quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Revistando a história do Planejamento urbano

O evolucionismo volta e meia está no baile das idéias, às vezes sem a intenção, mas sempre pontuando a idéia do século XIX consolidada no imaginário social e inserido em todas as linhas dos pensamentos e práticas sociais.



As linhas escritas por Marcelo Virmond Vieira – “Melhorar”, 26/08, Jornal A notícia página 03 - se encaixam nos discursos evolucionistas, pois, ao afirmar que as cidades planejadas mecanicamente, as tais utopias urbanas pensadas nas folhas em branco de Niemeyer ou Le Corbusier, onde esqueceram de considerar as histórias das vidas nas cidades já existentes, logo as histórias das cidades. Onde, hoje as mudanças são pensadas, segundo Virmond Vieira, por “novas utopias” para a “a cidade real em que vivemos, e que queremos tornar cada dia um pouco melhor.”



Ou seja, aponta que as aquelas utopias ficaram para trás da história intelectual do planejamento urbano e urbanismo, assim deixando no ar o pensamento de que o passado fica para a história, de fato é salutar ao pensar nas cidades planejadas anti-história por Niemeyer, Le Corbusier e afins. Porém, a própria história do planejamento urbano aponta para modelos necessários de serem revisitados e a luz do tempo presente discutir os rumos das cidades.



As campanhas governamentais dos primeiros anos do Brasil República, onde as pessoas foram expulsas e violentadas por conta das campanhas de higienização ao adotarem a prática do francês Hausmann, onde despertou resposta, também violenta, das pessoas, conhecida como revolta da vacina. Ou as raízes do movimento urbanístico, como Peter Hall discute, que em pleno EUA do final do século XIX e começo do XX, apontavam a solidariedade e a autogestão como saída para as cidades. Ainda os direitos à cidade proposto por Lefebvre, em plena França da década de 1950-60. Sem deixar de contar dos-as planejadores urbanos, que nos anos 1950-60 foram às comunidades, lado a lado com os-as moradores-as, procuram resolver os problemas do planejamento urbano local, aproximando a técnica, a política e a necessidade direta de cada um.



Deixando de lado o evolucionismo social e percebendo que as cidades, pessoas e histórias estão escritas em nosso passado recente, onde poderemos buscar referências para discutir, onde até mesmo o modelo executado no Conselho Municipal da Cidade, poderá encontrar referências mais democráticas ou até mesmo alternativas que movimentos sociais, entidades das classes exploradas sustentem suas ações de mudanças das cidades. Onde os rostos dos-as trabalhadores-as, homens, mulheres e travestis em condição de prostituição, estudantes, jovens sem perspectiva de futuro sejam porta vozes e realizadores das cidades que desejam e não mais a cidade suficientemente branca, carregada do provincianismo teuto-brasileiro e os toques empresariais.

4 comentários:

Tatiane disse...

Putz li ontem num jornal aqui da cidade um comerciante do centro falando o pq ele é contra o terminal de ônibus ficar no centro... bom eu já sei o pq... pq ele não deve utilizar ônibus em nenhum momento da sua vida.

Marxperience disse...

Você conhece o Stewart Brand? Basicamente fala que favela é um lance legal, hehe. Acho que vai te interessar esse negócio. Dá uma olhada nesse videozinho de 2 minutos:
http://www.ted.com/talks/stewart_brand_on_squatter_cities.html

Tem uma palestra completa de 1 hora aqui: http://video.google.com/videoplay?docid=-5605852912915716592

Anônimo disse...

Valeu a dica MArx, vou verificar.
abraço
mk

Vinicius disse...

Legal o comentário, assim como esse tema é muito interessante. Abraços.