terça-feira, 28 de julho de 2009

Vereadores, lojistas, empresários, técnicos versus o direito à cidade.

O trabalhador do chão de fábrica vai da zona sul a zona norte para mais um dia de trabalho. O estudante de bicicleta atravessa a zona oeste para estudar na zona leste. A artesã corre risco dos frutos caírem na sua cabeça. A família passeia aos sábados no centro da cidade. Os adolescentes vão ao centro na sexta-feira para encontrar amigos e paqueras. Os aposentados se encontram no centro para conversar com antigos e novos companheiros de praça. Os desalojados de um futuro têm no centro uma suposta segurança para manter suas vidas. Outros têm no centro a garantia de discutir e transformar o futuro.


No mesmo momento que todos citados tem a circulação nas ruas centrais o IPPUJ apresenta as sugestões das alterações das ruas, calçadas, áreas culturais e de lazer, sendo convidados para conhecer os projetos e quem sabe para opinar são os empresários e os lojistas. Quando os esquecidos para ouvir e falar são os consumidores das lojas centrais, são os trabalhadores das empresas, ou seja, são aqueles que fazem o capital de uns crescer, justamente o capital que é a medida determinante no critério de quem participa no fazer política na cidade de Joinville.


Ao mesmo tempo a Câmara de Vereadores de Joinville estabelece um debate sobre a limitação do direito de ir e vir, o direito de circular pelas ruas centrais após as 23 horas, isso para os jovens menores de 18 anos, aqueles que estão em formação cultural, política e de vida. A intenção de coibir o contato com as drogas. Mais uma vez a superficialidade para um debate essencial para a vida na cidade ganha contornos autoritários da política local.


As duas práticas de mudanças para a vida no centro do fazer a cidade são medidas conectadas, mesmo que não seja de caso pensando, mas é uma referência à história do tempo presente de como a mentalidade conservadora e ausente de senso democrático estão unidas. O fazer a cidade persiste em ser responsabilidade de uns poucos, justamente aqueles poucos administradores da atual ordem econômica e política.


Enquanto as vidas daqueles que também fazem o centro - e de uma maneira geral a cidade - é deixada de lado, afinal trazer a população para discutir e fazer política não é interessante, já que poderão desenvolver o hábito e fomentar uma educação política mais coesa e influente em diferentes setores ausentes do presente processo político do fazer a cidade.


Lembrando David Harvey que diz “O direito à cidade (...) não é apenas um direito condicional de acesso àquilo que já existe, mas sim um direito ativo de fazer a cidade diferente, de formá-la mais de acordo com nossas necessidades coletivas (...) Se o nosso mundo urbano foi imaginado e feito, então ele pode ser re-imaginado e refeito.


Tomando a medida apontada por Harvey, que a “Joinville de toda sua gente” venha abrir um espaço real para os debates e considerar como toda sua gente os trabalhadores que vão e voltam os estudantes, os artesãos, a juventude e na mesma medida convidado os movimentos sociais e as organizações populares. As pessoas da cidade.

5 comentários:

Território Nenhum disse...

Olha Maikon,
tenho dificuldades em ficar do lado de leis que cerceiam a liberdade das pessoas por considera-lá um direito fundamental e inalienável. Eu particularmente comecei sair após os 19 e tenho sérias dúvidas se o melhor para jovens nesta idade não seria ficar em casa mesmo após esse horário. Falo por ter trabalhado com alunos de ensino médio que estão nessa fase de idade e em grau de maturidade semelhantes, por mais conservador que isso possa soar.

abraço

Anônimo disse...

Entendo a sua preocupação. na semana passada saiu no A notícia um artigo do pedro paulo - militante do cdh de joinvas- que abordava a questão da limitação das liberdades dos jovens. Segundo pedro a responsabilidade é dos pais ou responsaveis, ao menos ele citou a ECA para sustentar o argumento.

O problema é que a medida é o velho chavão de tampar o sol com a peneira, já que exemplos existem que as medidas são paliativas e nada produzem para evitar o problema do consumo de crack. A minha leitura é que a medida adotada serve para agradar aqueles do centro que dominam a economia da cidade e assim "aquecer" o turismo , pq o crack passou ser problema quando o consumo "ganhou visibilidade", ou seja, passou a ser consumido e comercializado nas ruas centrais... o que poderia levar o entendimento de existir uma "cracklandia", enquanto a cidade como um todo é uma "CrackVille", já que o consumo e venda está no América, Floresta, Jardim Paraíso, Morro do Meio, Bucarein, Aventureiro e assim....

Sabe, não limito a minha discussão frente a questão de proibir a circulação de menores de 18 anos, o meu ponto é o fazer a cidade, o fazer política na lógica de quem todos tem o direito e o que o poder público (IPPUJ), CDL e Câmara estão limitando debate para os setores que eles tem representações e forças.

abraço
maikon k.
www.vivonacidade.blogspot.com

Território Nenhum disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Território Nenhum disse...

Concordo que a questão não deva ser levada como a solução para o problema do consumo do crack e nem como medida higienista para agradar a classe dominante joinvillense. Neste sentido estamos de acordo. Só quero ser um pouco contra pra provocar o debate!!! hehhehehehe

Anônimo disse...

Por que nao:)