quinta-feira, 30 de julho de 2009

Eu e os filmes (o cinemão)

Eu não sou chegado ao cinema, já que viver aqui e gostar de cinema é uma tristeza sem tamanho. Mas nas últimas semanas estou assistindo filmes feito um aficionado, entre os curtidos com devido tempo e calma estão:



Cássio Gabus Mendes apavora nas cenas.


Batismo de Sangue; é uma dose necessária de história da política e da formação da capenga democracia representativa brasileira, onde ignoramos os valores fundamentais da vida humana. O mais impressionante é a entrega do elenco e assistindo os extras se percebe o mesmo no restante da equipe. Um detalhe da riqueza dos extras são os depoimentos dos Freis sobreviventes da chacina estatal e civil chamada de “revolução de 64”. Como comenta um dos atores “é arte dentro da arte” fazendo referência à visão teológica dos Freis dominicanos e o valor artístico do filme.



Estômago; As purezas e as ingenuidades escondem expressões violentas e até mesmas tão sangrentas quanto uma bife mal passado na frigideira. Saudades de Curitiba.



Milk; Pouco sabemos sobre a luta por direitos sexuais nos EUA e daqui. Quem sabe seja uma referência inicial. Todo mundo paga pau para Gabriel Garcia Bernal, mas Diego Luna apavora no filme Milk.



Cheiro do Ralo; O ralo da ausência paterna insistiu em feder. Comentário desconexo com o filme. A segunda vez que assisto.


Tom vestido de Aliuscha


Fabricando Tom Zé; Tom Zé veio com defeito de fabricação. Graças a deus e vai pra porra!!!



Touro indomável; Continue touro e estará sozinho na cidade.



A pele; O oscar vai para os olhos de Robert D. Jr.



A nota de um escândalo; Profissional na educação deve ficar longe de estudantes menores de idade e dos profissionais com mais de trinta anos de carreira.



"Um dia fui gatinho do cinema."


O lutador; o hard rock é a trilha perfeita para os homens tristes que viveram os anos oitenta, ou seja, o mau pai sempre toma cú. Tomara!



O curioso caso de Benjamim Button; Filmes com pais ausentes e judeus sofrendo na segunda guerra mundial deveriam ser censurados, já deu pra bola esses temas.



Linha de passe; A classe média de São Paulo não gosta de moto boy e somente gosta das pessoas da periferia quando o garoto virá estrela do seu clube de futebol ou um bom ator de cinema.



Cafundó; Está decretado que o Lazaro Ramos é o ator mais foda dos últimos anos, ainda mais quando representa um papel desconhecido do povo negro brasileiro.



Volver; É Almodóvar, já não tenho mais saco para seus filmes, mas saindo o próximo vou assistir.



To verdener; nos últimos meses algum maldito roteirista dinamarquês anda investigando a minha vida.



A lista de filmes para assistir ainda resta: O evangelho segundo São Mateus, Cartola, The Spirit, Última parada 147, João do Vale muita gente desconhece e tantos outros na fila para baixar aqui e aqui.



P.S A lista de filmes é um demonstrativo como não sou um cara amante do cinema, já que meus filmes estão “bem cinemão”.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Crumb e a cidade

Crumb, Robert Crumb é uma das figuras dos Estados Unidos da América que mais atrai o meu interesse em conhecer a terra do Tio Sam. Viajar de carro, de ônibus, de avião e nada de carona como o bobão do Jack ou de cervejas com velhos como Charles. Queria ir lá e visualizar em primeira mão as cidades criadas no papel por Robert.



Estação da Ferroviária terá poesia

A cidade tem os espaços oficiais das expressões culturais e artísticas. Um deles é a Estação da Memória – eu chamo de Estação Ferroviária – é o meu preferido, na seqüência está o Museu de Arte e a Cidadela Cultural. Em primeiro lugar o meu gosto pelos três espaços nem é tanto por conta das exposições, das peças e dos eventos, mas pelo o espaço em si, a construção e o que significou em diferentes momentos na história da cidade.



