quarta-feira, 6 de maio de 2009

Uma propaganda e tantas perguntas

Volta e meia leio blogues da cidade que não estão na lista ao lado - Blogueir@s da cidade,uni vos! -, são páginas que não conheço os autores ou nem tenho aproximação de idéias.

O Urbanidades é do arquiteto Sérgio Gollnick e está na lista da segunda opção. Hoje, lendo após uns dias sem visitar encontro a seguinte imagem:

Não vou questionar a posição do blogueiro e nem a luta das pessoas do Bairro América. Porém, quem pode explicar o que é “Melhorar o Bairro mais tradicional de Joinville” ou “Ser o coração de Joinville”?

Não desejo lançar uma luta bairista, Floresta Versus América, somente fico tentando refletir em torno das frases que citei.

A condição histórica de um bairro de elite e hoje eles buscam a manutenção dessa condição?

A relação do bairro com um organismo humano, sendo o coração de grande importância faz o Bairro América mais importante que os demais? Aí, qual Bairro será um membro e qual Bairro será o excremento?

Aliás, são as condições econômicas, políticas e culturais que são medidas para determinar qual parte do corpo humano será nomeado os bairros?

8 comentários:

Filipe Ferrari disse...

Eu acho que isso tá sendo encabeçado pelo Marco...

Filipe Ferrari disse...

Se elas são básicas e importantes, não são "coisinhas", hahaha!

Abraço!

Neander disse...

Cara, tu tentou entrar em contato com o blogueiro?
Os questionamentos que você coloca aqui, são importantíssimos, mas no texto sobre os problemas do América, ele tem uma fala interessante também.
Os argumentos do texto são muito mais inteligentes do que desse folder.

sergio gollnick disse...

Maikon

A mensagem colocada no meu blog tem algo de muito mais importante do que uma mera manifestação de bairrismo. Talvez você não tenha observado. Mudanças contínuas, ilegais e desastrosas nas leis urbanísticas estão retalhando a cidade de Joinville para atender a interesses pessoais, econômicos e clientelistas. Não se faz legislação urbana para clientes, se faz para uma sociedade. Provavelmente vc não sabe que durante 5 meses mais de 400 pessoas, represenmtando 43 entidades, discutiram todos os dias da semana na Expoville as diretrizes para Joinville. Isto se trasnformou na Lei do Plano Diretor, onde estas diretrizes estão colocadas. Para que elas sejam aplicáveis existe a necessidade de regular este plano com leis complemetares que irão terminar ou estancar esta barganha que está consumindo espaços importantes para a especulação e mais valia de terras particulares e detrimento da cidade. Quanto ao América, se voce ler melhor o mote desta campanha e seu texto perceberá que existe um erro de avaliação sua. É importante conhecer a história da cidade para entender o que esta ali subliminarmente colocado. Se vc observar o que está escrito verá que os moradores deste bairro desejam "SER", e resgatar o que estão PERDENDO. Perdendo dia a dia a qualidade de vida. Isto nada tem haver com bairrismo, com luta de classes nem como elitismo. O América até 12 anos atrás era considerado como parte do Centro da cidade porque foi nele grande parte do início da nossa colonização. Nele existem ícones arquitetônicos e históricos importantes que estão sendo desprezados ou desconsiderados. Nenhuma civilização progride se não cultuar seu passado, sua memória e seus valores. Gostaria eu que todos os bairros de Joinville tivessem o mesmo propósito, certamente teríamos outra cidade. Recentemente o Saguaçu ganhou uma luta idêntica a esta que o América defende. O Atiradores com mobilização dos moradores conseguiu afastar a construção de um cemitério vertical numa área residencial. Não se incomode com a luta do América, junte-se a ela buscando a identidade do seu bairro por aquilo que vc acha justo e legítimo. Como poderia alguém ser contra uma luta pela se deseja a Qualidade de Vida, se deseja uma Predominância Residencial (característica do bairro), se deseja a manutenção de suas Tradições (O América congrega mais de 20 clubes e entidades nominadamente históricas e tradicionais), Por desejar ser parte deste organismo vivo que é a cidade (O América é históricamente e geograficamente foi o início e o centro da nossa cidade), Por dsejar ter mais Segurança (Você se sente seguro em seu bairro?)e Por querer Respeito aos Cidadaõs (Se mudam o seu cotidiano e não lhe oferecem a oportunidade de opinar, você não se acha desrespeitado como cidadão?) Isto é um negócioa bem maior e mais importante que uma simples disputa de posições. A própósito, se esta disputa tiver o propósito de melhorar nosso cotidiano, vamos a luta!!!

