quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Subemprego e a literatura

Você assistiu o filme “Anti-herói americano” e achou o máximo a vida do Harvey Parker. Leu Kerouac e deliciou-se com a vida de subempregado e escritor. O velho Buk te encanta ainda mais, já que fazia muito sexo, apostava nas corridas de cavalos, escrevia e sempre estava pulando de subemprego a subemprego. O Henry Miller vivendo entre as prostitutas, bêbados, sugando aqueles os ricos, da capital francesa, onde faziam de tudo para sentirem os cheiros da literatura e da arte. E imagina Hunter Thompson, escrevendo matérias loucas e consistentes, tomando muita bira e conhecendo o mundo. Diz aí, inspirador?




Todas as experiências citadas têm uma veia literária, um sabor vigoroso! Leituras importantes para os anos que passamos sentados nos bancos do campus universitários. O próprio Kerouac se cansou desses bancos, caiu na vida dos subempregos, estradas e literatura. Então, está pensando em largar tudo? Faça. A previsão não é nebulosa e nem ensolarada, é preciso tirar a bunda do cimento e ir, quem sabe você volte com um livro, experiências ou um novo vigor para se manter vivo.




Hoje vivo uma experiência de forte apelo literário, ao menos, Charles, Henry, Jack, Harvey e tantos outros e tantas outras souberam encontrar um apelo literário. Eu tenho um subemprego, mesmo diplomado (sic) para professor, faça mediação numa galeria de artes plásticas da iniciativa privada, em outros momentos faço o papel de operador de som, de luz, fotógrafo, alimento um blogue, carrego caixas, subo e desço escadas para uma pequena e nova Companhia de teatro. Diz, sentiu a veia literária, né?




O subemprego seria agradável e inspirador se não fosse triste e estivesse me magoando constantemente. Agora, com uma barriga maior dos tempos de estudante, dias desalentadores, uma fraqueza substancial para sair da frente do computador e criar, criar mesmo. Sabe, em tais condições fica evidente que roubaram toda literatura do bagulho.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Os três erros da PMJ com as pessoas do Bairro Floresta

Os presidentes brasileiros Venceslau Brás (1914-18), Epitácio Pessoa (1919-22) e Arhur Bernardes (1922-26) tem pontos em comum, configuravam o poder político de maneira autoritária, fundamentados em interesses econômicos de acordo com a política do café com leite. Os reclamantes fizeram suas greves, os anarquistas foram às ruas, greves gerais pipocaram em todo país, os comunistas autoritários se organizaram com seu PCB, os catarinas resistiram no Contestado, os tenentes se levantaram, artistas espinafraram com a Semana de Arte Moderna, a figura de Prestes ganhou destaque na Coluna. Os três presidentes erraram e tiveram respostas populares.



Hoje sentimos três erros cuja responsabilidade é de uma única instituição e todos os seus parceiros, sejam técnicos ou políticos. O erro foi democratizado e ganham faces pretensamente de esquerda.



O primeiro erro:



A edição do jornal de sexta-feira trouxe a manchete “Binário da zona Sul terá mudanças” em que dizia “agentes de trânsito vão orientar os motoristas a respeitarem a mão única nas ruas Presidente Arthur Bernandes, Epitácio Pessoa e Wenceslau Braz.”. O fato, no caso o erro, é que a CONURB, o IPPUJ e a PMJ não realizaram os compromissos assumidos.



O segundo erro:



Não é era de esperar uma postura diferenciada. Os processos de alterações nas ruas do bairro Floresta foram na contramão de uma cidade “de toda sua gente”, já que a população, os reais interessados nos cursos e na maneira de andar pelo bairro não foram ouvidos, somente sofreram as conseqüências do amplo domínio técnico do IPPUJ, da CONURB e da PMJ.



O terceiro erro:



O que é de estranhar – estou sendo irônico – é o petismo na gestão pública do secretário Municipal Eduardo Dalbosco, que em artigo no Jornal ANotícia, afirmou que estava aberta ao diálogo, constituindo uma verdadeira lição democrática e participativa. Na prática vem acontecendo o contrário.