Imaginar um lugar onde sonhos se projetaram e até mesmo frustrações de realizaram em corpos de pessoas das diferentes localidades como na Estação Ferroviária, pensar na casa do Museu de Arte como uma referência de moradia carregada de ostentação e pessoas mais pobres daqueles tempos passando longe e hoje sendo um espaço aberto freqüentando por burgueses amantes das artes ao usuário de droga ao militante social. O que dizer da Cidadela Cultural, antiga Cervejaria, aonde possivelmente diferentes sonhos, vindos pela Estação Ferroviária, tiveram na naquele chão a possibilidade de um futuro e nem sempre realizados, imaginar quantos corpos cansados ali se entregaram.



Hoje, possivelmente, deverá ser uma boa noite para visitar a Estação Ferroviária e participar do projeto 1ª Projeto Literomusical com o tema “Você acha que boemia rima com poesia?”, onde Noel Rosa, Cartola e outros estarão passando pelos olhares, ouvidos e vozes de poetas, poetisas, cantores e músicos da cidade.



Quem sabe os espaços oficiais de cultural e arte da cidade vão ganhando mais pluralidade e se tornarão lugares tão diversos em rostos quanto a Estação no seu tempo de funcionamento, a fábrica de cerveja ou os olhares dos desconhecidos quando a casa ainda era habitada por um burguês.


O QUÊ: 1º Sarau Literomusical.
QUANDO: hoje, às 20 horas.
ONDE: Estação da Memória, rua Leite Ribeiro s/nº, Joinville.
QUANTO: gratuito.
Leia a matéria clicando aqui.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Vereadores, lojistas, empresários, técnicos versus o direito à cidade.

O trabalhador do chão de fábrica vai da zona sul a zona norte para mais um dia de trabalho. O estudante de bicicleta atravessa a zona oeste para estudar na zona leste. A artesã corre risco dos frutos caírem na sua cabeça. A família passeia aos sábados no centro da cidade. Os adolescentes vão ao centro na sexta-feira para encontrar amigos e paqueras. Os aposentados se encontram no centro para conversar com antigos e novos companheiros de praça. Os desalojados de um futuro têm no centro uma suposta segurança para manter suas vidas. Outros têm no centro a garantia de discutir e transformar o futuro.


No mesmo momento que todos citados tem a circulação nas ruas centrais o IPPUJ apresenta as sugestões das alterações das ruas, calçadas, áreas culturais e de lazer, sendo convidados para conhecer os projetos e quem sabe para opinar são os empresários e os lojistas. Quando os esquecidos para ouvir e falar são os consumidores das lojas centrais, são os trabalhadores das empresas, ou seja, são aqueles que fazem o capital de uns crescer, justamente o capital que é a medida determinante no critério de quem participa no fazer política na cidade de Joinville.


Ao mesmo tempo a Câmara de Vereadores de Joinville estabelece um debate sobre a limitação do direito de ir e vir, o direito de circular pelas ruas centrais após as 23 horas, isso para os jovens menores de 18 anos, aqueles que estão em formação cultural, política e de vida. A intenção de coibir o contato com as drogas. Mais uma vez a superficialidade para um debate essencial para a vida na cidade ganha contornos autoritários da política local.


As duas práticas de mudanças para a vida no centro do fazer a cidade são medidas conectadas, mesmo que não seja de caso pensando, mas é uma referência à história do tempo presente de como a mentalidade conservadora e ausente de senso democrático estão unidas. O fazer a cidade persiste em ser responsabilidade de uns poucos, justamente aqueles poucos administradores da atual ordem econômica e política.