Jordi disse...

Tem que acompanhar o que estao querendo fazer com o America e o seu apoio é importante.
Defenda tambem o seu Bairro.

joinville vale a pena!

Maikon K disse...

Olá Sergio.

Fico feliz com sua resposta.

Eu leio suas postagens e acompanho os debates em torno do planejamento urbano e urbanismo, até sou um jovem leitor sobre os temas, desde junho do ano passado venho conhecendo alguma coisa nas discussões de Mike Davis, David Harvey, Peter Hall, Jane Jacobs e outros....mas ainda tenho muito o que conhecer.

A principio a nossa discordância é a visão histórica. Não vejo que devemos cultuar o passado, acredito que é necessário problematiza-lo, buscar a reflexão. Quando ocorre o culto é possível cairmos nas coisas piegas e preconceituosas da vida cotidiana, como adoração dos “pobres colonizadores” em detrimento dos povos indígenas, os lusosbrasileiros e afins.... Hoje, se agarrar dessa maneira com o passado é passível de cairmos no que realmente é “cultura da cidade”, aí entrando em ataques a Semana da Diversidade e qualquer outra proposta que envolva direitos humanos.

Por isso, os conceitos do banner me dão certa repulsa, ainda mais considerando o histórico elitista do Bairro América, desculpa, mas não tenho como fugir do conceito de luta de classes, já que sou filho da classe trabalhadora, a minha mãe já foi discriminada por moradores do Bairro América, amigos por serem negros foram convidados para se retirarem do bairro e há duas semanas um amigo com a cabeça raspada foi convido para subir num apartamento e conhecer a biblioteca repleta de livros nazistas e ouvir balelas nazistas, por um senhor de 70 anos. Não escrevo com a intenção de generalizar, mas somente para colocar na balança da história outros elementos, onde aí podemos questionar o bairro como “coração” ou “mais tradicional”. Como seria esse coração e o tradicionismo do Bairro¿

Em relação ao Plano Diretor tenho conhecimento, infelizmente não estou por dentro de todas as amarras que devem acontecer, todos os planos e metas construídas na surdina, isso por empresas privadas e quem sabe por setores do poder público.

Eu acredito, como disse Peter Hall, no livro Cidades do Amanhã, que o planejamento urbano é realizado para solucionar um problema e no futuro essa solução cria um novo problema, porém não devemos deixar de pensar, refletir e buscar mudar a cidade. Por isso, deixo claro que não questiono a luta de vocês, para fazer isso precisaria viver a realidade da comunidade de vocês. Somente questiono os argumentos contidos no banner.

Abraço
Maikon K

sergio gollnick disse...

