domingo, 7 de junho de 2009

Carta aberta para a Classe média

Querida Classe Média,


Como estão os dias da fartura política, econômica, social e cultural?


A verdade proposta na carta não é vinculada com um mínimo de interesse em saber como estão os seus dias das farturas, mas por educação acabei fazendo a pergunta e agora bateu um arrependimento.


Bem, o negócio é o seguinte: há algumas semanas encontrei um disco em formato de arquivo digital, o cantor era João do Vale, o nome do disco é “O poeta do povo”, onde expressa a sonoridade e as letras dos lugares nordestinos e das cidades ocupadas pelos exilados economicamente do nordeste.


Após ouvir a vigésima vez o disco veio a minha cabeça como estou emerso por expressões artísticas e culturais de origem popular ou daquelas que mantém uma proposta de discutir as tristes realidades que estamos vivendo ou despertando esperanças nas práticas cotidianas dos diferentes cantos urbanos ou rurais.


Citei como referência João do Vale. Enquanto poderia escrever sobre John Steinbeck, Wu Ming 1, John Reed, George Orwell, Zeca Afonso, Frida Kahlo, Ken Loach, Tina Modotti e tantos outros e tantas outras que produziram artes com traços humanos das classes exploradas.


Sabe, como Howard Zinn cresci com consciência de classe. Num bairro especifico de uma cidade particular, alimentando por uma trabalhadora que veio do campo, batizado por um Padre tratado como comunista, me fodendo para ficar nos bancos universitários e ainda agüentando os trancos de uma juventude cada dia mais presa ao consumo de crack.


Por isso, querida classe média não encha o meu saco com seu preconceito de classe vestido no discurso cultura pop e tal.


Por hoje não escrevo mais nada para a classe média.


Maikon K

3 comentários:

Bruno disse...

cultura pop, coisas cult, cinefilia, música alternativa...pro caralho esses vícios pequeno-burgueses.

gostei desse post.

Filipe Ferrari disse...

E Los Hermanos?? Hahahaha!

Cara, não consegui pensar em nenhuma resposta criativa à sua piadinha, assim que vier alguma coisa, eu te digo

o Cheff disse...

Me veio na memória uma noite de uns dias atrás:
Nós escutando Martinho da Vila lá em casa, lembra?
Na empolgação acabamos saíndo para as ruas da cidade a caça de um cigarro para você.