segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Graduado em História: Desempregado

Na última semana fui convidado para fazer a minha primeira entrevista oral como entrevistado. Nada que sinta orgulho. Não culpo o Douglas Poff e o Felipe Rodrigues pela minha falta de orgulho. É melhor explicar o enredo.


Os dois estudantes do último ano de história, Douglas e Felipe, estão fazendo parte de um projeto que visa trabalhar a crise de 1929 e 2009 vista pela temática do desemprego. Por isso vieram até mim, já que estou de acordo com os critérios dos entrevistadores: “considerando que o entrevistado seja graduado em história recentemente e esteja desempregado ou empregado em outra área da formação”. Como disse Douglas no começo da entrevista.


Eu poderia lecionar história na rede municipal, estadual ou privada desde janeiro de 2008, fiz duas inscrições para a rede estadual e uma para a municipal. Nesse meio tempo fiquei quatro meses e quinze dias no CEJA - Centro de Educação de Jovens Adultos -, fui chamado para lecionar por um mês no Presídio Municipal, mas não peguei as aulas porque coincidia com meu horário no CEJA. Nesse ano, fui chamado para lecionar numa escola, mas não tive como pegar, já que havia assumido a responsabilidade com a CIA Rústico Teatral, mesmo assim tentei negociar com a Gerência Estadual de Educação, mas falaram que se não pegasse naquele momento poderia ficar tranqüilo que já teria mais aulas. O dito não foi feito.


Estou desempregado na profissão que estudei e para pagar as mensalidades fiz estágio, ganhei bolsa, a minha mãe se ralou um monte como empregada doméstica para ajudar pagar as mensalidades, mesmo assim ainda tenho uma dívida com a UNIVILLE.


Hoje sobrevivo morando com na casa da minha mãe, onde nem tenho mais condições de bancar a minha conta de internet, faço monitoria numa exposição de arte, onde para alguns pode simbolizar status, mas no fundo é de uma realidade de baixo salário e sem ajuda para o transporte, continuo prestando serviços para a CIA Rústico Teatral. Os dois serviços possibilitam o ir e vir na cidade, pagar algumas contas, exceto a com meu psicólogo.


Escrevo o desabafo por conta do desemprego na área como professor, realidade que não é somente minha, é de outros amigos e outras amigas que se ralaram para pagar e estudar história na UNIVILLE e hoje são atendentes em locadora de dvd`s, telefonistas, auxiliar de linha de produção, recepcionista em escola de idioma, vendedora em loja de Shopping, vendedor de jornal no semáforo, desempregado-a e tantas outras que sumiram da minha memória.


A minha ausência de orgulho na minha primeira entrevista oral está suficientemente clara. Enquanto penso nas razões do meu desemprego e dos-as demais companheiros-as de classe tudo fica turvo, pois um sentimento de ódio gigantesco abarca todas as minhas paixões e visões, impossibilitando apontamentos mais coesos.

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Desabafo somente em relação a condição de desempregado na área de história, pois empregado o desabafo seria sobre a condição salarial dos-as professores-as na rede municipal e estadual de educação, acompanhados de lamentos em torno das condições materiais para o ensino.

GepaFeminista em Joinville

No dia dia 01 de setembro (terça-feira) a discussão “O movimento Feminista e a luta pela igualdade de Gênero” acompanhado com a Exibição do Documentário “Quem são Elas? – Débora Diniz” GEPAF- Grupo de Estudos e Políticas e Práticas Feminista


17:30 horas - Local será no Anfi Teatro do lado da Biblioteca. - Campus da Univille do Bom Retiro.


Clique aqui e tenha acesso a programação organizada pelo CALHEV e aqui para acessar a programação da Semana de História do Departamento de História da UNIVILLE.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Revistando a história do Planejamento urbano

O evolucionismo volta e meia está no baile das idéias, às vezes sem a intenção, mas sempre pontuando a idéia do século XIX consolidada no imaginário social e inserido em todas as linhas dos pensamentos e práticas sociais.