Na história dos três erros, o maior erro é o nosso, das pessoas do Bairro Floresta, que já na administração do Marco Tebaldi (PSDB), ficamos calados – inclusive a COMAM e a Associação de Moradores do Bairro Floresta - com as alterações nas ruas do Bairro, aliás, com o envolvimento dos mesmos técnicos do IPPUJ de administração petista.




Erro, que as pessoas das duas primeiras décadas do século XX não cometeram, onde não ficaram em silêncio frente aos mandos do Governo Federal, pelo contrário, encontraram as reclamações em comum, se organizaram e apontaram os erros e buscaram criar soluções. Caso os nomes das ruas fossem ao invés de Wenceslaus Brás tornar-se Rua dos Grevistas de 1917, a Epitácio Pessoa para Rua do Contestado e a Arthur Bernardes para Rua dos Tenentes Insurgentes, assim quem sabe os nomes das nossas ruas potencializariam uma atmosfera rebelde, insurgente e fazendo o direito à cidade, se constituindo num direito de todas as pessoas fazerem políticas.

Anarquistas e Organizados


“Há ocasiões em que é melhor lutar e apanhar do que fugir à luta.”

George Orwell


Total falta de atenção é coisa séria. Escrevo sobre diferentes aspectos da cidade e deixei de lado uma breve nota sobre o Pró-Coletivo Anarquista Organizado de Joinville, que há semanas lançou sua carta de apresentação:



Propomos o Coletivo Anarquista Organizado como uma alternativa de “fazer política” sem estar necessariamente ligados a partidos políticos institucionalizados, que acreditam que política é feita apenas ou majoritariamente no parlamento. Negando esta perspectiva, afirmamos que a verdadeira política é aquela que emana diretamente do povo.” Clique aqui e leia o texto completo.



O Pró-Coletivo Anarquista Organizado está com um blogue para armazenar artigos, livros, notícias e informações sobre a teoria e a prática anarquista e temas relacionados. No presente momento prepara o primeiro informativo impresso e outras atividades. Em breve mais novidades.



Você poderá ler a breve nota e pensar que podemos apanhar, mas vamos ficar e lutar.


domingo, 27 de setembro de 2009

Cidade como pauta na REVI

A REVI - Revista Eletrônica do IELUSC - é uma fonte interessante de notícias, informações e artigos voltados a realidade de Joinville. A base das publicações são produzidas por estudantes do curso de jornalismo do IELUSC.


O portal é de uma instituição privada de ensino, onde já exerceu uma censura quando o estudante Marcus abordou a parceria da UNIVILLE com IELUSC, porém nenhum blogue ou página virtual do jornalismo "profissional" da cidade superou a variadade de temas e linhas de abordagens. As razões vão de número de contribuidores, questão de mercado e linhas ideológicas.



Reproduzo uma matéria sobre o crescimento populacional da cidade, assinatura do texto é da Francine T. Ribeiro, que não faço quem seja, mas sempre é bom dizer autoria das coisas.


"A grande e pequena Joinville

Francine T. Ribeiro



Quatrocentos e noventa e sete mil, trezentos e trinta e um: esse é o número de habitantes de Joinville, conforme o levantamento de 2008 divulgado em agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O tão estimado número de 500 mil habitantes ainda não foi alcançado. A cidade obteve um crescimento de 1,05% no último ano – o que é pouco, se comparado com cidades como Jaraguá do Sul e Balneário Piçarras, que tiveram um índice acima da média estadual. Mesmo não tendo ainda uma população de metrópole, Joinville já esboça problemas e demandas típicas das grandes cidades.



Segundo o último censo completo realizado pelo IBGE na cidade, em 2008, os veículos pequenos que circulam pelas ruas de Joinville chegam a 155.793 – algo equivalente a um carro de passeio para cada três pessoas. Há, ainda, 40.433 motocicletas e 7.006 caminhões na frota, números desproporcionais se considerados os 798 ônibus contabilizados – um para cada 623 cidadãos. Como resultado dessa matemática, Joinville tem um trânsito cada dia mais difícil.



