quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"Os palhaços" e a censura de boca

“Os Palhaços” é um livro de Miraci Dereti, lançado no ano passado por meio das mãos do organizador Cristóvão Petry, com valor fundamental para a história das expressões artísticas, culturais e políticas da cidade. A peça montada no ano de 1968, recorte temporal pouco estudado e discutido, um legitimo demonstrativo da tentativa dos escribas oficiais da história local em escamotear os tais anos de chumbo.



Os valores artísticos estão relacionados por se tratar de um texto de teatro, escrito por Miraci Dereti, que traz os palhaços de uma cidade imaginária, onde qualquer semelhança com qualquer cidade não é mera coincidência. A reprodução integral do texto, da equipe técnica e dos atores e das atrizes da companhia O Teatro Renascença torna-se fundamental para disponibilizar ao público interessado ao tema.



A expressão cultural é mais um valor do lançamento da obra por questões da existência de uma cultura autoritária na cidade, ao mesmo tempo de uma cultura de resistência, mesmo em menor grau, mas que ontem existiu e hoje insisti em viver e resistir. Basta levantarmos os olhos para os diferentes horizontes.


Cristóvão Petry segura a edição original da peça "Os Palhaços" de Miraci Dereti.


A introdução do livro, escrita por Cristóvão Petry, aponta para a existência da “censura de boca”, pessoas mesmo não sendo censoras federais, pressionavam e agiram como um censor, impossibilitando a montagem da peça com uma visão política da cidade. Sendo que, o “censor de boca” tinha um alicerce, além da própria Ditadura Militar (1964-85), que era uma cultura autoritária, enquanto a cultura de resistência era pequena naqueles anos da cidade com 70.687 habitantes.



O valor político está por resgatar um olhar diferenciado da cidade, um olhar diferente ao status quo daqueles tempos, uma posição frente a uma realidade desigual sustentada por militares e civis que freavam o elemento para muitos essencial numa República: a liberdade individual de escolha. Talvez por isso o autor, Miraci Dereti, fez a opção de participar do único jogo político aceito, onde se instituíram o bi-partidarismo com as siglas ARENA ou MDB, onde Miraci levou suas posições políticas divergentes das ordens dos militares e da cultura autoritária da cidade para o MDB.



Nos dias de hoje, enquanto os escribas oficiais insistem em deixar a passagem da Ditadura Militar por Joinville, os-as historiadores-as buscam deixar de lado a paixão como um elemento fundamental na pesquisa e na escrita da histórica. O Cristóvão Petry vai por outro rumo, de resgate apaixonado da peça “Os Palhaços” e desse fragmento histórico esquecido por alguns e desconhecido por outros-as.


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O recorte de jornal da época retirei do blog http://cristovaopetry.blogspot.com/


A segunda foto é do Jesse, fotográfo do Jornal A notícia.



2 comentários:

Neander disse...

Tempos atrás, quando eu ainda não tinha abandonado tudo em favor dos estudos para concursos, eu andei dando uma olhada pela história de Guaratuba, lembra? Então... eu sei que fiquei meio abismado com a fala geral de que "não houve nenhuma resistência ao regime militar em guaratuba".

Acho essa fala estranha, duvido que, mesmo em pequena escala, nada tivesse acontecido. Será que o fato da classe política vigente na cidade ser a mesma daquela época ajuda a manter esse discurso?

Anônimo disse...

Neander,

nas dias do teu entusiasmos em pesquisar a história daí comentei para você procurar as pesquisas realizadas na UFPR, deve existir alguma coisa referente ao período militar por todo o estado do Paraná.

Abraço
mk
www.vivonacidade.blogspot.com