segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Graduado em História: Desempregado

Na última semana fui convidado para fazer a minha primeira entrevista oral como entrevistado. Nada que sinta orgulho. Não culpo o Douglas Poff e o Felipe Rodrigues pela minha falta de orgulho. É melhor explicar o enredo.


Os dois estudantes do último ano de história, Douglas e Felipe, estão fazendo parte de um projeto que visa trabalhar a crise de 1929 e 2009 vista pela temática do desemprego. Por isso vieram até mim, já que estou de acordo com os critérios dos entrevistadores: “considerando que o entrevistado seja graduado em história recentemente e esteja desempregado ou empregado em outra área da formação”. Como disse Douglas no começo da entrevista.


Eu poderia lecionar história na rede municipal, estadual ou privada desde janeiro de 2008, fiz duas inscrições para a rede estadual e uma para a municipal. Nesse meio tempo fiquei quatro meses e quinze dias no CEJA - Centro de Educação de Jovens Adultos -, fui chamado para lecionar por um mês no Presídio Municipal, mas não peguei as aulas porque coincidia com meu horário no CEJA. Nesse ano, fui chamado para lecionar numa escola, mas não tive como pegar, já que havia assumido a responsabilidade com a CIA Rústico Teatral, mesmo assim tentei negociar com a Gerência Estadual de Educação, mas falaram que se não pegasse naquele momento poderia ficar tranqüilo que já teria mais aulas. O dito não foi feito.


Estou desempregado na profissão que estudei e para pagar as mensalidades fiz estágio, ganhei bolsa, a minha mãe se ralou um monte como empregada doméstica para ajudar pagar as mensalidades, mesmo assim ainda tenho uma dívida com a UNIVILLE.


Hoje sobrevivo morando com na casa da minha mãe, onde nem tenho mais condições de bancar a minha conta de internet, faço monitoria numa exposição de arte, onde para alguns pode simbolizar status, mas no fundo é de uma realidade de baixo salário e sem ajuda para o transporte, continuo prestando serviços para a CIA Rústico Teatral. Os dois serviços possibilitam o ir e vir na cidade, pagar algumas contas, exceto a com meu psicólogo.


Escrevo o desabafo por conta do desemprego na área como professor, realidade que não é somente minha, é de outros amigos e outras amigas que se ralaram para pagar e estudar história na UNIVILLE e hoje são atendentes em locadora de dvd`s, telefonistas, auxiliar de linha de produção, recepcionista em escola de idioma, vendedora em loja de Shopping, vendedor de jornal no semáforo, desempregado-a e tantas outras que sumiram da minha memória.


A minha ausência de orgulho na minha primeira entrevista oral está suficientemente clara. Enquanto penso nas razões do meu desemprego e dos-as demais companheiros-as de classe tudo fica turvo, pois um sentimento de ódio gigantesco abarca todas as minhas paixões e visões, impossibilitando apontamentos mais coesos.

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Desabafo somente em relação a condição de desempregado na área de história, pois empregado o desabafo seria sobre a condição salarial dos-as professores-as na rede municipal e estadual de educação, acompanhados de lamentos em torno das condições materiais para o ensino.

8 comentários:

Território Nenhum disse...

Grande Maikon, minhas condolências! Compartilho de sua desgrassença.hehehe Estou em situação bem parecida. Não consegui mais aulas na escola pública, tô sobrevivendo com dez aulinhas que peguei na tupy, (merreca)to entrando em concordata. Tá foda!!! E enquanto isso o inchaço de profesores de história vai aumentando NA CIDADE.

Neander disse...

E o pior é que esse inchaço que o Zaia fala acima poderia não ser negativo se a educação fosse tratada de um modo sério.
Aqui em Guaratuba, tem-se hoje cinco colégios na cidade. Porém, esses cinco não suportam mais o tamanho da cidade, mas assim, não suportam mesmo! E há uma região aqui, "coincidentemente" a mais pobre da cidade, que fica longe de todos esses colégios.
Se pelo menos ali existisse uma escola, sou capaz de afirmar que não teria nenhum professor em Guaratuba trabalhando fora da área contra sua vontade.
Foda.

Charles Henrique disse...

Para um sociólogo é quase a mesma coisa...

Anônimo disse...

Charles, o buraco é mais embaixo, pois existem professores graduados em química, física, até mesmo história e tantas outras lecionando na cadeira de sociologia. Por exemplo, na rede do Estado sociólogia e filosofia são cadeiras que o-a professor-a pode escolher para preencher suas horas ou coisa parecida.

Bem, se entrar no debate salarial é a coisa é mais feia ainda. Por exemplo, trabalhando 20 hroas em sala de aula, no Estado, o salário fica na casa de R$ 680,00. Onde falta material, falta tanta que coisa mesmos os comérciais dos Governos conseguem maquiar.

O outro detalhe é policagem safada que rola. Existem várias figuras que não ficam sem aula pq tem relações políticas com os poderosos.

Abraço
Maikon K

Tatiane disse...

Várias das coisas que citaram foram os motivos pelo qual ainda não fui pra sala de aula. Compartilho da decepção de muitos pois tbm tenho meu diploma em História e hoje trabalho no financeiro de uma indústria de médio porte na cidade. A piada que sempre fazem "nossa vc estudou história pra trabalhar com números!!" já perdi as contas de quantas vezes escutei isso!!!

Camila XXX disse...

ontem estávamos conversando sobre isso, e realmente você não é o único a se lamentar referente à esse assunto. é tenso mesmo :/

Christiani disse...

Nem é só com professores, tá impossível arrumar um emprego. Tem 100 pessoas pra cada vaga, em qualquer área, e cada vez eles pedem mais especialização. Daqui a pouco vão exigir doutorado pra gari. Tem mil faculdades que formam milhares de pessoas por semestre, que facilitam o pagamento do aluno em 500 vezes. Assim todo mundo se forma, gente que nunca ia ter condição de ter nível superior e cada vez tem mais gente concorrendo às vagas que eram só pra classe média. O negócio é estudar mais. SUX.

mjs disse...

eu também vivo nessa condição,graduado há um ano,sobrevivo de reforço escolar e de digitação de trabalho escolar e universitário!!!é um absurdo vivermos 4 anos se dedicando em algo que gostamos para viver nessa situação de subempregos e depedencia da familia,já que minha pós-graduação é mantida pelo meu pai!!