As linhas escritas por Marcelo Virmond Vieira – “Melhorar”, 26/08, Jornal A notícia página 03 - se encaixam nos discursos evolucionistas, pois, ao afirmar que as cidades planejadas mecanicamente, as tais utopias urbanas pensadas nas folhas em branco de Niemeyer ou Le Corbusier, onde esqueceram de considerar as histórias das vidas nas cidades já existentes, logo as histórias das cidades. Onde, hoje as mudanças são pensadas, segundo Virmond Vieira, por “novas utopias” para a “a cidade real em que vivemos, e que queremos tornar cada dia um pouco melhor.”



Ou seja, aponta que as aquelas utopias ficaram para trás da história intelectual do planejamento urbano e urbanismo, assim deixando no ar o pensamento de que o passado fica para a história, de fato é salutar ao pensar nas cidades planejadas anti-história por Niemeyer, Le Corbusier e afins. Porém, a própria história do planejamento urbano aponta para modelos necessários de serem revisitados e a luz do tempo presente discutir os rumos das cidades.



As campanhas governamentais dos primeiros anos do Brasil República, onde as pessoas foram expulsas e violentadas por conta das campanhas de higienização ao adotarem a prática do francês Hausmann, onde despertou resposta, também violenta, das pessoas, conhecida como revolta da vacina. Ou as raízes do movimento urbanístico, como Peter Hall discute, que em pleno EUA do final do século XIX e começo do XX, apontavam a solidariedade e a autogestão como saída para as cidades. Ainda os direitos à cidade proposto por Lefebvre, em plena França da década de 1950-60. Sem deixar de contar dos-as planejadores urbanos, que nos anos 1950-60 foram às comunidades, lado a lado com os-as moradores-as, procuram resolver os problemas do planejamento urbano local, aproximando a técnica, a política e a necessidade direta de cada um.



Deixando de lado o evolucionismo social e percebendo que as cidades, pessoas e histórias estão escritas em nosso passado recente, onde poderemos buscar referências para discutir, onde até mesmo o modelo executado no Conselho Municipal da Cidade, poderá encontrar referências mais democráticas ou até mesmo alternativas que movimentos sociais, entidades das classes exploradas sustentem suas ações de mudanças das cidades. Onde os rostos dos-as trabalhadores-as, homens, mulheres e travestis em condição de prostituição, estudantes, jovens sem perspectiva de futuro sejam porta vozes e realizadores das cidades que desejam e não mais a cidade suficientemente branca, carregada do provincianismo teuto-brasileiro e os toques empresariais.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

CALHEV promove evento

O “Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi” durante a Semana de História – 31 de agosto ao dia 04 de setembro – elaborou um evento com a programação, onde o tema e os-as convidados-as estão diretamente ligados aos interesses da entidade estudantil. Parabéns a iniciativa.





“Grupos Sociais Urbanos... Lutas, transformações e Representações”


PROGRAMAÇÃO


31 de agosto

Exibição de Curtas

17:30 horas


01 de setembro

“O movimento Feminista e a luta pela igualdade de Gênero”

Exibição do Documentário “Quem são Elas? – Débora Diniz”

GEPAF- Grupo de Estudos e Políticas e Práticas Feminista

17:30 horas


02 de setembro

O movimento Passe -Livre e o Transporte Coletivo em Joinville

Exibição do Curta “A Revolta da Catraca – MPL Florianópolis”

17:30 horas


03 de setembro

Retóricas do Abandono: Apropriações do Patrimônio

Cultural na cidade contemporânea

Prof. MSc. Fernando Cesar Sossai

Prof. MSc. Diego Finder Machado

17:30 horas


04 de setembro

“As ocupações urbanas em Joinville: um olhar para a comunidade do Juquiá”

Exibição do Curta “Ocupação do Juquiá: uma História de Luta””

17:30 horas



Exposição Itinerante

Movimentos Sociais e Representações Estudantis: História e Luta.



Encerramento

Festa da “DiverCidade”


O Local será no Anfi Teatro do lado da Biblioteca.

Campus da Univille do Bom Retiro.

Maiores Informações: http://www.calhev.blogspot.com

terça-feira, 25 de agosto de 2009

CInema Paralelo: uma nova alternativa na cidade



Um tempo atrás o blogueiro Oriel comentou da iniciativa de exibir filmes pelo DANMA da UDESC. O nome do projeto é Cinema Paralelo e está com um canal virtual de informação, clique aqui para conhecer.