Enquanto as vidas daqueles que também fazem o centro - e de uma maneira geral a cidade - é deixada de lado, afinal trazer a população para discutir e fazer política não é interessante, já que poderão desenvolver o hábito e fomentar uma educação política mais coesa e influente em diferentes setores ausentes do presente processo político do fazer a cidade.


Lembrando David Harvey que diz “O direito à cidade (...) não é apenas um direito condicional de acesso àquilo que já existe, mas sim um direito ativo de fazer a cidade diferente, de formá-la mais de acordo com nossas necessidades coletivas (...) Se o nosso mundo urbano foi imaginado e feito, então ele pode ser re-imaginado e refeito.


Tomando a medida apontada por Harvey, que a “Joinville de toda sua gente” venha abrir um espaço real para os debates e considerar como toda sua gente os trabalhadores que vão e voltam os estudantes, os artesãos, a juventude e na mesma medida convidado os movimentos sociais e as organizações populares. As pessoas da cidade.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

De fato uma minoria absoluta

No meu quarto tem dois livros publicados pela Antígona, editora portuguesa, ainda pouco lendo a página Passa Palavra encontro:


Saramago nunca mijou fora do penico, nunca fez uma crítica que ultrapassasse o stalinismo. Ele é o produto de uma sociedade que preza o quantitativo, procedeu a uma construção espectacular para promover uma técnica de escrita, mas o que há por detrás disso? Saramago representa tudo, mas tudo, o que a Antígona critica; ele representa todas as banalidades do mundo.”


É um trecho da entrevista de Luís Oliveira, autor do comentário em itálico e o homem por trás da Editora Antígona. No mundo dos apaixonados por Saramago, de fato Luís Oliveira faz da Antígona uma editora da minoria absoluta.

sábado, 25 de julho de 2009

Morre Baltasar Buschle

Na sexta-feira morreu Baltasar Buschle (90anos), a razão da morte foi natural. O senhor de 90 anos foi prefeito da cidade e empresário de uma empresa Buschle & Lepper que está na casa dos 70 anos de existência.

As associações empresariais, governador do Estado, prefeito e até mesmo participantes da comunidade “Política em Joinville” já passaram a fazer homenagens e mais homenagens.

O que fica martelando na minha cabeça é se todo esse povo que fez (e fará) homenagens tem idéia da história do falecido ou somente estão reproduzindo as histórias orais reproduzidas de geração a geração.Além do mais, Baltasar Buschle foi prefeito durante os anos de 1958 e 1961, momento delicado na história da política e da economia brasileira, onde se vivia um forte discurso modernizador e a relação das políticas e visões empresariais se entrelaçaram e de uma maneira ou outra contribuiu de maneira negativa ou positiva para a sociedade que hoje vivemos.

O que você me diz ?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ei, escreva um blogue !

O blogueiro Neander fez uma postagem sobre o hábito da escrita e da manutenção do blogue. Acredito que vale a pena clicar na palavra aqui e ler o que pensa o legitimo “Príncipe pescador de café”.



A questão é que a consideração do blogueiro Neander me levou a pensar nas pessoas da cidade que gostaria de ler com freqüência no mundo dos blogues.



O ex-estudante Ricardo W. tem dois blogues (aqui e aqui), mas não atualiza com freqüência, o que é uma pena, pois tem boas tiradas sobre a realidade da cidade, como dei risadas lendo a postagem sobre as leis discutidas na Câmara de Vereadores. A outra pessoa é minha amiga Débora, que tinha e abandonou de vez. Uma vez, a Débora, escreveu sobre a experiência de pisar no estádio de futebol para assistir uma partida de futebol e se descobrir torcedora do tricolor. No mesmo momento do jogo aposto que se encontrou mais apaixonada pelo hoje marido. Marido mesmo, de papel passado e tudo.



