de outras pessoas ou solitariamente, como um peregrino num terreno que tem todos os domínios, ao menos jurava possuir.



A sala de aula não se objetivava a construção do aprender a ouvir. Estava somente desenvolvendo o aprender falar. Felizmente os corredores, o bar, o ponto do zarcão, as salas do CALHEV, do DCE, a Biblioteca, a sala de informática, os banquinhos do campus universitários existiram, por lá se aprendia, se construía a condição de ouvinte, aprendizados não registrados no meu histórico escolar institucional.



Além dos ambientes informais de formação dentro do campus universitário, os diferentes lugares das lutas sociais na cidade foram válidos e dinâmicos a formação – ainda em processo – de ouvinte. Em diferentes momentos ouvir foi dolorido, ora por ser verdade ora por serem mentiras de pessoas equivocadas, de babacas. Continuar a contar sobre os aprendizados nas lutas sociais poderá deixar no ar um pingo de falante que jura convencer. O que não desejo mais.



Um outro campo de aprendizado foi com os amigos e amigas de diferentes idades, dos socialistas radicais aos humanistas liberais. Aí sim, fui o maior protagonista dos ranços mais chatos, inconvenientes e insuportáveis de típico pretenso falante que jurava convencer. Como a relação não era só política, mas de amizade, me fazia portador do título velado de chato, inconveniente e insuportável. No final das tentativas de persuasão ainda tinha a conta paga, uma carona até em casa, uma palavra de conforto ou um delicado abraço. Afinal, eram os amigos e as amigas.



Ao campus universitário não pretendo voltar, então o aprendizado de lá está eliminado. Ainda estou nas lutas sociais e a relação de amizade a cada dia floresce mais que nunca, o que ninguém destruirá, seja uma pessoa supostamente amiga, no fundo mentirosa, seja uma Yeda Crusius e sua polícia política e menos ainda os políticos canalhas e empresários fascista da cidade. Todos os exemplos repressivos são próximos daqueles que realizam a destruição em massa dos cafés onde Eduardo Galeano aprendeu a ouvir.



O fato é que os meus espaços não serão destruídos. Pois são os lugares de encontro com as minhas mudanças pessoais, os meus encontros com a esperança, as possibilidades de transformações cotidianas, lentas, mas vivas e necessárias.


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(1) http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=revista&id=134&iditens=393