Nessa quiinta-feira - 27 de agosto de 2009 - 18:00h

Local: UDESC-CCT

Hall do Bloco F



domingo, 23 de agosto de 2009

Gummo: há 11 ou 12 anos salvou um domingo

Um domingo como hoje, o era 1997 ou 1998, fui até a vídeo locadora da rua Guarujá alugar uma fita VHS para assistir. O nome do estabelecimento era – ainda é- City Games, pois além de locadora também funcionava uma única máquina de fliperama – o grande Cadillac Dinossauro – e dois vídeos games para qualquer moleque pagar e jogar.



As lojas vídeos locadoras de bairro são conhecidas por uma seleção de filmes reduzidos e geralmente com boa parte do acervo de filmes dublados. Porém, sempre tive uma qualidade: encontrar filmes inusitados nas locadoras de bairros.



Um ponto positivo das lojas de vídeos locadoras é a ausência de prateleiras de filmes “cult”, um lugar onde filme é filme, onde o critério de separação é por gênero como Drama, Comédia, Ação, Romance, Pornô e assim vai. Nada de separação elitistas como “filme cult”.



A City Games, até hoje conhecida como locadora do Sandro, possibilitou o meu encontro com um filme que salvou aquele domingo. O nome do filme era “Vidas sem destino” – GUMMO em inglês – a VHS mais fantástica que assisti, onde jamais saiu da minha lembrança o começo com uma voz dizendo “Xênia, Ohio...” e todos seus moradores um tanto fora dos padrões e destinados entre a inocência e demência acompanha de uma trilha sonora do metal da melhor qualidade.


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Torrent do filme aqui.


Maravilhosos trechos


O começo do filme



O maravilhoso trailer

sábado, 22 de agosto de 2009

Eu e o vegetarianismo

Eu sou vegetariano desde 16 ou 17 anos. Sou daqueles dias que era preciso caminhar de bar em bar para encontrar alguma coisa sem carne de boi, peixe ou frango, aventuras acompanhadas por amigos como o Marcio, o Pedro e outros. O destino sempre acabava no mesmo pastel de palmito ou na porção de batata frita.



Os papos sobre direitos dos animais sempre estavam na pauta, onde a minha postura nada defensora dos direitos dos animais já era notória, enquanto os outros amigos também não eram grandes propagandistas – exceto o Pedro que sempre estava disposto a discutir o tema com pessoas contra o vegetarianismo. Entre nós, um dos debates mais fervorosos eram as campanhas da PETA – Pessoas pelo tratamento ético aos animais -, organização dos Estados Unidos da América, que entre as bandas mais populares – comercialmente falando – do hardcore faziam questão de levantar a bandeira.



Eu, o chatão, o mal humorado de sempre, fazia coro dos contrários as posições da PETA e as suas ações que se aproveitavam dos diferentes elementos da indústria do entretenimento para convencer as pessoas a se tornarem vegetarianas. Campanhas como enaltecendo a beleza do Brad Pitt e fazendo relação à dieta alimentar dele ou das famosas Campanhas com modelos contra a utilização de pele animal em suas roupas, ou seja, desejando uma indústria da moda mais “ética”, mas nunca questionando os padrões impostos pela própria indústria da moda e da indústria do entretenimento de modo geral. As pessoas se tornarem vegetarianas era o mais importante, mesmo que a sofrimento e as desigualdades continuassem no seu ritmo normal.



Entre nós existia mais interesses nas ações radicais de grupos como a ALF – Frente de Libertação Animal – onde a ação direta se fazia necessária para salvar os animais em situações de riscos. Claro, aproximação a ALF era somente discursiva, pois não tínhamos idéias de como fazer uma ação e nem onde destinar os animais salvos. Bem, idéias como essas somente ficaram entre uma mordida e outra no pastel de palmito.



Hoje, passados mais de dez anos da minha escolha alimentar, a cidade tem mais lugares para os-as vegetarianos-as, existem frente para atuar em defesa dos direitos dos animais, mesmo que se mantenha a proposta de fazer do vegetarianismo um capitalismo verde e mais “ético”. Enquanto isso continuo irritado com a PETA e sem fazer nada pelos direitos dos animais.