Agora, quem gostaria mesmo de escrever uma entusiasmada mensagem eletrônica era para a Raquel S.Thiago, professora da Univille, coordenadora do Laboratório de história oral e do memorial da Univille e também escritora. O título da mensagem seria “Ei, escrava um blogue!”, a razão é que há anos não saí da minha cabeça a crônica que escreveu para o Jornal A notícia e mandou o recado ao Luis Henrique da Silveira onde dizia que existia a liberdade para o esperneio.



Era isso. Já que a lista é grande e não pretendo ficar puxando o saco de mais ninguém por aqui. Então, faça o favor: escreva um blogue!!!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

"Camarada", vamos a leitura.

A palavra anarquismo volta e meia é publicada no Vivo na cidade. Enquanto boa parte dos pensamentos e reflexões que circulam por aqui são frutos das leituras e práticas relacionadas ao anarquismo, mantendo uma perspectiva de luta de classes e organização.



O que acontece é o desconhecimento do anarquismo voltado as lutas sociais e organização, ainda predomina a visão de Lênin e Engles, ao menos é o que percebo quando militantes da Esquerda Marxista criticam o anarquismo ou blogueiros da cidade, ligados a organização citada, comentam a respeito ao tema.



Levando em consideração o contexto faço a indicação da leitura dos livros da Biblioteca Virtual da Editora Faísca, aí todos aqueles que gostam tanto de falar “Meu camarada” poderão conhecer a história do anarquismo e a maneira de organização nos dias de hoje. Ainda, caso tenham boa vontade ou inteligência poderão deixar de lado relações do anarquismo ao terrorismo, já que a tal argumentação não cabe nos dias de hoje, somente se as referências forem a revista Super Interessante.



Clique aqui e conheça a biblioteca.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

"Malditos Ianques!!!"

A “esquerdalha” é fragmentada. Do discípulo do Stalin ou devoto do Trotsky passando pelo socialista ou comunista autoritário e inclusive os anarquistas. Os pontos de unidades são dispersos e quando conectados logo são rompidos.


O ponto de unidade entre toda a “esquerdalha” é discreto, ao menos pouco comentado, somente em caso explícitos daquelas campanhas datadas como “Fora imperialismo ianque!”. A ignorância total frente à História dos Estados Unidos da América, ainda mais quando se tratam das experiências históricas de relevância as pessoas ao invés do dinheiro.


Lembramos de Noan Chomsky mas não citamos Howard Zinn. Bob Dylan é a referência em música de protesto, mas nada é citado sobre Jello Biafra ou até mesmo Joan Baez. Temos em mente Ginsberg, enquanto Steinbeck, Hemingway que lutaram na Guerra Civil Espanhola são esquecidos. E os Wooblies, o Chefe Seattle e tantas outras referências, onde a minha memória somente privilegiou os mais conhecidos?


O desabafo ficou martelando agorinha mesmo, enquanto pensava na quantidade de pessoas dos EUA foram lutar contra o fascismo do Generalíssimo Franco na Guerra Civil Espanhola (1936-39), que o mês de Julho marca setenta e três do seu começo. Inclusive, momento marcante de exemplo da fragmentação da “esquerdalha”.


Debate no Orkut

Na comunidade do orkut “Política em Joinville” está acontecendo uma tentativa de debate sobres os novos planos do IPPUJ para o centro da cidade de Joinville. Clique aqui para ficar por dentro e participe.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Univille derruba sala do Centro Acadêmico Livre de História “Eunaldo Verdi”

O presente texto é escrito no calor das notícias e na falta de informação sobre o tal fato encaminhado pela Univille e o Departamento de História.

E a cada passo que se dá em busca do pote de ouro, parece que o arco-íris mais se afasta. É esse o sentimento que paira quando um ato de extrema falta de respeito à história e a democracia acontece na busca por uma excelência baseada em números e tabelas.

No ano de 2007 o Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi – CALHEV – completou 20 anos de história em um evento que, no mínimo, fez acreditar em um respeito da direção da UNIVILLE pelo movimento estudantil da instituição quando, do alto de sua saleta que parece fazer parte de outra realidade dimensional, o magnífico reitor apareceu para prestigiar as comemorações. Infelizmente foi apenas um jogo de aparências.

