terça-feira, 3 de março de 2009

O filme, o poeta, a minha memória e o bar.

O filme “Sociedade dos poetas mortos” deve compor a lista dos dez filmes mais exibido nas salas de aulas de Joinville, seja durante o ensino do português, da história, da sociologia ou filosofia. Ainda não fiquei sabendo de um professor de matemática que o tenha exibido.



Um detalhe importante é que o filme, assim como os outros, não deveria servir como tapa buraco na falta de um professor. Ao contrário, hoje (ou ontem também?), deveria conter uma relação com o tema discutido em sala, trazendo problemas para a meninada, assim construindo conhecimento. Infelizmente, a minha experiência foi à negativa, entre um filme e outro para tapar buraco assisti o “Sociedade dos Poetas Mortos”.



Eu não pretendo esmiuçar o filme, elaborar reflexões e nem vou indicar a péssima página virtual do professor Modro. Escrevo para dizer que o tiro saiu pela culatra, à aula tapa buraco com o tal filme fez marcar na minha memória o nome do poeta de Nova Iorque, Walt Whitman. Onde Whitman é declamado pelo chato Robins Willians, que interpreta o professor sumpipa.



A memória é uma coisa fantástica. Quando tinha 17 ou 18 anos li Uivo, do Allen Ginsberg, sendo Walt Whitman sua inspiração e volta e meia era citado durante a leitura, como no “Um supermercado da Califórnia”. O nome não era estranho e anos mais tarde, já com 22 anos, numa aula da faculdade o filme voltou a ser exibido e a memória teve sua confirmação.



Agora, to com On the road aberto e leio “Camarada, dou-lhe minha mão! Dou-lhe o meu amor, mais preciso que o mel, Dou-lhe eu mesmo, para além de rezas ou leis; Você se dará para mim ? Viajará comigo ? Devemos ficar um com o outro enquanto vivermos ?” fragmento escrito por Walt Whitman e ta na primeira página do livro. Deixo Keroauc citando o poeta, já que o fragmento lembrou um lugar que compartilho a camaradagem: Um bar.



Desculpe poeta e minha memória, nesse momento a minha preferência é Dashiel Hammet. Nada contra vocês e todos seus amores, esperanças e explosões humanas, mas hoje soube da possibilidade de um Bar da cidade fechar, por conta disso nada melhor de um clima de sol nauseante com o mal estar das memórias vividas no tal Bar. Enquanto o filme tem nas locadoras e os outros livros estão no meu armário, já o Bar corre o risco de ficar somente na minha memória.


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P.S Voltas e mais voltas nos pensamentos e na escrita para fazer um apelo: bar, não podemos aceitar o barulho do fechar das suas portas.

7 comentários:

Wesley disse...

vi esse filme 3X, sendo 2 vezes em sala d aula, nunca curti.
e eu sempre me perguntava: nossa, pq q eu não gosto desse filme e os meus professores dizem achar incrível?

só agora caiu a ficha!

os professores adoram "sociedade dos poetas mortos" pq veem no personagem representado por robin willians um ideal maravilhoso. tipo, o filme q representa a tribo dos professores românticos.


qto ao bar:
qual?

Maikon K disse...

A questão não é o professor ideal, mas pensar a educação além do aspecto tradicional, conservador e distante da alimentação de um pensamento mais diversificado e inclusivo.

O problema central dos filmes em salas de aulas são as abordagens, distante da realidade da meninada e sem qqr debate e problemas, aí o filme perder o sentido de ser uma ferramento no processo educativo, assim entra como um tapa buraco ou para o "um ideal maravilhoso. tipo, o filme q representa a tribo dos professores românticos." como vc disse, apesar de que professores não serem de tribo, mas sim de uma classe. ;-)
a minha visão.
abraço
maikon k
p.s: bem que o pessoal poderia debater por aqui.ehhehe

ldopaeditora disse...

"Uma vez que a transferência se estabelece, 'Carpe diem!' perde sua inocência também. Perde sua forma de conselho e começa a funcionar como um imperativo - mais precisamente: como o imperativo do superego, já que o que ele comunica é em última instância um injunção para gozar. É verdade que o verbo 'capo' significa gozo no sentido mais amplo da palavra, desde consumir frutas até expressões como 'aproveite sua juventude', mas a partir do momento em que adquire o estatuto de um imperativo do superego, essa ordem perde sua inocência (...) Nós nunca podemos ter certeza de que estamos aproveitando o suficiente, que aproveitamos todas as oportunidades que nos são oferecidas, que nós realmente 'tomamos o dia'."
Zunpancic, Alenka. "A Perfect Place to Die" In: Zizek, Slavoj. "Everything you always wanted to know about Lacan but were afraid to ask Hitchcock." p. 101

Achei interessante a discussão sobre o filme porque coincidentemente eu estava lendo esse livro organizado pelo Zizek e um dos autores comenta o filme com o Robin Williams.

Maikon K disse...

O livro do Zizek não saiu por aqui, né ?

ldopaeditora disse...

Esse ainda não. Nos últimos tempos ele tem escrito uns 2 ou 3 livros por ano, é até difícil acompanhar.

Wesley disse...

sim sim, filmes tapa buraco, tive muitos durante o meu tempo de ensino fundamental em escola pública...

cara, deixa eu te contar uma coisa mto loka;
eu sou cinéfilo desde os 13 anos, rato de locadora, mas só podia alugar filmes no final de semana, dai devolvia-os na 2ª, dai eu levava os filmes q eu alugava pra escola para devolve-los assim q saísse da escola, então, eu tinha uma professora d gramática e inglês q sempre keria saber o q é q eu tinha alugado e se tivesse um filme q ela não tivesse visto e keresse ver a gente via o filme em sala de aula sem problema nenhum!!!

tipo, a gente viu panico, eu sei o q vcs fizeram no verão passado, dentre outras porcarias hollywoodianas q eu alugava na minha pré-adolescencia, filmes totalmente fora de qqr questão de aula.. um absurdo!
dai um dia ela pediu um trabalhinho em inglês, bem escroto.

no 2° grau eu fui estudar no elias, lá tb vimos alguns filmes, até A bruxa de blair a gente viu, ms tudo dentro d contexto com os assuntos e as matérias q a gente estudava, tinha discussões, d filosofia, literatura, história, artes, bem massa. ms tb tinha seus "probleminhas" as vezes.

mudando d assunto
tribo, classe, meio....
pra q tradicionalismo terminológico num blog?

e

vc não me respondeu qual é o bar q ta pra fechar! não é o funil nem o fritz, né?!

Maikon K disse...

não questão de tradição. é de conceito mesmo.
em relação ao bar, é um boteco que vai os velhos do bom retiro, nada de estudantes universitários, o máximo é ex-estudante universitários e formados desempregados.
hehehee