O administrador de empresas Romeu Reeck Filho trabalha na zona industrial Norte e mora na zona Sul. Todos os dias ele atravessa a cidade, levando em média 45 minutos para realizar o trajeto. “Às vezes, opto pela BR-101, assim chego mais rápido”, afirma. Romeu não vê problemas em transitar nas ruas dos bairros, mas diz que as avenidas centrais congestionam a qualquer hora do dia. “Não há planejamento, nem projetos para isso mudar. O corredor de ônibus foi uma iniciativa muito boa, pois com ele o trânsito de carros flui, mas ainda há muito que ser feito”, avisa.



Se analisadas a partir dos números, as opções culturais e de lazer também deixam a desejar. Hoje, a cidade dispõe de três teatros e cinco cinemas. Pelos cálculos, cada teatro responderia pela demanda de 165,7 mil espectadores e haveria 99,4 mil joinvilenses para cada sala de projeção, estrutura desprezível se comparada com aquela oferecida por uma cidade como Florianópolis. A capital do estado tem uma população aproximadamente 25% menor e uma extensão territorial 75% menor que Joinville, mas oferece 16 cinemas e treze teatros. Recentemente, Joinville obteve o sexto lugar nacional em pesquisa realizada pela Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (MinC), em parceira com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). O estudo mostra que Joinville está entre os dez municípios brasileiros com os maiores valores no Índice de Gestão Municipal em Cultura (IGMC). Essa pesquisa avalia apenas se as prefeituras dispõem de recursos e meios para atuar na área da cultura, portanto não tem como objetivo medir a oferta e o acesso da população aos bens culturais.



Para o preparador de ferramentas Nilson Vanderlei Weirich, não são insuficientes apenas as opções de cinemas e teatros existentes na cidade, mas também são poucos os parques ecológicos para o lazer da família. “Não temos parques para passearmos. Com os recursos naturais que possuímos, poderia se investir mais em infra-estrutura. Temos uma rede ferroviária que poderia oferecer roteiros nos finais de semana”, afirma. Nilson também acredita que o crescimento da cidade não tem acompanhado o aumento da frota veicular e da população. “Não está havendo investimento e ampliação de ruas ou construção de viadutos em alguns pontos da cidade. Transitar nos horários de pico, em algumas ruas de Joinville, se tornou algo complicado”, conclui.



O trânsito também é um problema enfrentado pelo analista de sistemas Fábio Nakazoni, que encontra nos horários das 8 e das 18 horas os maiores engarrafamentos. “A frota aumentou muito e as rotas não foram adaptadas para atender a demanda. Houve melhoras com o aumento da Marquês de Olinda, a mudança do fluxo na Expedicionário Holz e a rótula na Otto Pfutzenreuter, mas ainda faltam viadutos no Centro, na zona industrial e no bairro Boa Vista, por exemplo”, diz. Nakazoni acredita que áreas de lazer como zoológicos e parques infantis seriam ótimas opções para os joinvilenses. “Estive recentemente no Morro do Finder e achei um lugar interessante para quem gosta de trilhas e caminhada”, finaliza.



Ainda que o raciocínio leve em consideração apenas números brutos de população, frota de veículos e salas de cinema e teatro, é possível perceber que, enquanto não é alcançada a marca dos 500 mil habitantes, a maior cidade do estado incha à margem de um crescimento mais justo ou harmônico. Para Joinville, os aumentos numéricos deveriam andar no compasso das melhorias na qualidade de vida."


FONTE: http://redebonja.cbj.g12.br/ielusc/revi_2005/revi_mod_reg.php?id=8912

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Cinema: estética e o contexto

Quando eu soube que o Festival Internacional de Cinema de Toronto estaria fazendo uma "mostra" Tel Aviv, me envergonhei de Toronto, a cidade onde moro.”



O trecho é do primeiro parágrafo da escritora Naomi Klein, onde desce o verbo na “mostra” do Festival Internacional de Cinema de Toronto na cidade de Israel, Estado que a cada dia assassina o povo palestino.



