sexta-feira, 24 de abril de 2009

O povo, a mentira, a verdade e a esperança

A quinta-feira estava programada na agenda que ganhei no meu último trabalho como professor. As atividades eram simples, como enviar emeios para amigos e amigas, encaminhar os projetos profissionais, passar deliciosos momentos vespertinos e ir à palestra do Vito Giannotti e nada mais.



Todas as atividades tinham uma relação direta com a esperança, seja no campo político pensando na cidade ou na esperança da vivência que venho tendo. Tudo estava ok até deixar de lado a palestra e resolver ler a indicação da mãe que adotei.



O texto era “Ganhei coragem”, de Rubens Alves, um sujeito que escreve com uma delicadeza tremenda, amparada na emoção e na esperança, aproximando pensamentos dos mais variados do pedante mundo intelectual.



A idéia central do texto é seu medo de que o povo unido jamais será vencido, por conta disso vai apontando diferentes exemplos na história humanidade, ligado ao cristianismo ou as idéias políticas como do nazismo, maoismo e tantas outras, onde ocorreram à unidade do povo, segundo Rubens Alves, ocorreram tristezas e violências contra a própria humanidade.



Deixo o texto de lado e me apego a um fragmento que chamou a minha atenção, que diz: “O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.” Os meus pensamentos ferveram e logo levaram os meus dedos digitarem de maneira ligeiras as idéias a seguir.



Mesmo que seja o povo que ainda mantém diferentes estruturas repressoras, aquele povo do sítio que olhou para a mulher e a tratou como puta por ser mãe solteira na cidade. O mesmo povo que no chão de fábrica tira onda do jovem homem gordinho e gay, aquele povo que vota no tal vereador porque estava pagando umas cervas na cancha de bocha do beco e assim vai...



Ao mesmo tempo é o povo que corre para afirmar que o filho de mãe solteira é bonito ou passa a tarde empurrando a criança no seu triciclo, enquanto a mãe trampa horrores numa malharia. É aquele povo que na greve por salários em dia e pelo recebimento do décimo terceiro estão de braços cruzados fazendo um cordão humano para o enfretamento com a polícia no portão da fábrica. É o povo que expulsa do bar o político que mais uma vez foi antes das eleições e somente fodeu com as pessoas do bairro.



Eu tenho condições de amar um povo que ainda não é uma realidade, mas uma esperança?



Sim, tenho. Já que a esperança é produto da realidade, mesmo nas aparências sejam desgastantes e rudes, mas é feita em ações, mesmo desorganizada e quando organizadas de maneira coletiva e baseada no contexto que se vive posso partilhar do “povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.” E acreditar no povo.



Sabe, o sabor da esperança fica ainda mais presente, quando se está de maneira plena com as pessoas importantes ao seu lado, que compartilham das suas idéias de povo, da sua idéia de mundo, da sua esperança, ainda com diferenças, sendo importante à verdade, como escreveu Thiago de Mello, “Fica decretado que agora vale a verdade. agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.” A verdade e a esperança estão ao meu lado. Obrigado.

5 comentários:

Filipe Ferrari disse...

Já te falei antes, mas apenas para deixar a título de registro: você conseguiu quebrar minhas críticas sobre o texto...

o Cheff disse...

Bonito, bonito mesmo.
O texto ideal para se ler em uma manhã de sexta feira, em que ao olhar o céu vem uma esperança que o sol bote a cara na rua (como o povo).
Beijos meu irmão.

www.degustandomemorias.blogspot.com

Anônimo disse...

Gostei muito!
Uma das pessoas que alimentam a minha fé/esperança no ser humano é você.... Porque o povo é feito de indivíduos.

Gisa

Camila Rosa disse...

muito bom o texto.

mk, o teu banner tá pronto, só falta eu te enviar, hehe.

Sara disse...

Que lindo, Maikon! Li isso um pouco atrasada... me deu inspiração prá continuar... beijos