Os cincos parágrafos escritos até aqui vieram a minha cabeça ao visitar o Twitter do Fakis, que está em Portugal, e conhecer a mais nova estúpida campanha da PETA:


Eu tenho a minha consciência tranqüila de nunca ter vivido um pingo de simpatia pela PETA, mesmo que a minha opção alimentar se limita a mim. Onde a minha defesa do vegetarianismo é quase muda, quando o tema está na mesa prefiro sair da discussão e deixar o Marcão defendendo a minha opção alimentar.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O Raul na minha vida

Boa parte dos meus amigos e das minhas amigas, ao menos os-as chegados-as, aqueles-as que já tiveram na minha casa ou dividiram a mesa de um bar nos bairros da zona sul ou da zona norte da cidade, sabem que não tenho nenhuma paixão pelo Raul Seixas, no fundo sou um desapaixonado.


A condição de desapaixonado por Raul Seixas, na data de hoje que marca vinte anos do falecimento do maluco, tem uma história, uma história de paixão nada singular, comum a boa parte daqueles que cresceram ouvindo rock quando criança, circa anos 80.


Na casa da minha avó e do meu avô a diferença entre eu e meu tio era pouca. Por isso seguia ao pé da letra a circulação das músicas destinadas aos jovens dos anos oitenta, eu não era o público alvo da indústria fonográfica, mas meus ouvidos estavam próximos das caixas de som do toca disco da sala. As músicas das bandas Plebe Rude, Camisa de Vênus, Titãs, Engenheiros do Havaí, The Clash, Legião Urbana eram as trilhas sonoras dos meus tios, enquanto a minha tia mais nova ficava pirando nas trilhas sonoras das discotecas. O duelo para usar o toca disco era grande.


Um único LP unificava o gosto musical de todos os jovens da casa. O nome do disco era “Gita” do Raul Seixas, vinil do meu tio-padrinho, que logo passou ser a minha propri
edade.


Quando os jovens mais velhos passaram a trabalhar, o disco “Gita” do Raul Seixas passou ser a trilha sonora oficial das tardes na casa dos meus avos. Claro, desde que não atrapalhasse o sono pós almoço do meu avô. Eu colocava o vinil do Raul e passava à tarde, Ali fazia o meu espaço e constituía uma paixão.


As paixões, as melhores paixões não são as duradouras, são aquelas que se transformam em amor ou aquelas que vão embora e nunca mais voltam a tocar. Um caso emblemático dessas paixões que foram e não voltaram é o disco “Gita” do Raul Seixas, que numa tarde qualquer, depois de conhecer o lp “Pela Paz em todo mundo” da banda Cólera, peguei o lp do Raul e presenteei um morador da outra rua, o popular Raulzito, que pelas minhas bandas era (e é) conhecido como Ed. Uma paixão sonora se foi e outra entrou, caso para outra história.

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Para quem freqüenta as noites joinvilenses ele é o Raulzito, mas para a rapaziada que cresceu nas ruas Modelo e Itapema ele é o Ed. Caso deseja saber mais sobre o cara clique aqui.


Duas festas e um problema

A festa com Fevereiro da Silva e a banda Eddie é hoje - sexta-feira - o que é um grande problema para a minha sexta-feira, já que vou deixar de ir pois o compromisso no dia seguinte é as setes horas da manhã e o corpo tem que tá completamente descansado. Agora, você não pode deixar de conferir as duas bandas ao vivo: são coisas finas.


Moonhop Sounds é um coletivo que executa o melhor da velha música jamaicana, além do bom Bob Marley, é coisa também fina e vale a pena conferir. Porém, mais uma vez vou enfrentar o mesmo problema de compromisso no dia seguinte.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Semana de História (31 de Agosto a 04 de setembro)



Veja a parte interna do folder da Semana de História - 2009 , clique nele para ampliar e conhecer a programação. Nos próximos dias vou escrever sobre a Semana de História com o tema da diversidade, já que há anos não trazia uma proposta ligada aos debates contemporâneo da cidade de Joinville.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Camas de ferro com lençóis de cambraia

— Compadre, quero morrer com decência, em minha cama.

De ferro, se for possível, e com lençóis de cambraia.”

