segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Os comediantes de quinta da habitação (ou: A polícia para fazer a política habitacional)

Na coluna AN PORTAL, do Jefferson Saavedra, durante por seis dias (20 a 25 de outubro de 2009) saiu uma estranha nota da Secretária de Habitação de Joinville e toda a conseqüência da história. Aqui, hoje, vou me prender a primeira nota. Aliás, os protagonistas da nota são péssimos comediantes.




As informações da Nota é que está sendo organizada uma “Invasão com mais de 500 famílias”, onde sete pessoas são de Joinville e uma é de fora, mesmo com os supostos organizadores serem a maioria da cidade, o grande líder e mentor é de fora. Quem sabe estejamos prestes a conhecer um novo Mao Zedong, um novo Lênin ou quem sabe um novo Guevara. Mas ao se portar como dirigente das “massas” não deixa de ser um comediante de quinta.




O secretário da habitação, Alsione Gomes de Oliveira Filho, filiado ao PDT, informou que a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil estão por dentro de toda a investigação, inclusive a Polícia Civil está no apoio a PMJ - Prefeitura Municipal de Joinville - para “evitar a suposta invasão”. Ou seja, os aparelhos repressivos do Estado, a Polícia, mais uma vez são convidados para defender a propriedade privada e manter a “ordem” na cidade do “trabalho”. Pois bem, o governo do dialogo se faz presente com a polícia para quem deseja falar em perspectiva diferenciada no fictício diálogo do Eduardo Dalbosco, secretário do planejamento.




Uma curiosidade é o comediante de quinta, metido a político, José Teixeira Chaves, diretor executivo da Secretária da Habitação de Joinville, onde argumenta a necessidade de evitar a chegada das famílias de fora da cidade para a “suposta invasão”. O Zeca, como é conhecido José Teixeira, durante os Gritos dos-as Excluídos-as 2008 ou 2007 estava fantasiado de trabalhador explorado pela Fundição Tupy. Uma pessoa de fora da fábrica levantando bandeira dos-as trabalhadores-as naquele momento era nada demais. A ironia de hoje é perceber que o Zeca poderia ser “gente de fora” ao apoiar a pauta dos-as trabalhadores-as da Tupy, agora “gente de fora” para ocupar terras ou lotas não é permitido.




Outra curiosidade é a autoria da Nota da Secretária da Habitação, segundo consta é do assessor de imprensa Robson da Cunha. Quem não sabe do histórico do rapaz, não custa informar, pois o mesmo é reconhecido na internet por fazer defesas da homofobia, se posicionar contra qualquer manifestação popular e dos movimentos sociais. O mais intrigante é o fervoroso discurso anti-petismo do Robson da Cunha, agora silenciado por conveniência política.



A última curiosidade é que ao observarmos a história da formação do PT de Joinville, especialmente nos anos oitenta, podemos identificar uma relação muito próxima com as ocupações nas regiões de mangue, onde filiados-as do PT levantaram as mangas e foram lutar com a classe explorada. Pois bem, no presente se faz necessário deixar de lado a história e a questão habitacional deixa de ser um debate em torno do direito político de fazer à cidade. É caso de polícia.




No presente contexto é perceptível a questão habitacional poderá explodir. Não será como obra de “gente de fora” organizando, mas sim como obra das pessoas que realmente precisam de um teto, onde vivem em situações de miséria e sofrimento perpetuados pelo atual modelo de diálogo, habitacional e da democracia representativa. Aí, quem sabe a comédia de quinta deixe de existir , pois quem produzirá a risada serão os-as marginalizados-as e sem teto da cidade de Joinville: ocupando casas, lotes e rindo dos políticos profissionais.

2 comentários:

Tatiane disse...

Sabe, que eu tenho acompanhado essa administração de longe, e quando falo longe é de longe mesmo... E quando li essas declarações vindas da administração pública fiquei bem preocupada. E nessas horas eu não queria estar de longe, queria saber se é isso mesmo que algumas pessoas pensam.
Afff

H. disse...

Ótimo post. A historiografia soviética stalinista passava a borracha no passado. O PT é obrigado, em sua conversão aos ricos, a fazer o mesmo.
Sobre Robson Cunha, acho que mal vale a menção: qual é a política habitacional que ele defende?
Abs.
h.