quarta-feira, 15 de julho de 2009

O centro de uns poucos

O nome adotado pelo projeto do IPPUJ para traçar novos ares para as ruas, as praças, as calçadas de todo o centro de Joinville pouco importa. Afinal, a revitalização ou requalificação já ganhou contorno da retirada daqueles que “sujam” a pretensa “sala de visitas da cidade”, ao menos é o que se percebe quando se fala dos consumidores de drogas na Rua das Palmeiras e agora em referência aos vendedores ambulantes.


A CDL, segundo o colunista Jeferson Saavedra (08 de Julho de 2009), criticou o aumento dos ambulantes na cidade, “Eram 36 pontos no governo Tebaldi e agora são 61.” O que já levou a entidade dos lojistas cobrarem explicações do prefeito Carlito Mers, Enquanto, o próprio jornal A notícia, na sua Campanha “Crack, Nem Pensar”, no dia 24 de Junho de 2009 a capa traziam flagrantes do consumo da droga na Rua das Palmeiras, levou técnicos do IPPUJ tratarem o problema do consumo da droga no centro da cidade como caso de polícia e até mesmo como da necessidade da “limpeza” da “sala de visita da cidade”.


O peculiar nas discussões sobre o planejamento urbano do centro da cidade é que as reclamações começarem a se tornarem pública após reportagens do Jornal A notícia serem públicas. A mídia local acabou exercendo o papel mobilizador dos setores conservadores no ato de pensar o centro da cidade.


Enquanto isso a idéia de “limpeza” do centro passa longe de ser pensanda como uma saída para problemas da juventude e o aumento do consumo de drogas, onde cada dia fica mais evidente a ausência de infra-estrutura da cidade nos bairros, em elementos mais básicos para uma vida com um mínimo de dignidade, seja no lazer, educação, trabalho, saúde, cultura e arte. Os vendedores ambulantes estão buscando criar uma condição de trabalho e sobrevivência em um contexto de cidade que não os ofereça vagas no mercado de trabalho. Porém, parte da classe que manda no centro está ligada a CDL, o que faz os ambulantes serem entendidos como danosos para o centro da cidade.


Após a circulação na mídia local de reportagens sobre o centro da cidade, o início da pressão dos setores organizados, o IPPUJ traz uma fraca tinta democrática para as discussões, onde o Instituo Joinville foi chamado para o debate.


A tinta democrática é fraca quando se percebe que a opinião do presidente da entidade, Ivandro de Souza diz:


“...sabe-se que o Centro é, de fato, o coração de uma cidade. Acredito que seja mais do que isso até: o Centro é o cartão de visita de uma cidade. É como se fosse a sala da nossa casa. A casa pode parecer bonita e atraente por fora, mas, se ao entrar, a sala estiver bagunçada ou mal conservada, a impressão é de falta de capricho ou cuidado.Leia aqui


O discurso do centro como o coração, o cartão de visita, a sala da “nossa casa” é próximo das outras visões já identificadas no presente artigo, assim correndo o risco mais uma vez a cidade, como um lugar real da democracia, seja levada para a sustentação de uma cidade de poucos, uns poucos que tem dinheiro, uns poucos que tem poder político e acabam fazendo a cidade como querem, assim inexistindo a prática democrática.


Quem sabe a tinta democrática poderá receber mais uma mão com os técnicos do IPPUJ se aproximando das diferentes entidades, até mesmo aquelas populares, como as Associações de Moradores, movimentos sociais, professores e professoras que discutem o tema das universidades da cidade e dos institutos de ensino superior, para formularem questionamentos e levantar dados em uma pesquisa de campo de quem freqüenta o centro da cidade, assim potencializando um olhar mais profundo da realidade citadina e, paulatinamente, tratando o centro da cidade como de todos.


Mesmo ocorrendo uma abertura dos diferentes setores para o debate e encaminhamento a desigualdade se manterá. Ainda mais que as instituições de concentração dos poderes políticos e das riquezas se sustentem com vigor.


A organização daqueles e daquelas expulsos pela ordem do capital, seja por meio do desemprego ou pela falta de perspectivas de futuro na cidade, levando ao consumo das drogas, torna-se fundamental, assim discutindo a cidade e transformando-a em todos os seus lugares, fazendo a política, logo fazendo a cidade e fazendo a nós mesmos.


Um comentário:

JC disse...

Quantas reformas e revitalizações o centro já sofreu nos últimos 25 anos?
Nem precisa contar uma a cada 4 anos.
Só um faz de conta, perto das eleições, para enganar bobo.
Porque será que depois de tantas revitalizações o centro continua precisando de mais uma?
Será que é preciso responder?