Nasci no América, meu pai construiu sua casa em 1956 na rua Otto Boehm quando ela ainda era apenas um caminho não pavimentado. Não havia isto de bairro elitista e ainda penso que isto acaba por criar outra forma de discriminação já que tenho na memória o estrato social em que vivi nos meus fantásticos tempos de infância e adolescência. Pessoas simples, com habitos simples num lugar especial que tem sido descaracterizado justamente por especuladores que vendem a imagem de um bairro elitsta como marketing de venda típica da especulação imobiliária. Meu pai foi operário como a maioria dos nossos vizinhos. Outra parte deles eram ainda pequenos agricultores. Naquela época as familias ricas estavam instaladas na Av. Procópio Gomes, naqueles casarões que estão apodrecendo e que fazem desaparecer a nossa memória histórica e arquitetônica. Mesmo sendo a parte mais nobre e rica da cidade o Bucarein não consefuiu preservar a sua outrora qualidade de vida. Passei toda a minha infancia na rua Otto Boehm e não tenho qualquer problema de falar nisto, pois vivi a cidade num tempo em que andar pelas ruas e calaçadas era seguro e tranquilo. Em que brincar na rua era quase usual. Lamento que muitos não tenham hoje esta incrível experiência. Outra coisa que não consigo entender é esta reação contra pessoas que alcaçaram o sucesso pelo trabalho. Conheço muitos joinvillenses que mesmo sendo de origem simples, foram empreendedores e obtiveram sucesso, outros não. O problema é que muitas vezes o sucesso incomoda e gera a inveja. Aonde estes cidadãos que obtiveram sucesso erraram? Não erraram, acertaram e por isto não podem ser discriminados, pois apenas mostra que a discriminação tem várias facetas. Enfim, a história deve ser um parâmetro de avaliação de nossas atitudes futuras ao qual vale para muitas conjecturas. e cultura não tem nada haver com cultuar. São coisas distintas. Cultuira tem haver com identidades que nos fazem ser reconhecidos. Já cultuar é um ato de paixão ou adoração nem sempre contextualizada ou compreensível muitas vezes destituída de história ou identidades.
Vc falou dos “pobres colonizadores” e penso que a forma de abordagem tem o mesmo formato ao qual vc condena. A luta minha não é unicamente a do América, é uma luta por uma cidade melhor para todos, e eu tenho a minha história de vida que me sustenta neste objetivo. A propósito, não moro no América hoje, mas reconheço os objetivos das pessoas que procuram estabelecer seus desejos de ter melhor qualidade de vida. Não as discrimino. Quanto aos seus relatos, se aconteceram, eles são condenáveis, mas não esqueça que a discriminação não tem território é só ler os jornais.

A propósito, os antropologos e urbanistas americanos nem sabem que nós existimos e poucom conhecem a nossa realidade, leia os urbanistas e pesquisadores brasieliros dos quais lhe indico Carlos Nelson dos Santos.

Maikon K disse...

Olá Sergio.

Mais uma vez você caiu na interpretação equivocada, em nenhum momento busquei generalizar a população do América e nem desmerecer a luta da Associação de Moradores do América.

Eu tive uma experiência próxima de você. Cresci no Bairro Floresta e por ruas, calçadas, praças, bancos e todo espaço urbano... jogando bola, pedalando, apavorando os vizinhos como manda a anti regra de conduta dos moleques. Então, isso me dá uma base de entender sua tristeza, porém vivemos no mundo do trabalho e do sucesso. Hoje, as regras estão colocadas na mesa, e as mudanças por interesses de classes (poder público e especulação imobiliária versus asso. Do américa) tá fazendo gato e sapato da cidade.

Quando faço referência ao culto ao passado, tomo como referência sua frase “Nenhuma civilização progride se não cultuar seu passado, sua memória e seus valores.”

A minha expressão dos “pobres colonizadores” é baseada na historiografia oficial da cidade, aquela do “culto aos colonizadores”, como vc tão bem escreveu: “Já cultuar é um ato de paixão ou adoração nem sempre contextualizada ou compreensível muitas vezes destituída de história ou identidades.” Isso, encontro com facilidade nos escritos do Apolinário Ternes.

Sinceramente, to tentando fazer um debate político sobre o tema, envolvendo conceitos históricos e afins, mas ta difícil...ainda mais quando você cai no discurso do “Conheço muitos joinvillenses que mesmo sendo de origem simples, foram empreendedores e obtiveram sucesso, outros não. O problema é que muitas vezes o sucesso incomoda e gera a inveja.”

Em relação aos gringos que pensam o planejamento urbano prefiro não cair nesse chauvinismo, mas vou ler o pensador brasileiro...