A leitura completa do texto é formidável para o entendimento de que posições são tomadas e o famigerado discurso de que a arte, no caso o cinema, o eixo fundamental é o estético é pura bobagem "reaça", já que a estética está relacionada a um contexto.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Uma vida mágica

Noite anterior:

Na cama o último momento que olhei para o relógio ainda eram duas da manhã e lia revistas do ano de 2007. Já esquecia, escrevi “ainda eram duas...” porque é cedo quando se tem toda uma vida pela frente, teoricamente uma vida para se viver.



08:05:

Meu relógio biológico despertou. Café com leite, já que café puro é muito hype para a minha cabeça.



08:30:

Esqueci de lavar o rosto, naquele momento foi melhor ir ao banheiro para fazer a primeira limpeza pessoal.



09:00:

Lendo o jornal A notícia soube que o meu trajeto de casa para o trabalho dura 26 minutos de zarcão. Grande notícia, qual é a novidade? Ao menos poderia informar se ao meu lado durante a ida ou volta ao trabalho viajará uma criança chorando ou um trabalhador cansado de uma fundição qualquer.



12:00:

Rotina de emeios e nada de visitar os blogues.



12:30:

Almocei dois queijos quentes.



14:00:

Foi à hora de abandonar a leitura da HQ do Mutarelli e tomar um banho.



14:20:

O primeiro ônibus seguido do segundo ônibus.



15:05:

Cinco minutos atrasado no trabalho. Grande missão, recortar e colar etiquetas na programação do SESC Joinville. Ainda dizem que tem vaga para profissionais de história.



19:30:

Terminado o recorte e cola.



20:00:

Peça de teatro de graça. Aliás, uma boa peça.



21:15:

Café e um cigarro de filtro vermelho.



22:06:

Mais um ônibus seguido de 10 minutos de cami

nhada debaixo de chuva.



23:17:

Marcão e eu no msn trocando as novidades do dia.


Alguém para quebrar o vidro da vida mágica ?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Lendo a Desova

Os blogues estão potencializando a circulação de músicas, já que existem endereços e mais endereços de blogues para baixar discografias dos músicos e das bandas dos mais variados cantões do mundo. Na mesma medida estão circulando blogues de notícias e notas musicais ou onde a música, diretamente ou indiretamente, dá o tom.



O meu endereço preferido para ler assuntos pertinentes à música é Desova, comandado pelo jornalista Sávio Vilela, que escreve bem, provoca risos e mantém um olhar perspicaz nos temas abordados.

Sávio, do lado esquerdo, e Tom zé, do outro lado.


A última postagem é uma extensa e interessante entrevista com Tom Zé, clique aqui e leia. Aproveito e faço a seleção do que li e gostei, sem explicar as razões do porque tenha gostado:


Uma pausa para avaliar uma coisa chamada FadaRobocopTubarão

Fiquei sabendo do caso do Michael Jackson com a Stasi e estou me desculpando

Bancando o hippie cabotino para falar de hardcore

O conselho do editor de cultura, cruzadas morais, Black Flag, Buzz Aldrin e Bill Gates

“Caguei de medo ao ver carros gigantes vendidos a bilhões de dólares pela TV” – entrevista com o rei da punk art Gary Panter

“Todo respeito ao poder de cura dos Stooges!” – Entrevista com Mike Watt (Ex-Minutemen, Ex-Firehose, Ex-Porno For Pyros, atual quarto pateta dos Stooges)

“Eu sou cheio de amor. Eu sempre fui cheio de amor.” – Entrevista com Ian MacKaye.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cine-SESC em Joinville

O SESC-Joinville há poucas semanas inaugurou sua galeria de exposição (onde fico feito um panaca por seis horas diárias) e o cine-teatro.



As programações das peças teatrais (e dos shows musicais) estão diversificadas, agora estão sendo exibidos os filmes do catálogo do CINE-SESC. A empresa SESC tem uma lista interessante de filmes, desde premiados com Oscar aos filmes dos maloqueiros do Jim Jarmursch ou Alejandro Jodorowsky.