Lorca no poema Romance sonâmbulo




Há 73 anos o poeta Frederico Garcia Lorca era assassinado por fascistas espanhóis. A cidade de Granada, na Andaluzia, lugar de nascimento de Lorca, assim como os lugares da Espanha, sofriam com o levante fascista do “generalíssimo Franco”, que se opunha a República e defendia a monarquia e o mais nefasto conservadorismo religioso.




Lorca era um poeta próximo do surrealismo, por seus inimigos era identificado como propagador do socialismo e da homossexualidade. Razões suficientes para um deputado ligado a Igreja Católica decretar a prisão de Lorca e com o levante fascista acabou determinando o assassinato do poeta, a versão oficial é de um tiro enquanto por todas as cidades que resistiam aos fascistas de Franco, o poeta Lorca havia sido fuzilado pelas costas.




O imaginário do povo espanhol tem em suas memórias que a decência acompanhou Lorca até seu último minuto, já que o poeta não abandonou seus sonhos. Enquanto cada um de nós, em nossas memórias, carregamos respeito a vida de Lorca e de todos-as outros-as lutadores anti-franquistas da Espanha, nessa mesma memória prepramos, para todos e todas, camas com lenções de cambraia.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O ato de pedalar e o nosso passado recente ?

A pergunta ficou martelando a minha cabeça nos últimos dias ao ler a nota IPPUJ utiliza a bicicleta nas atividades diárias cujo objetivo é incorporar as bicicletas na frota "para serem utilizadas em inspeções técnicas e serviços administrativos na área central da cidade" O IPPUJ estaria vivendo, aquilo que Hobsbawn chamou de "presente contínuo", onde o que se passa hoje não existe nenhuma ligação com o passado remoto e até mesmo o recente.



No ano de 2008 aconteceu um intenso debate sobre os corredores de ônibus – leia aqui, aqui e aqui – onde Waldimir Constante, arquiteto do IPPUJ, chegou a fazer referência que os ciclistas não deveriam circular nas ruas centrais da cidade de Joinville já que os corredores de ônibus e os carros em vias como Blumenau e João Colin eram intensos, ou seja, limitando o direito de ir e vir de quem usa a bicicleta. Na mesma medida o jornal A notícia fez variadas reportagens e notas sobre os-as ciclistas mortos – leia aqui, aqui, aqui e aqui - por atropelamentos nas ruas da cidade.



O IPPUJ está de brincadeira com os-as ciclistas da cidade e não faz idéia dos riscos de para seus-uas próprios-as funcionários-as ao pedalarem pelo centro. Quanto a mim, que tanto gosto de pedalar por diversão e por necessidade de acessar os diferentes lugares da cidade me sinto um grande bobo frente as ações do IPPUJ e percebo que o orgão vive, mais uma vez Hobsbawn, "sem qualquer relação orgânica com o passado público da época que vivem.", sendo as pessoas as prejudicadas diretamente.


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As duas citações de Hobsbawn foram retiradas da página 13 do livro "Era dos extremos" da editora CIA das Letras.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ignorância e profissão

A ignorância aliada à profissão é um perigo e tanto, ao menos é o que penso quando a profissão como história ou jornalismo, profissões que no cotidiano exercem um papel, em pequena, média ou grande escala, nas formações dos pensamentos das pessoas.



No final de semana temos como exemplos às matérias sobre os 40 anos do Woodstock, onde sobreviventes do evento comentam da experiência, da “magia” e todo aquele papinho hippie de quinta categoria, onde tudo é reduzido ao consumo de música e um visual muito adequado aos corredores dos cursos de humanas.



Enquanto nas matérias as abordagens e os temas tratados poderiam variar, falar sobre os poetas, o cenário literário que circularam naqueles anos de 1960; os literários, os grupos políticos radicais, onde envolviam cultura marginal e política social radical, o consumo elevadíssimos de drogas, a questão de gênero muito além dos incêndios dos seguradores das peitolas.



Os variados temas estavam – e ainda estão por aí – bastaria uma pesquisa e boa vontade para continuar no comum, basta quem diz que pensar, resolver pensar e pesquisar um pouco mais.