Após esse fato presenciamos mais uma vez a falta de diálogo com os estudantes no aumento da mensalidade de 2007 e 2008, a extrema ausência de transparência no processo de mudança de grade curricular das licenciaturas (lembrando que o curso de história teve de forçar a sua entrada nas discussões) e, por último, a rasteira final e a facada nas costas dos homens de terno e das mulheres de tailleur (ou vice-versa): a tomada da sala de reuniões do CALHEV. Sem aviso, sem conversas e sem nenhuma desculpa, tomaram um espaço conquistado pelos discentes, usado há anos para a luta em prol de uma melhoria na qualidade da educação.

O processo é completamente inverso do que encontramos no sorriso dos deuses do universo univilesco! A fala reinante é de democracia, diálogo, crescimento mútuo e outros elementos que, no fim, não passam de chicotadas e pressões que os alunos são obrigados a acatar. Isso é absurdo! Uma universidade deve ser um espaço de vivência e diálogo, situações essas que estão muito além da sala de aula e, que tem no movimento estudantil a grande possibilidade de existência. Infelizmente esse crescimento não é passível de conversão em pontos e porcentagens, não entrando assim nas contas das pró-reitorias.

A restituição da sala do CALHEV deve ser imediata, tal qual a criação de um espaço de convivência e de novas salas para os outros centros e diretórios acadêmicos da universidade. E isso tudo em um local viável, não escondido nos cantos escuros recém adquiridos.

Por fim, é importante o registro que nos disponibilizamos, mesmo não estando mais diretamente ligados ao movimento estudantil da instituição, a trabalhar junto ao CALHEV no intuito de resgatar e preservar a memória do movimento estudantil de história da UNIVILLE com todos os seus anos de envolvimento e o alargamento na visão do fazer política.

Filipe Ferrari – Ex-Presidente gestão Tempos inconvenientes (2005/2006)

Maikon Jean Duarte – Ex-Presidente gestão 30 de Agosto (2006/2007)

Douglas Neander Sambati – Ex-Presidente gestão Unimultiplicidade (2007/2008)

Felipe Rodrigues – Ex-Presidente gestão 05 de maio (2008/2009)

Bruce toca Clash



Bruce Springsteen fez parte da minha infância e adolescência. Eu achava o máximo ele cantando “Born in the U.S.A” (clque aqui e leia a tradução) ou quando ouvi “Streets Of Philadelphia”(clique aqui e leia a tradução) fiquei de cara. Boa parte das letras não entendida, até encontrar uma antiga revista Bizz, aquelas edições especiais com letras traduzidas. Conforme fui crescendo e conhecendo a carreira do Bruce Springsteen encontrei diferentes referências as posturas mais sensíveis frente aos seres humanos, levando a tradição da música, a política e a literatura.





Agora, para alimentar mais o meu carinho por ele encontro o vídeo de Bruce Springsteen tocando “London Calling” dos ingleses do The Clash, uma peça fundamental da música do mundo das décadas de 1960 e 1970.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Justificando o injustificável ou justificando o que não precisa justificar.

Faz uma semana que assinei o Jornal A notícia, receberei a edição de papel enfianda num saco plástico de segunda a segunda. Detalhe importante por quatro dias os entregadores do jornail deixaram de entregar na garagem da casa de minha mãe. Alegação era que não encontravam a minha casa. Acredito que seja um fato verdadeiro, já que vivo na região de fronteira entre o Bairro Floresta e Petrópolis, uma verdadeira região de aduanda perdida.


O meu ato de assinar o jornal A notícia foi questionado por amigos e amigas. Os dedos foram apontados sem ao menos expressarem um simples “Por que?”. Boa parte dos-as questionadores-as não respondi, fiz um o comentário zuadobicho, to ficando velho. Aí, nada melhor do que assinar o jornal”.


