terça-feira, 11 de agosto de 2009

Orwell

Sem ler em inglês fiz a leitura de 1984, Revolução dos Bichos e Na pior em Paris e Londres, Lutando na Espanha e afirmo que os escritos do George Orwell são de grandes prazeres. Dele ainda falta muito para ler, já que nos últimos quatro anos o mercado editorial brasileiro resolveu lançar coletâneas de artigos, crônicas e resenhas do criador do olho que tudo observa e condena: o Big Brother.



As suas obras de literatura -1984 e Revolução dos Bichos- são fantásticas por trazer uma ficção aterrorizadora de um Estado totalitário, enquanto a fábula é uma reflexão interessante de quem é socialista e mantém os dois pés nas idéias libertárias, aliás, diversas vezes esquecidas por mordazes críticos do socialismo e defensores do doentio e destruidor neoliberalismo.



Os outros dois livros lidos, tratados como obras do jornalismo literários -Na pior em Paris e Londres e Lutando na Espanha-, são visões escritas de uma lucidez e sensibilidade incrível amparada num humor sutil. Sem deixar margem de que todos são vítimas nas ruas de Paris e Londres e nem que todos estão completamente estavam cientes das causas revolucionárias da guerra civil espanhola.



As quatro obras já demonstram, paulatinamente, um homem sensível, socialista de sentimento libertário, lúcido e portador de uma escrita com certo senso de percepção de presente potencializando um acertado (infelizmente) encaminhamento do futuro.


Orwell é o escritor que desejo elaborar uma opinião bem constituída e fundamentada. Os poucos parágrafos acimas são os primeiros passos.

10 comentários:

Marxperience disse...

Maikon, sai dessa mano. O Aldous Huxley é que é o cara! Quero ler parágrafos do Aldous por aqui.

Anônimo disse...

Marx, o Huxley é pra baixo... li o Admirável Mundo Novo e a sensação é de ir ao fundo do poço.

O problema do Huxley, pelo menos no Brasil, é que seus livros são desconhecidos, a rapaziada só fala no A. M. Novo, coisa parecida que rolou com Orwell até uns anos atrás.

Em 2003, quando estava no primeiro ano de faculdade assisti uma fala de uma professora do departamento de letras da UFSC, onde discutia sobre a dispotia em Hulxey e a utopia em Orwell, na época gostai da discussão dela, infelizmente esqueci 95 por cento dos argumentos dela e até do nome da mulher. hahaha

Outra coisa: gostar de Orwell é ranço de punk pelo lado político da coisa toda e gostar de Hulxey é coisa punk com olhar mais negativo ? hehehe


maikon k
www.vivonacidade.blogspot.com

Filipe Ferrari disse...

Hahaha! Léo! Se o Nadalin te ouve...


Mk: é bom ver que estás começando a escrever o que queria, eu também acho Orwell do caralho, e o acho um pouco (pouquinha coisa) mais "sensível" que o Huxley.

Falando neste, eu tenho "As portas percepção" em casa. Se quiseres...

Abraço!

Marxperience disse...

Não sei se concordo, my dear. Acho os dois pra baixo. O fim da Revolução dos Bichos tem os porcos virando homens. O fim do 1984 eu nem lembro mais, mas era também negativo, não? Não lembro de ver uma saída.

O mais importante, acho, é que o Huxley me parece uma crítica mais atual do capitalismo enquanto o Orwell pode ser interpretado como uma simples crítica do totalitarismo.

Olha aqui o que eu acho, desenhadinho! http://fatpita.net/?i=1952

Marxperience disse...

Filipe, saudades do mestre NADALIN.

oriel disse...

Opa, a discussão tá interessante :)

O fim de 1984, é o Winston sendo assassinado, só depois de ter acreditado que 2+2 são 5 e de amar verdadeiramente ao grande irmão.. Tem ainda aquela frase tenebrosa do Orwell: “Se você quer uma imagem do futuro, imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre”.
Acho que a guerra civil espanhola não fez muito bem pro ânimo e esperança do autor.. Os escritos de Orwell sâo uma literatura deliciosa, apaixonante, mas não deixa de ser pra baixo também..
Porém só li as duas obras mais conhecidas dele, então fica difícil de escrever mais alguma coisa.. talvez os outros livros dele tenham um outro viés..

Hoje a nossa sociedade parece ser uma combinação de algumas coisas previstas por Orwell (cameras por todo lugar) e outras por Huxley (sexo totalmente liberado e à venda, todos os desejos através do dinheiro..)
Ainda bem que o pior do Admirável Mundo Novo não se tornou realidade (controle genético de classes sociais)..

Parece que com o tempo quem acabou ficando menos pessimista foi o Huxley, que nos anos 50-60 entrou na onda William Blake, geração beat, psicodelia.. Arranjou uma espécie de "fuga" através do contato com a cultura oriental e do misticismo.. Tanto que sua penúltima obra, A Ilha, fala sobre uma sociedade utópica, pluralista e livre, a antítese de Admirável Mundo Novo.

abráás

Anônimo disse...

A presença do controle, os discuros "eugenista" do governo luis henrique da silveira, o sexo como um produto, o mundo como um grande mercado, a tentativa de proibir menores de 18 anos andarem nas rus após 23 horas, a educação nas empresas fazendo os trabalhadores assumirem os discursos dos patrões. POr isso quem sabe a sociedade de hoje seja um mix de Orwell e Huxley.

Oriel, tenho minhas dúvidas se a guerra civil espanhola ferrou a vida do Orwell, mesmo que saindo da guerra levou cicatrizes no corpo por conta de um ferrimento a bala próximo da garganta. O livro lutando na espanha foi escrito seis ou nove meses após a saída do autor de lá, aí lendo vc vai perceber a lucidez e o tom de esperança e interessante senso de humor. Acima de tudo, a esperança nas ideias e práticas organizadas de cima para baixo, fazendo da cidade um espaço de esperança, recusando a burocracia.

vale a pena "extrapolar" e ir além dos escritos 1984 e Revolução dos bichos.

maikon k

Anônimo disse...

gente, esse artigo http://www.espacoacademico.com.br/026/26pol_orwell.htm traz considerações interessantes, em coisas que todos nós comentamos.

maikon k

oriel disse...

Muito bom o texto do link.. tem uma observação interessante de como os escritos de Orwell foram mal interpretados ou não entendidos.. É bizarro pensar que pró-capitalistas usam Orwell pra defender suas idéias.. Ele foi como Reich, um socialista que critica o próprio socialismo (de estado), mas nem por isso deixou de escrever com esperança a respeito dos ideais socialistas..

Território Nenhum disse...

Na minha visão tanto 1984 quanto Admirável mundo novo são anti-utopias.

Em relação a Orwell, ao fazer a crítica ao totalitarismo, como homem de esquerda, demonstra uma honestidade intelectual nem sempre encontrada em outras cabeças do século XX, Sartre por exemplo.