Além do investigado e o investigador



Hoje, amanhã e sexta-feira ocorrerão exibições de filmes, sempre as 19h30 e como todos os eventos do SESC a entrada é franca. O meu destaque vai para o filme de sexta-feira que é “A vida dos outros”, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado. Pouco importa já que a riqueza do filme está no tema, no clima, nos desenvolvimentos dos atores e das atrizes, na direção. Coisa boa mesmo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Por uma organização anarquista local

O fruto de anos nos movimentos sociais, entidades de classes e organizações populares nos levaram a iniciar uma discussão em torno da necessidade de uma organização anarquista local.


Um grupo fechado por três meses discutiu o tema e ontem lançou a carta de apresentação:


"A nossa visão é de um anarquismo organizado politicamente e na militância social, inserido até a medula nos movimentos sociais, organizações populares, movimento estudantil e nas entidades, sempre buscando construir lado a lado, jamais dirigindo como habitualmente a esquerda tradicional e institucionalizada realiza nas lutas sociais, ou tendo qualquer atitude vanguardista, como desejam certos teóricos." Clique aqui e leia a carta completa.


Vamos lutar!!!


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Importante é não confundir o "Pró-CAO" com o GEIPA. O primeiro é uma discussão entre anarquistas inseridos nos movimentos sociais, populares, culturais e entidades de classe, onde é necessário se afirmar como anarquista reivindicando o socialismo e transforamação radical da sociedade. Já o GEIPA é um simples grupo de estudo, independente do "Pró-CAO", e participação não é baseada em critérios ideológicos. mas que algumas pessoas participam das duas movimentações.


domingo, 13 de setembro de 2009

Sem paciência

Os meus últimos dias estão ocorrendo sem paciência. Há semanas ao lado do computador tem um livro sobre o Teatro Oficina e não tenho paciência para retirar, sem paciência para recolher do chão as quatro canetas subtraídas de diferentes pessoas e, inclusive, sem paciência para atualizar o blogue.



Nos longos minutos de olhos voltados para a tela tem me deixado intrigado já que poderia comentar o lançamento do livro do historiador, músico e blogueiro Marx, poderia comentar da montagem da peça “Marco” e até mesmo dos pensamentos doentios promovidos nas minhas horas como mediador numa galeria de arte contemporânea.



Mas, somente registro a regra básica para lidar com uma pessoa sem paciência: manter uma paciência universal. Caso você queira saber por onde li a regra para lidar com as pessoas sem paciência, volto afirmar: não tenho paciência. Nem para mentir e esconder que sou autor da regra, porra.



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Eu, verão de 1985-86 ou 86-87, nas últimas férias que passei com meu querido pai. Aliás, a única herança que ele deixou foi essa foto, de autoria dele, inclusive o meu olho roxo foi papai que fez.


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p.s 01


A presente postagem não é um recado para as pessoas que amo ou odeio, é somente um aviso que não tenho paciência para postar nada por aqui.


p.s 02


A foto não sou eu, também nem tenho pai, sou um autêntico filho do espírito santo. hahaha

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Verão 04-05 e o Herman

Era o verão de 2004-05. Estava na sede do Diretório Central dos Estudantes da UNIVILLE, que naqueles anos a entidade estudantil era “guiada” por mãos da “Juventude Revolução”, a figura presidencial se chamava Godói, Juliano Godói, em algumas horas ser humano intragável em outras aconteciam conversas sob a tutela de assuntos sérios ou cômicos. Numa ocasião das tardes daquele verão estava por lá Godói e eu e uma garota que prefiro omitir o nome. A nossa conversa era sobre literatura.



Tentarei reproduzir o diálogo:


“Eu: Cara, li um conto impressionante.



Godói: É, qual ¿



Eu: “Bartlebey, o escriturário” do Herman Melville, conhece ¿



Godói: Nunca, não. Me diga que trata..”



Eu passei uns quinzes minutos narrando o conto, as curiosidades e os temperamentos dos personagens dessa curta história. Enquanto o Godói limpava as unhas com alguma coisa pontiaguda. Mas de qualquer maneira estava interessado, ao menos demonstrava.



