sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O Raul na minha vida

Boa parte dos meus amigos e das minhas amigas, ao menos os-as chegados-as, aqueles-as que já tiveram na minha casa ou dividiram a mesa de um bar nos bairros da zona sul ou da zona norte da cidade, sabem que não tenho nenhuma paixão pelo Raul Seixas, no fundo sou um desapaixonado.


A condição de desapaixonado por Raul Seixas, na data de hoje que marca vinte anos do falecimento do maluco, tem uma história, uma história de paixão nada singular, comum a boa parte daqueles que cresceram ouvindo rock quando criança, circa anos 80.


Na casa da minha avó e do meu avô a diferença entre eu e meu tio era pouca. Por isso seguia ao pé da letra a circulação das músicas destinadas aos jovens dos anos oitenta, eu não era o público alvo da indústria fonográfica, mas meus ouvidos estavam próximos das caixas de som do toca disco da sala. As músicas das bandas Plebe Rude, Camisa de Vênus, Titãs, Engenheiros do Havaí, The Clash, Legião Urbana eram as trilhas sonoras dos meus tios, enquanto a minha tia mais nova ficava pirando nas trilhas sonoras das discotecas. O duelo para usar o toca disco era grande.


Um único LP unificava o gosto musical de todos os jovens da casa. O nome do disco era “Gita” do Raul Seixas, vinil do meu tio-padrinho, que logo passou ser a minha propri
edade.


Quando os jovens mais velhos passaram a trabalhar, o disco “Gita” do Raul Seixas passou ser a trilha sonora oficial das tardes na casa dos meus avos. Claro, desde que não atrapalhasse o sono pós almoço do meu avô. Eu colocava o vinil do Raul e passava à tarde, Ali fazia o meu espaço e constituía uma paixão.


As paixões, as melhores paixões não são as duradouras, são aquelas que se transformam em amor ou aquelas que vão embora e nunca mais voltam a tocar. Um caso emblemático dessas paixões que foram e não voltaram é o disco “Gita” do Raul Seixas, que numa tarde qualquer, depois de conhecer o lp “Pela Paz em todo mundo” da banda Cólera, peguei o lp do Raul e presenteei um morador da outra rua, o popular Raulzito, que pelas minhas bandas era (e é) conhecido como Ed. Uma paixão sonora se foi e outra entrou, caso para outra história.

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Para quem freqüenta as noites joinvilenses ele é o Raulzito, mas para a rapaziada que cresceu nas ruas Modelo e Itapema ele é o Ed. Caso deseja saber mais sobre o cara clique aqui.


4 comentários:

Psiquiatra do mk disse...

legal.

Filipe Ferrari disse...

Definitivamente, não entra na minha cabeça você escutando Raul...

Anônimo disse...

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante... É a vida! como diriam os franceses. O bom de Raul é poder viajar pra fora dele e voltar quando quizer, quem sabe não está na hora de dar uma passadinha nele de novo....

E. Felipe disse...

o comentário ali em cima é meu...