Eu tenho razões para assinar um dos veículos do perverso Grupo RBS, que domina o mercado jornaleiro nos dois Estados mais ao sul do Brasil, que por uma boa parte das pessoas com visão crítica fazem ataques com boas argumentações. Por exemplo, veja a interessante Campanha Zero Fora no Rio Grande do Sul.


Bem, preciso registrar as minhas razões para despachar as pressões dos amigos e também para sair da minha cabeça a pergunta “Como fiz a m*rda de assinar o AN?”


Vamos aos fatos.


Era uma segunda ou terça-feira, assistia filme com Esperanza ou dormia após o almoço. O telefone da casa da minha mãe tocou e o marido da mãe me chamou, era para mim, já que uma mulher chamada Débora gostaria de falar comigo. Pensei que era a Débi, uma grande amiga, mas não era. O motivo da desconhecida Débora era vender uma assinatura do Jornal A notícia pelo valor mais ou menos de R$ 30,00 por mês. Sem pensar muito assinei.


Ao desligar o telefone Esperanza comentou “Me diz por que assinar o jornal se você lê na internet?” Eu fiz corpo mole, não respondi. Simplesmente disse para voltarmos assistir o filme ou voltar ao sono. Enquanto a razão de asinar a versão de papel diminui o meu tempo na frente do computador e ao mesmo tempo a minha mãe e o marido da mãe poderão ler o jornal, na mesma medida o meu avô e a minha avó como minha tia, o meu novo tio Rodrigo e meus outros dois tios. Fique calmo-a leitor ou leitora, toda essa rapaziada não mora na mesma casa, mas são moradores do mesmo Bairro.


O segundo questionamento foi de um amigo jornalista. O cara escreveu via msn, “Assinou o AN ? É um jornal pelego, que tem compromissos com a superficialidade e ainda ligado a RBS....” e assim foi toda argumentação do meu amigo. Em 90% concordo com ele.


A resposta para ele também foi evasiva. Então, escrever as razões para ele é ao mesmo tempo aprofundar as respostas para Esperanza, para a minha cabeça e para quem mais resolver questionar o meu consumo de informação.


Já me falaram que sou típico “esquerdalha”, só não uso uma camiseta do Che e nem faço campanha em defesa de Cuba – ufa, um pingo de bom senso -, por isso resolvi romper com o meu hábito de ser um típico “esquerdalha” e assinei o AN. Gente, esse parágrafo é uma piada sem graça.


Na casa da minha avó e meu avô durante anos era entregue o Jornal A notícia, onde desde criança gostava de ler as tirinhas, ria com o “Cão Tarado”, acompanhava os lamentáveis jogos do Jec durante a década de 1990, lia o caderno Anexo e quase nunca ia aos eventos, já que não tinha dinheiro e ninguém para me acompanhar, às vezes conversávamos entre família assuntos do jornal. E no dia de domingo sempre era um “estresses” familiar para saber com quem estava tal parte do jornal. Naqueles tempos, 1980 e 1990, a casa da minha avó e do meu avô era residência de pelo menos 6 pessoas e de quebra todo dia tinha um neto perdido almoçando por lá ou um filho visitando. O resultado era um fluxo gigante de pessoas em busca de alguma parte do jornal e variadas memórias familiares.


Quando a grana ficou curta a minha família deixou de assinar o jornal. Mas eu continuei indo, todos os dias, até a oficina mecânica onde meu tio mais novo trabalhava – ele ainda trampa lá- para ler o jornal. Por lá, os papos sobre o que saia no jornal era mais intenso e engraçado, já que se comentava de maneira “piadistica” de alguns paspalhos que estavam na Coluna do João Carlos Vieira ou se falava muito mal do zagueiro Fonseca do “incrível” time do Jec daqueles anos noventa ou ainda se comentava do salário do lateral direito Jairo Santos.


