quarta-feira, 4 de março de 2009

Falar, falar e falar.

“G no ar” é o nome do sétimo capitulo do livro “O Falcão Maltês”, de Dashiell Hammett. O personagem Sam Spade e Brigid O´Shaughesessy esperam uma pessoa no Hotel, enquanto isso a narração traz:

Depois sentou-se numa cadeira de braços ao lado da mesa e , sem preâmbulos, sem qualquer observação introdutória, começou a contar à moça e, fato sucedido alguns anos antes, no noroeste. Falava com a voz firme, sem ênfase ou pausas, apesar de repetir de vez em quando uma frase ligeiramente modificada, como se fosse importante relatar cada detalhe exatamente como havia sucedido. No começo Brigid O`Shaughensessy ouvia com pouca atenção, indubitavelmente mais surpreendida por ele estar contando a história do que interessada nela, mais curiosa pela sua decisão de conta-la, do que pela história em si; mas dentro em pouco, à medida que a narração continuava, foi interessando-a cada vez mais, e ela se tornou imóvel e atenta.” (Página 61)

A principio o escrito aparenta nada demais, coisas de literatura policial de "segunda categoria", que os críticos caracterizaram como portadora do título “Noir”. Enquanto lia fui absorvido pelo trecho e fiquei pensando nos meus momentos de empolgação com um acontecimento, acompanhado de uma tremenda necessidade de contar. Quando encontro alguém para assumir o papel de interlocutor passo a falar, a falar e falar, enquanto a pessoa na minha frente desliga atenção da história e somente pensa; “Nossa, como teve importância para você.” Ao terminar de contar, nos meus pensamentos, a resposta é “Sim, muita importância.”

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