A garota com a identidade preservada fez o seguinte comentário: “Quanta bobagem, o que esse livro ajudará na revolução¿” Eu fiquei em silêncio e com uma cara gigantesca de perplexidade.

Já o Godói soltou: “ _ _ _ _ _ _ deixa de ser burra.”



A conversa perdeu completamente o clima e a cada dia sentia que o ambiente da Juventude Revolução era um ambiente ausente dos exercícios do pensar e da reflexão. Ambiente que semanas depois potencializaria sua própria destruição, ao menos a primeira parte.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

30 ano de Anistia em exposição virtuals

Fotografias, capas de livros, panfletos, cartas pessoais, desenhos, arte, recortes de revistas, de jornais produzidos no Brasil, nos países da América Latina e em outros países do mundo que buscavam abertura para a democracia representativa e direitos humanos foram retiradas dos arquivos pessoais e públicos para a exposição "30 anos de Anisitia" publicados na página da Fundação Perseu Abramo.



A exposição “30 anos de Anistia” é interessante por trazer um banco de imagens e informações importantes para o debate da história recente do Brasil, mesmo que os movimentos sociais e o sindicalismo revolucionário não entraram na pesquisa. Afinal, trazer importância do anarquismo para a História do Brasil já é demais.


"O jornalista Hamilton Almeida Filho demonstrou na redação do jornal Movimento, em 1978, o método de tortura largamente utilizado durante toda a ditadura. [Fonte: Movimento, 09/10/1978]"


A exposição “30 anos de Anistia” tem a curadoria da Dainis Karepovs e Glaucia Cristina Candian Fraccaro ligadas a Fundação Perseu Abramo, que segundo a página da Fundação diz que “foi criada em 1996 pelo Partido dos Trabalhadores para desenvolver projetos de caráter político-cultural. Recebeu o nome de Perseu Abramo para homenagear o jornalista e professor universitário que participou da fundação do PT e sempre trabalhou para a construção do modo petista de refletir e formular.


O mundo e suas contradições: A Fundação ligada ao PT . O mesmo PT do governo federal, onde tem papel omisso frente à revisão da anistia que beneficiou os-as criminosos-as brasileiros, que em nome do Estado Brasileiro, perseguiram, torturam e mataram todos-as aqueles-as lutadores-as por democracia e direitos humanos.


IELUSC e UNIVILLE : uma dupla perigosa

"Sem decorações verdes" é o nome da matéria do Marcus, estudante de jornalismo do IELUSC, que aborda a questão da aproximação ou unificação ou uma "simples" parceria entre a UNIVILLE e IELUSC.


A) Vale a pena conferir a matéria.


B) Os estudantes do IELUSC e da UNIVILLE precisam arregalar os olhos, pois a UNIVILLE tem um nefasto histórico de práticas anti-democráticas e discursos democráticos com pessoas "bem" vestidas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Um ano depois

A foto é do Gritos dos-as Excluídos-as de 2008, autoria do Salmo Duarte, e registra a polícia militar de Santa Catarina retirando os militantes do Movimento Passe Livre de Joinville, do CALHEV e de outras entidades populares e organizações políticas da cidade que protestavam contra a prisão de um militante do Movimento Passe Livre, leia mais aqui.


O ato de 2008 marcou de maneira negativa, as razões:


A) A prisão do militante por fazer alusão a Ditadura Militar Brasileira e a necessidade do direito à memória.


B) A postura do Sindicato dos Mecânicos de Joinville, filiado a CUT, e totalmente atrelada a base do atual governo Petista da cidade.


C) A postura da Polícia Militar servindo aos interesses de uma minoria de farda.


Hoje, 07 de Setembro de 2009, o defile do Sete de Setembro foi cancelado. O argumento é aglomeração de pessoas e a gripe.



