domingo, 27 de setembro de 2009

Cidade como pauta na REVI

A REVI - Revista Eletrônica do IELUSC - é uma fonte interessante de notícias, informações e artigos voltados a realidade de Joinville. A base das publicações são produzidas por estudantes do curso de jornalismo do IELUSC.


O portal é de uma instituição privada de ensino, onde já exerceu uma censura quando o estudante Marcus abordou a parceria da UNIVILLE com IELUSC, porém nenhum blogue ou página virtual do jornalismo "profissional" da cidade superou a variadade de temas e linhas de abordagens. As razões vão de número de contribuidores, questão de mercado e linhas ideológicas.



Reproduzo uma matéria sobre o crescimento populacional da cidade, assinatura do texto é da Francine T. Ribeiro, que não faço quem seja, mas sempre é bom dizer autoria das coisas.


"A grande e pequena Joinville

Francine T. Ribeiro



Quatrocentos e noventa e sete mil, trezentos e trinta e um: esse é o número de habitantes de Joinville, conforme o levantamento de 2008 divulgado em agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O tão estimado número de 500 mil habitantes ainda não foi alcançado. A cidade obteve um crescimento de 1,05% no último ano – o que é pouco, se comparado com cidades como Jaraguá do Sul e Balneário Piçarras, que tiveram um índice acima da média estadual. Mesmo não tendo ainda uma população de metrópole, Joinville já esboça problemas e demandas típicas das grandes cidades.



Segundo o último censo completo realizado pelo IBGE na cidade, em 2008, os veículos pequenos que circulam pelas ruas de Joinville chegam a 155.793 – algo equivalente a um carro de passeio para cada três pessoas. Há, ainda, 40.433 motocicletas e 7.006 caminhões na frota, números desproporcionais se considerados os 798 ônibus contabilizados – um para cada 623 cidadãos. Como resultado dessa matemática, Joinville tem um trânsito cada dia mais difícil.



O administrador de empresas Romeu Reeck Filho trabalha na zona industrial Norte e mora na zona Sul. Todos os dias ele atravessa a cidade, levando em média 45 minutos para realizar o trajeto. “Às vezes, opto pela BR-101, assim chego mais rápido”, afirma. Romeu não vê problemas em transitar nas ruas dos bairros, mas diz que as avenidas centrais congestionam a qualquer hora do dia. “Não há planejamento, nem projetos para isso mudar. O corredor de ônibus foi uma iniciativa muito boa, pois com ele o trânsito de carros flui, mas ainda há muito que ser feito”, avisa.



Se analisadas a partir dos números, as opções culturais e de lazer também deixam a desejar. Hoje, a cidade dispõe de três teatros e cinco cinemas. Pelos cálculos, cada teatro responderia pela demanda de 165,7 mil espectadores e haveria 99,4 mil joinvilenses para cada sala de projeção, estrutura desprezível se comparada com aquela oferecida por uma cidade como Florianópolis. A capital do estado tem uma população aproximadamente 25% menor e uma extensão territorial 75% menor que Joinville, mas oferece 16 cinemas e treze teatros. Recentemente, Joinville obteve o sexto lugar nacional em pesquisa realizada pela Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (MinC), em parceira com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). O estudo mostra que Joinville está entre os dez municípios brasileiros com os maiores valores no Índice de Gestão Municipal em Cultura (IGMC). Essa pesquisa avalia apenas se as prefeituras dispõem de recursos e meios para atuar na área da cultura, portanto não tem como objetivo medir a oferta e o acesso da população aos bens culturais.



Para o preparador de ferramentas Nilson Vanderlei Weirich, não são insuficientes apenas as opções de cinemas e teatros existentes na cidade, mas também são poucos os parques ecológicos para o lazer da família. “Não temos parques para passearmos. Com os recursos naturais que possuímos, poderia se investir mais em infra-estrutura. Temos uma rede ferroviária que poderia oferecer roteiros nos finais de semana”, afirma. Nilson também acredita que o crescimento da cidade não tem acompanhado o aumento da frota veicular e da população. “Não está havendo investimento e ampliação de ruas ou construção de viadutos em alguns pontos da cidade. Transitar nos horários de pico, em algumas ruas de Joinville, se tornou algo complicado”, conclui.



O trânsito também é um problema enfrentado pelo analista de sistemas Fábio Nakazoni, que encontra nos horários das 8 e das 18 horas os maiores engarrafamentos. “A frota aumentou muito e as rotas não foram adaptadas para atender a demanda. Houve melhoras com o aumento da Marquês de Olinda, a mudança do fluxo na Expedicionário Holz e a rótula na Otto Pfutzenreuter, mas ainda faltam viadutos no Centro, na zona industrial e no bairro Boa Vista, por exemplo”, diz. Nakazoni acredita que áreas de lazer como zoológicos e parques infantis seriam ótimas opções para os joinvilenses. “Estive recentemente no Morro do Finder e achei um lugar interessante para quem gosta de trilhas e caminhada”, finaliza.



Ainda que o raciocínio leve em consideração apenas números brutos de população, frota de veículos e salas de cinema e teatro, é possível perceber que, enquanto não é alcançada a marca dos 500 mil habitantes, a maior cidade do estado incha à margem de um crescimento mais justo ou harmônico. Para Joinville, os aumentos numéricos deveriam andar no compasso das melhorias na qualidade de vida."


FONTE: http://redebonja.cbj.g12.br/ielusc/revi_2005/revi_mod_reg.php?id=8912

2 comentários:

Wesley disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Wesley disse...

ainda sobre a postagem anterior:


Quando uma mostra de filmes (ou de outras manifestações artísticas) israelenses não receberia tal acusação? Visto que a região vive em conflito permanente.