Além da razão apoiada na questão da memória daqueles tempos de criança e adolescente, tenho outras razões.


O meu primeiro interesse, ainda criança, era com o caderno cultural “Anexo”, mesmo hoje sabendo que o jornalismo cultural brasileiro é cheio de problemas, mantenho o meu interesse com o “Anexo”, já que existe uma diversidade de temas tratados, buscando uma cobertura do que se passa por aqui e também em outras regiões. Enquanto no jornal “Notícias do Dia” é extremamente local, , já a “Gazeta de Joinville” simplesmente ignora os diferentes seguimentos culturais e artísticos da cidade, quando aborda são os eventos já institucionalizados.


Nas outras coberturas jornalísticas o Jornal A notícia deixa a desejar como no aspecto do que se passa em outras cidades do país e do mundo, é muita reprodução das Agências Nacionais ou Internacionais de Notícias, o que é um saco, ainda mais nesses tempos das mídias on-line, em que posso ler da fonte primária.


A cobertura de política local são as páginas que circulam as opiniões discutidas com mais entusiasmos na cidade, basta perceber como o jornal está nas mãos dos homens de direita em bares como Jerke, Zeppelin e tantos outros espaços para os reacionários oficiais de Joinvas. Aliás, onde a “esquerdalha” insiste freqüentar.


O jornal que assinei é antigo. Está na casa dos oitenta e seis anos, assim tem uma ligação com a história da cidade de maneira tremenda, como sou formado em história isso torna importante acompanhar as mudanças do jornal, ainda mais quando tenho interesse em “História do tempo presente”, onde busco manter o foco nas discussões sobre a ditadura militar na cidade, planejamento urbano nas décadas de 1960 e 1970 e assim, quem sabe, buscando perceber as permanências do que o jornal falava naqueles tempos sombrios e o que fala hoje e também as opiniões dos-as seus-as leitores-as de hoje.


Então, as minhas necessidades que sustentam as razões são políticas, profissionais e acima de tudo são de memórias de tempos cercados por familiares, em momentos que a certeza de um trabalho não era a preocupação latente e a definição do que fazer em caso em incêndio não ocupava todos os segundos a residência. Eu quero ler que parte da cidade diz e que parte da minha memória ainda tem para lembrar.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Duas curiosidades

Resolvi fuçar os arquivos dos primeiros meses do Vivo na cidade. A postagem que me chamou atenção foi “Tô apaixonado por uma morena comunista” cujo tema é uma resenha do livro “Tina Modotti: uma mulher do século XX”. O curioso é que estou apaixonado por uma morena libertária da cidade. A outra curiosidade é um comentário de autoria do autor do livro citado:


Ángel de la Calle

Gracias por tus palabras acerca de mi libro sobre Tina Modotti. Yo tambien soy anarquista, y ya ves, me he pasado años pensano en una estalinista.
Los quadrinhos son un lenguaje narrativo tan bueno como cualquier otro para hablar de personas e historias.

Salud
Angel de la Calle



Será que o autor espanhol, Angel de la Calle, de fato comentou no vivo na cidade?

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O futuro

Eu escrevo e publico por aqui com a intenção de melhorar a minha escrita. O que de fato não está acontecendo. Aí busquei uma segunda razão para continuar publicando, que seria um espaço para o debate. Infelizmente não acontece debate nos comentários. É melhor deixar de publicar e passar um tempo me dedicando para outras coisas.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O centro de uns poucos

O nome adotado pelo projeto do IPPUJ para traçar novos ares para as ruas, as praças, as calçadas de todo o centro de Joinville pouco importa. Afinal, a revitalização ou requalificação já ganhou contorno da retirada daqueles que “sujam” a pretensa “sala de visitas da cidade”, ao menos é o que se percebe quando se fala dos consumidores de drogas na Rua das Palmeiras e agora em referência aos vendedores ambulantes.