Bem, com o aumento na tarifa da água, na tarifa do transporte coletivo, a formação excludente do Conselho Municipal da Cidade, a questão da moradia e da saúde não seria uma razão política para cancelar o desfile, já que os Gritos dos-as Excluídos-as desse ano as vozes seriam mais altas ?





domingo, 6 de setembro de 2009

Próximo encontro do GEIPA

“Ser coletivamente livre é viver no meio de homens livres e ser livre pela liberdade deles. O homem, já dissemos, não poderia tornar-se um ser inteligente, dotado de uma vontade refletida, e, por conseqüência, não poderia conquistar sua liberdade individual fora e sem o concurso de toda a sociedade. A liberdade de cada um é, portanto, o produto da solidariedade comum. Mas essa solidariedade, uma vez reconhecida como base e condição de toda liberdade individual, evidencia que, se um homem está no meio dos escravos, ainda que fosse seu amo, seria necessariamente o escravo de sua escravidão, e só poderia tornar-se real e completamente livre por sua liberdade. Portanto, a liberdade de todo o mundo é necessária à liberdade; daí resulta que não é absolutamente verdadeiro dizer que a liberdade de todos seja o limite de minha liberdade, o que equivaleria a uma completa negação desta última. Ela é, ao contrário a sua confirmação necessária e sua extensão ao infinito.” Bakunin


"O mês de setembro o Grupo de Estudos das Idéias e Práticas Anarquistas promove um encontro para discutir o livro “Catecismo Revolucionário – Programa da sociedade da revolução internacional” do Mikhail Bakunin, lançado no Brasil pela Editora Faísca e com lançamento no mês de abril em evento promovido pelo próprio GEIPA.


A retirada do textos é na Casa de cópias, no endereço na Rua Coronel Francisco Gomes 1265 - Bucarein, Joinville-SC Fone: 47-3028-7355 ( no sentido centro para zona sul é uma quadra antes do BIG, ao lado da FCJ)


Enquanto o local para a reunião de estudos é o Centro de Direitos Humanos de Joinville “Maria Graça Braz” (RUA DOUTOR PLÁCIDO OLÍMPIO DE OLIVEIRA, 660 - BUCAREIN CEP: 89202450 - JOINVILLE – SC).


Data do encontro 12 de setembro de 2009 – sábado.

Horário: 15 às 17 horas."

Informações do GEIPA aqui.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Dalbosco está errado

<--- Eduardo Dalbosco, secretário de Planejamento do governo petista em Joinville, escreveu um infeliz artigo para o jorna A notícia de ontem. Abaixo reproduzo a minha resposta enviado para o jornal, do Felipe Rodrigues e do Blogueiro Neander.

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Eduardo Dalbosco, secretário de Planejamento de Joinville, escreveu o artigo “Dialogar”, onde aponta que muita gente ficou “surpresa – talvez até atônita” com a “cultura participativa” instaurada pela gestão petista na PMJ.


A cidade que vivo o prefeito e inclusive o secretário do planejamento ouviram a Frente de Luta pelo Transporte Público e não realizaram o compromisso assumido, pelo contrário aprovaram o aumento da tarifa no transporte coletivo sem realizar o Fórum para discutir o transporte. Posterior ao aumento, o Movimento Passe Livre e o CALHEV voltaram a pressionar e nada.


A conferência da cidade foi um completo equivoco, um jogo de cartas marcadas a favor da ordem política de exclusão das vozes dissidentes da cidade, ou seja, não sabendo viver com a diferença política.


O artigo me deixou preocupado, pois Eduardo Dalbosco está sofrendo sérios problemas, que afeta sua visão da cidade ou estamos vivendo em duas cidades diferentes.

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Resposta do Felipe Rodrigues, que o Jornal A notícia não publicou.


Exemplo da “capacidade da coalizão petista de dialogar, de tornar público” da “revolução democrática, constituinte da cidadania”, da “vontade pública exercida pelo poder conferido pelo voto” da “participação popular é mesmo uma festa, pois todos são iguais e assim se reconhecem” e de “governar é democratizar a decisão” que o Secretário de Planejamento de Joinville diz estar acontecendo na atual gestão política partidária da cidade em artigo de 03 de setembro no AN é a Conferência das Cidades, na qual entidades populares representativas de estudantes, dentre outras tiveram sua participação impedida ou dificultada por questões puramente burocráticas como um CNPJ. Ou ainda o aumento da tarifa de transporte coletiva, onde após diálogos, organização, manifestações e ocupações, a ação tomada foi perfeitamente idêntica à das épocas de “domínio autocrático”, com um aumento arbitrário justificado com os discursos também idênticos aos do tempo da autocracia. A história se repete. A quem esses P’s ainda pensam que enganam?

