domingo, 10 de maio de 2009

Reflexos de uma postagem

Na última quarta-feira fiz uma postagem sobre a propaganda contrária as mudanças no planejamento urbano no Bairro América. Antes de continuar clique aqui e leia.

Em resposta a mim, Sergio Gollnick, arquiteto e blogueiro escreveu as seguintes linhas:

Maikon

A mensagem colocada no meu blog tem algo de muito mais importante do que uma mera manifestação de bairrismo. Talvez você não tenha observado. Mudanças contínuas, ilegais e desastrosas nas leis urbanísticas estão retalhando a cidade de Joinville para atender a interesses pessoais, econômicos e clientelistas. Não se faz legislação urbana para clientes, se faz para uma sociedade. Provavelmente vc não sabe que durante 5 meses mais de 400 pessoas, represenmtando 43 entidades, discutiram todos os dias da semana na Expoville as diretrizes para Joinville. Isto se trasnformou na Lei do Plano Diretor, onde estas diretrizes estão colocadas. Para que elas sejam aplicáveis existe a necessidade de regular este plano com leis complemetares que irão terminar ou estancar esta barganha que está consumindo espaços importantes para a especulação e mais valia de terras particulares e detrimento da cidade. Quanto ao América, se voce ler melhor o mote desta campanha e seu texto perceberá que existe um erro de avaliação sua. É importante conhecer a história da cidade para entender o que esta ali subliminarmente colocado. Se vc observar o que está escrito verá que os moradores deste bairro desejam "SER", e resgatar o que estão PERDENDO. Perdendo dia a dia a qualidade de vida. Isto nada tem haver com bairrismo, com luta de classes nem como elitismo. O América até 12 anos atrás era considerado como parte do Centro da cidade porque foi nele grande parte do início da nossa colonização. Nele existem ícones arquitetônicos e históricos importantes que estão sendo desprezados ou desconsiderados. Nenhuma civilização progride se não cultuar seu passado, sua memória e seus valores. Gostaria eu que todos os bairros de Joinville tivessem o mesmo propósito, certamente teríamos outra cidade. Recentemente o Saguaçu ganhou uma luta idêntica a esta que o América defende. O Atiradores com mobilização dos moradores conseguiu afastar a construção de um cemitério vertical numa área residencial. Não se incomode com a luta do América, junte-se a ela buscando a identidade do seu bairro por aquilo que vc acha justo e legítimo. Como poderia alguém ser contra uma luta pela se deseja a Qualidade de Vida, se deseja uma Predominância Residencial (característica do bairro), se deseja a manutenção de suas Tradições (O América congrega mais de 20 clubes e entidades nominadamente históricas e tradicionais), Por desejar ser parte deste organismo vivo que é a cidade (O América é históricamente e geograficamente foi o início e o centro da nossa cidade), Por dsejar ter mais Segurança (Você se sente seguro em seu bairro?)e Por querer Respeito aos Cidadaõs (Se mudam o seu cotidiano e não lhe oferecem a oportunidade de opinar, você não se acha desrespeitado como cidadão?) Isto é um negócioa bem maior e mais importante que uma simples disputa de posições. A própósito, se esta disputa tiver o propósito de melhorar nosso cotidiano, vamos a luta!!!”



Mesmo não estando com cabeça para discussões resolvi escrever uma simples resposta:



Olá Sergio.

Fico feliz com sua resposta.

Eu leio suas postagens e acompanho os debates em torno do planejamento urbano e urbanismo, até sou um jovem leitor sobre os temas, desde junho do ano passado venho conhecendo as discussões de Mike Davis, David Harvey, Peter Hall, Janet Jacobs e outros....mas ainda tenho muito o que conhecer.

A principio a nossa discordância é a visão histórica. Não vejo que devemos cultuar o passado, acredito que é necessário problematiza-lo, buscar a reflexão. Quando ocorre o culto é possível cairmos nas coisas piegas e preconceituosas da vida cotidiana, como adoração dos “pobres colonizadores” em detrimento dos povos indígenas, os lusosbrasileiros e afins.... Hoje, se agarrar dessa maneira com o passado é passível de cairmos no que realmente é ou não é “cultura da cidade”, aí entrando em ataques a Semana da Diversidade e qualquer outra proposta que envolva direitos humanos.

Por isso, os conceitos do banner me dão certa repulsa, ainda mais considerando o histórico elitista do Bairro América, desculpa, mas não tenho como fugir do conceito de luta de classes, já que sou filho da classe trabalhadora, a minha mãe já foi discriminada por moradores do Bairro América, amigos por serem negros foram convidados a se retirarem do bairro e há duas semanas um amigo com a cabeça raspada foi convidado, por um velhote de 70 anos, para subir num apartamento e conhecer a biblioteca repleta de livros nazistas e ouvir balelas nazistas. Não escrevo com a intenção de generalizar, mas somente para colocar na balança da história outros elementos, onde aí podemos questionar o bairro como “coração” ou “mais tradicional”. Como seria esse coração e o tradicionismo do Bairro¿

Em relação ao Plano Diretor tenho conhecimento, infelizmente não estou por dentro de todas as amarras que devem acontecer, todos os planos e metas construídas na surdina, isso por empresas privadas e quem sabe por setores do poder público. Apesar de você dizer que não é uma questão de luta de classes, na minha visão o poder público buscando favorecer a especulação imobiliária em detrimento das pessoas do bairro passa ser um exemplo prático da luta de classes na cidade de Joinville.

Eu acredito, como disse Peter Hall, no livro Cidades do Amanhã, que o planejamento urbano é realizado para solucionar um problema e no futuro essa solução cria um novo problema, porém não devemos deixar de pensar, refletir e buscar mudar a cidade. Por isso, deixo claro que não questiono a luta de vocês, para fazer isso precisaria viver a realidade da comunidade. Somente questiono os argumentos contidos no banner.

Abraço
Maikon K

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