A CDL, segundo o colunista Jeferson Saavedra (08 de Julho de 2009), criticou o aumento dos ambulantes na cidade, “Eram 36 pontos no governo Tebaldi e agora são 61.” O que já levou a entidade dos lojistas cobrarem explicações do prefeito Carlito Mers, Enquanto, o próprio jornal A notícia, na sua Campanha “Crack, Nem Pensar”, no dia 24 de Junho de 2009 a capa traziam flagrantes do consumo da droga na Rua das Palmeiras, levou técnicos do IPPUJ tratarem o problema do consumo da droga no centro da cidade como caso de polícia e até mesmo como da necessidade da “limpeza” da “sala de visita da cidade”.


O peculiar nas discussões sobre o planejamento urbano do centro da cidade é que as reclamações começarem a se tornarem pública após reportagens do Jornal A notícia serem públicas. A mídia local acabou exercendo o papel mobilizador dos setores conservadores no ato de pensar o centro da cidade.


Enquanto isso a idéia de “limpeza” do centro passa longe de ser pensanda como uma saída para problemas da juventude e o aumento do consumo de drogas, onde cada dia fica mais evidente a ausência de infra-estrutura da cidade nos bairros, em elementos mais básicos para uma vida com um mínimo de dignidade, seja no lazer, educação, trabalho, saúde, cultura e arte. Os vendedores ambulantes estão buscando criar uma condição de trabalho e sobrevivência em um contexto de cidade que não os ofereça vagas no mercado de trabalho. Porém, parte da classe que manda no centro está ligada a CDL, o que faz os ambulantes serem entendidos como danosos para o centro da cidade.


Após a circulação na mídia local de reportagens sobre o centro da cidade, o início da pressão dos setores organizados, o IPPUJ traz uma fraca tinta democrática para as discussões, onde o Instituo Joinville foi chamado para o debate.


A tinta democrática é fraca quando se percebe que a opinião do presidente da entidade, Ivandro de Souza diz:


“...sabe-se que o Centro é, de fato, o coração de uma cidade. Acredito que seja mais do que isso até: o Centro é o cartão de visita de uma cidade. É como se fosse a sala da nossa casa. A casa pode parecer bonita e atraente por fora, mas, se ao entrar, a sala estiver bagunçada ou mal conservada, a impressão é de falta de capricho ou cuidado.Leia aqui


O discurso do centro como o coração, o cartão de visita, a sala da “nossa casa” é próximo das outras visões já identificadas no presente artigo, assim correndo o risco mais uma vez a cidade, como um lugar real da democracia, seja levada para a sustentação de uma cidade de poucos, uns poucos que tem dinheiro, uns poucos que tem poder político e acabam fazendo a cidade como querem, assim inexistindo a prática democrática.


Quem sabe a tinta democrática poderá receber mais uma mão com os técnicos do IPPUJ se aproximando das diferentes entidades, até mesmo aquelas populares, como as Associações de Moradores, movimentos sociais, professores e professoras que discutem o tema das universidades da cidade e dos institutos de ensino superior, para formularem questionamentos e levantar dados em uma pesquisa de campo de quem freqüenta o centro da cidade, assim potencializando um olhar mais profundo da realidade citadina e, paulatinamente, tratando o centro da cidade como de todos.


Mesmo ocorrendo uma abertura dos diferentes setores para o debate e encaminhamento a desigualdade se manterá. Ainda mais que as instituições de concentração dos poderes políticos e das riquezas se sustentem com vigor.


A organização daqueles e daquelas expulsos pela ordem do capital, seja por meio do desemprego ou pela falta de perspectivas de futuro na cidade, levando ao consumo das drogas, torna-se fundamental, assim discutindo a cidade e transformando-a em todos os seus lugares, fazendo a política, logo fazendo a cidade e fazendo a nós mesmos.