Mais ódio

Eu queria fazer uma postagem com palavras de amor, já que as últimas foram de um ódio sem tamanho. Poderia escrever sobre o fim da noite de domingo e as minhas qualidades na mesa de sinuca num bar do Bairro Floresta, mas somente fica martelando o texto que preciso decorar, onde o começo é assim: “Vil matilha de cães! Cujo mau hálito odeio como o pântano empestado, se cuja simpatia estimo tanto quanto o cadáver insepulto e podre que deixa o ar corrompido e irrespirável.


Então, Boa semana.

sábado, 15 de agosto de 2009

Robson Cunha, o perfil do conservador

Robson Cunha é uma figura desconhecida do grande número da população joinvilense, somente aqueles que estão nos círculos virtuais como o orkut, o twitter, os blogues, you tube e afins sabe quem é o representante da juventude da politicagem canalha da cidade.

Robson Cunha, à esquerda com sua cara "Eu quero lasanha."



Robson Cunha é um jovem, nem tão jovem assim, que sonha em fazer política de boca cheia, aquela política que já estamos acostumados, ou seja, institucionalizada e apoiada nos velhos padrões conservadores e moralistas. Mesmo que isso seja sustentado no contra-senso de participar da “Juventude Socialista” do PDT de Joinville, onde passo sustentar a “Juventude (supostamente) Socialista”.



Robson Cunha é um ferrenho defensor da moral e dos bons costumes. É daqueles que condena a homossexualidade e as políticas públicas para as minorias; é daqueles que condena os movimentos sociais que fazem das ruas um espaço do fazer política; é daqueles dizem fazer política de habitação e a cada dia ferra com a população do Juquiá; é daqueles que descia a lenha no PT e agora é parte da Prefeitura Municipal de Joinville.



Robson Cunha é o tipinho desprezível, onde qualquer um quer seja anarquista, socialista, liberal - com um mínimo de consciência -, lutadores dos direitos humanos e assim vai, deve propagar uma anti-campanha, afinal, a ordem das coisas como estão não precisa de mais voz.


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Conheça as nefastas posições de Robson Cunha aqui, aqui, aqui e aqui.

Nova investida

O blogueiro Neander, o blogueiro Filipe e eu estamos numa jornada blogueira.



O título do projeto será “Chatos a três”, um espaço onde vamos dar pitacos sobre assuntos que não temos propriedade alguma.



A primeira postagem já está disponível, onde acontece uma breve apresentação de cada um. O filme “Nome próprio” será a nossa primeira investida de pitaqueiros, onde utilizaremos todos os nossos suados conhecimentos produzidos em longas discussões nos tempos da faculdade: discussões nos bares, nos corredores, nas dependências do DCE, do CALHEV, nas estradas do sul do Brasil e assim vai.

A cidade de Joinville está em estado de emergência. Projetos da Fundação Cultural de Joinville estão cancelados, enquanto os eventos privados estão acontecendo com os promotores assumindo as responsabilidades. Coisa doida tudo isso.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Uma raivosa resposta ao Charles Henrique

Durante jornada blogueira de hoje cai nas considerações de Charles Henrique, aprendiz de político profissional e mantedor da estrutura política, onde lascou a lenha no meu breve comentário sobre seu tom apologético para a Conferência Extraordinária da Cidade.


Charles Henrique, na mesma medida do seu fiel companheiro Robson Cunha, me acusa de contribuir com o retrocesso na cidade de Joinville, enquanto o seu fiel escudeiro me acusou de “agitador ogro anarquista” ou alguma coisa próxima disso. Bem, uma dupla de amigos desinformada. Por isso, nada melhor do que uma resposta as lideranças da “Juventude (supostamente) socialista” do PDT de Joinville.


Charles Henrique comenta:


Somente ao que a Conferência representa. É um grande marco para o pensamento urbano de nossa cidade. Pela primeira vez em anos, tivemos um movimento em prol do "Viver e Pensar Joinville".”


Uma bela frase de desconhecimento histórico da cidade de Joinville ou uma consideração sustentada na visão unilateral do fazer política ou baseada na leitura de Carlos Ficker ou Apolinário Ternes. Sem contar o total descrédito as lutas organizadas pelas pessoas das ocupações urbanas nos anos oitenta e noventa, aquelas que tiveram o Centro de Direitos Humanos de Joinville ao das pessoas vítimas da especulação imobiliária, ainda sem contar as diferentes greves, mobilizações estudantis e sociais por direitos humanos, a greve dos padeiros de 1917 e ... Poderia fazer uma longa postagem sobre outros exemplos que buscaram “viver e pensar Joinville. Os tais eventos merecem o descrédito já que vieram debaixo?


