sexta-feira, 20 de março de 2009

Documentar é preciso.

A noite de ontem entrei rapidamente na internet e a minha amiga Aneleh enviou o endereço do Blog Hardcore 90: uma história oral, projeto realizado pelo Marcelo Fonseca O primeiro momento foi de encanto com a proposta de documentar e problematizar o punk-hardcore, o faça você mesmo e o surgimento de determinados aspectos comunitários no Estado de São Paulo e outras locais, entre os anos de 1989 a 2000, ainda mais sendo de alguém que fez parte de tudo e buscará desenvolver por meio de um mestrado na área da História.



Outro elemento do entusiasmo com o Hardcore 90: uma história oral é porque nos últimos tempos tenho pensando na realização de um projeto semelhante. A idéia é aproveitar os conhecimentos construídos na minha formação em história e a experiência com o punk-hardcore local e fazer um zine ou quem sabe um e-zine onde seja documentado o que levou jovens de diferentes classes sociais – entre os anos de 1990 a 2000 - organizarem shows, bandas, zines e até mesmo protestos. Sendo o cenário uma cidade como Joinville, onde o discurso oficial éda “ordem”, do “trabalho” e da “paz social”, sendo que arte e cultura somente são consideradas as promovidas pela Fundação Cultural de Joinville ou por grupos mais ou menos institucionalizados. Aí o surgimento das propostas a margem do contexto oficial cidade é um tanto que inquietante e inspirador em tempos da ousadia estando no campo da letargia.



Visitando o blog do projeto fico buscando na minha memória as cartas trocadas com algumas pessoas entrevistas, como era a recepção de determinadas bandas citadas, como era importante ler o zine Punto de Vista Positivo, sejam os textos, as entrevistas que eram além das perguntas obvias, passando pelas dezenas de resenhas de discos e zines. Lembro de como as cartas do Marcos Liberation eram documentos de uma relação comercial, onde hoje podemos perceber que desde daqueles anos o traço comercial tornaria a prática recorrente na Liberation.



Sabe, aqui em Joinville, longe oito horas de ônibus de São Paulo, mas extremamente conectado com tudo, onde se encontrava com os amigos e conversávamos horas e mais horas sobre a entrevista com o MDC ou as músicas do No Violence ou o sete polegadas do Abuso Sonoro ou de como as músicas da banda ROT eram destruidoras.



Bem, é uma idéia para um zine, não um mestrado, já que não estou com cabeça para isso no presente momento. Por encanto aproveito o Blog Hardcore 90: uma história oral.

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