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Resposta do blogueiro Neander, essa publicada no Jornal A notícia de hoje.


O texto “Dialogar, sim” (3/9), do secretário de Planejamento, Eduardo Dalbosco, é ingênuo ou mal-intencionado. Ingênuo se ele acredita que os espaços que são abertos para discussão na cidade têm mesmo potencial democrático, como ele afirma.


Quando as vozes se levantaram contra o aumento da tarifa de ônibus, quem foi ouvido? Quem são os representantes do Conselho da Cidade? A maioria dos representantes populares foi impedida de participar por questões burocráticas.


Uma gestão participativa e democrática está muito longe de abrir canais para diálogo com a população. Está apenas onde a população vive em diálogo e toma as decisões referentes ao seu cotidiano.

Douglas Neander

Joinville


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"Os palhaços" e a censura de boca

“Os Palhaços” é um livro de Miraci Dereti, lançado no ano passado por meio das mãos do organizador Cristóvão Petry, com valor fundamental para a história das expressões artísticas, culturais e políticas da cidade. A peça montada no ano de 1968, recorte temporal pouco estudado e discutido, um legitimo demonstrativo da tentativa dos escribas oficiais da história local em escamotear os tais anos de chumbo.



Os valores artísticos estão relacionados por se tratar de um texto de teatro, escrito por Miraci Dereti, que traz os palhaços de uma cidade imaginária, onde qualquer semelhança com qualquer cidade não é mera coincidência. A reprodução integral do texto, da equipe técnica e dos atores e das atrizes da companhia O Teatro Renascença torna-se fundamental para disponibilizar ao público interessado ao tema.



A expressão cultural é mais um valor do lançamento da obra por questões da existência de uma cultura autoritária na cidade, ao mesmo tempo de uma cultura de resistência, mesmo em menor grau, mas que ontem existiu e hoje insisti em viver e resistir. Basta levantarmos os olhos para os diferentes horizontes.


Cristóvão Petry segura a edição original da peça "Os Palhaços" de Miraci Dereti.


A introdução do livro, escrita por Cristóvão Petry, aponta para a existência da “censura de boca”, pessoas mesmo não sendo censoras federais, pressionavam e agiram como um censor, impossibilitando a montagem da peça com uma visão política da cidade. Sendo que, o “censor de boca” tinha um alicerce, além da própria Ditadura Militar (1964-85), que era uma cultura autoritária, enquanto a cultura de resistência era pequena naqueles anos da cidade com 70.687 habitantes.



O valor político está por resgatar um olhar diferenciado da cidade, um olhar diferente ao status quo daqueles tempos, uma posição frente a uma realidade desigual sustentada por militares e civis que freavam o elemento para muitos essencial numa República: a liberdade individual de escolha. Talvez por isso o autor, Miraci Dereti, fez a opção de participar do único jogo político aceito, onde se instituíram o bi-partidarismo com as siglas ARENA ou MDB, onde Miraci levou suas posições políticas divergentes das ordens dos militares e da cultura autoritária da cidade para o MDB.



Nos dias de hoje, enquanto os escribas oficiais insistem em deixar a passagem da Ditadura Militar por Joinville, os-as historiadores-as buscam deixar de lado a paixão como um elemento fundamental na pesquisa e na escrita da histórica. O Cristóvão Petry vai por outro rumo, de resgate apaixonado da peça “Os Palhaços” e desse fragmento histórico esquecido por alguns e desconhecido por outros-as.


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O recorte de jornal da época retirei do blog http://cristovaopetry.blogspot.com/


A segunda foto é do Jesse, fotográfo do Jornal A notícia.