Mais uma citação de Charles Henrique:


A composição do Conselho também ficou estranha. Vários empresários e poucas entidades dos Movimentos Sociais. Mas, o quê se dizer de uma cidade formada por "caciques da Manchester"? É normal que as grandes representatividades sejam formadas por eles.”


Não é preciso adotar uma postura radical. Basta conferir a postagem do arquiteto Sergio que apontou os erros e como a própria organização do evento não respeitou as considerações do Ministério das cidades.


Charles Henrique, a última dele por aqui:


Agora, se não quiserem ajudar a pensar Joinville, e simplesmente ficar em seus gabinetes (ou nas ruas) criticando tudo e a todos, eu não considero uma posição legítima. É a crítica que faço às discussões de transporte coletivo em Joinville. Todo mundo quer manifestar, mas ninguém quer elaborar um estudo sobre o tema.”


O parágrafo é um demonstrativo que você não é partidário do socialismo, mas da ignorância e falta de informação. A Frente Única de Luta pelo Transporte Público, (saiba mais aqui e aqui) em diversos momentos, solicitou uma audiência pública sobre transporte coletivo, onde poder público, empresários, movimentos sociais e toda a população tivessem voz, pontuando a necessidade de uma discussão técnica e política. Enquanto as manifestações de rua eram com a intenção de mobilizar a população e levar as pessoas os últimos acontecimentos dos debates com o Poder Público, já que não existe uma mídia fortemente ligada aos movimentos sociais.


Finalizando, eu também tenho orgulho de fazer parte desse momento, onde vejo a importância das pessoas como um todo, não os falsos portadores de uma verdade que mantém uma ordem de organização excludente, dominadora, exploradora do fazer a cidade.

A profecia

A amizade entre o Marcio e eu, originária no punk-hardcore, tem piadas internas, entre elas a frase proféticao esquema é viver enganando o sistema”, ou seja, trabalhar o mínimo e receber o suficiente para sustentar os prazeres da vida. O Marcio é um profeta, já que há anos sempre disse que eu estaria seguindo o objetivo de enganar o sistema.


A nova empreitada no mundo laboral é mais ou menos nova, já que volto ao teatro, ainda sendo contra-regra. Porém, agora estarei administrando o Blog Marco – uma cena poética, onde publicarei o processo de montagem da peça “Marco” da CIA Rústico Teatral.


O tom da brincadeira é verdadeiro e mais uma vez vamos dizer que estou seguido os passos profetizados.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Orwell

Sem ler em inglês fiz a leitura de 1984, Revolução dos Bichos e Na pior em Paris e Londres, Lutando na Espanha e afirmo que os escritos do George Orwell são de grandes prazeres. Dele ainda falta muito para ler, já que nos últimos quatro anos o mercado editorial brasileiro resolveu lançar coletâneas de artigos, crônicas e resenhas do criador do olho que tudo observa e condena: o Big Brother.



As suas obras de literatura -1984 e Revolução dos Bichos- são fantásticas por trazer uma ficção aterrorizadora de um Estado totalitário, enquanto a fábula é uma reflexão interessante de quem é socialista e mantém os dois pés nas idéias libertárias, aliás, diversas vezes esquecidas por mordazes críticos do socialismo e defensores do doentio e destruidor neoliberalismo.



Os outros dois livros lidos, tratados como obras do jornalismo literários -Na pior em Paris e Londres e Lutando na Espanha-, são visões escritas de uma lucidez e sensibilidade incrível amparada num humor sutil. Sem deixar margem de que todos são vítimas nas ruas de Paris e Londres e nem que todos estão completamente estavam cientes das causas revolucionárias da guerra civil espanhola.



As quatro obras já demonstram, paulatinamente, um homem sensível, socialista de sentimento libertário, lúcido e portador de uma escrita com certo senso de percepção de presente potencializando um acertado (infelizmente) encaminhamento do futuro.


Orwell é o escritor que desejo elaborar uma opinião bem constituída e fundamentada. Os poucos parágrafos acimas são os primeiros passos.