segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Que Marvin Gaye olhe...


que Marvin Gaye olhe por nós, porque deus já ligou o foda-se

Picket lines and picket signsPiquetes e cartazes
Don't punish me with brutality Não me puna com brutalidade
Talk to me Fale comigo
So you can see Então você poderá ver
What's going on O que está acontecendo
Ya, what's going on Sim, o que está acontecendo
Tell me what's going on Diga o que está acontecendo
I'll tell you what's going on - Uh Eu direi o que está acontecendo
Right on baby Certo baby
Right on baby Certo baby




















sábado, 28 de novembro de 2009

John Reed: um jornalista e socialista.

A cidade não me paga o que eu trabalho… Eu vou dormir no parque... O guarda da cidade vem e me manda embora... Para onde eu vou? Pro inferno! Não é uma boa?

John Reed no conto “O capitalista” publicado no livro “O filho da revolução”.


Fotografia de Henri Cartier Bresson



O ato de ler os contos reunidos no livro “A Filha da Revolução” de John Reed, lançado no Brasil há nove anos, traz o encanto de perceber os conflitos humanos e as cidades na literatura, ora como cenário ora como protagonista. John Reed, a sua maneira, talvez por conta das suas experiências como o “maior jornalista das primeiras décadas do século XX”, envolveu os seres humanos e as cidades com traços ficcionais e reais, pouco importando a linha do real e do imaginário, mas fazendo dos seres humanos rotos e esfarrapados como portadores de simplicidades ou estupidez, sem idealizar os fodidos das cidades. Fazendo da literatura não objeto de defesa de tese, mas objeto de questionamentos das condições humanas dentro de um conflito de classe, é claro.



Filme baseado na vida de John Reed.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Mais uma vez....


Mais uma vez escrevo sobre a peça MARCO. A razão é que o presente final de semana é o último da temporada 2009, depois somente em 2010 em lugares como o Teatro Juarez Machado e outros espaços - os convintes estão chegando. No elogiado (hehehe) blog da montagem da peça tem comentários de pessoas que foram assistir a peça, clique aqui e leia.

27 de Novembro de 2009 – sexta-feira.

Horário: 20 horas

Entrada inteira: R$ 10,00

Meia entrada: R$ 5,00 (estudantes e pessoas com mais de 60 anos)

Local: Galpão de Teatro da AJOTE.

Cidadela Cultural Rua XV de Novembro, 1383 – América


28 de Novembro de 2009 – sábado

Horário: 20 horas

Entrada inteira: R$ 10,00

Meia entrada: R$ 5,00 (estudantes e pessoas com mais de 60 anos)

Local: Galpão de Teatro da AJOTE.

Cidadela Cultural Rua XV de Novembro, 1383 – América


29 de Novembro de 2009 - domingo

Horário: 20 horas

Entrada inteira: R$ 10,00

Meia entrada: R$ 5,00 (estudantes e pessoas com mais de 60 anos)

Local: Galpão de Teatro da AJOTE.

Cidadela Cultural Rua XV de Novembro, 1383 – América


INFORMAÇÕES COMPLETAS DA MONTAGEM E DA CIA RÚSTICO TEATRAL

rusticoteatral@gmail.com

http://marco-umacenapoetica.blogspot.com/

47 – 99413774 (Maikon)


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Como era o meu pai?

Pergunta simples para aqueles que têm um amor gigantesco do tamanho de toda pieguice necessária para descrever. Uma pergunta difícil para quem odeia a figura autoritária, facilitando a criação de uma estúpida fabula de duas páginas e pensar que é o novo Orwell. As duas opções estão aí.



Uma opção de pai:



Uma excelente figura paterna, daquelas que passava as horas com seu cargo de direção numa grande empresa de Joinville. Na verdade, não posso descrever sabiamente o trabalho do meu pai, pois ele não tinha o hábito de comentar seus problemas fabris, mesmo ocupando um cargo que denotava grandes responsabilidades. As suas noites eram em casa ou praticando seu esporte favorito, o bolão, chegando a disputar grandes competições.



A outra opção de pai:



Uma excelente figura paterna, daqueles que não tentava impor seus desejos, onde as minhas escolhas eram apoiadas, onde ele mantinha um olhar distante creditando confiança nos meus rumos. Quando os problemas estivessem evidentes, mas aos meus olhos houvesse uma neblina, logo ele corria e estendia as mãos, os braços, os ombros, os ouvidos, a boca e o coração.




Nenhumas das opções estão corretas. A minha imaginação, muito criativa para as hipóteses de como era o meu pai, está desativada, como uma máquina. Hoje, sou um homem adulto, ainda sem pai, só que agora com plena certeza de que ele está morto e enterrado, condição que impõe o fato de jamais saber como ele poderia ter sido, além do que realmente foi: ausente.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O povo da História (ou: memórias de um ex-estudante de historia)

A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou, no modo de definir toda a realização humana, uma evidente degradação do ser em ter. A fase atual, em que a vida social está totalmente tomada pelos resultados acumulados da economia, leva a um deslizamento generalizado do ter para o parecer, do qual todo “ter” efetivo deve extrair seu prestígio imediato e sua função última. Ao mesmo tempo, toda realidade individual tornou-se social, diretamente dependente da força social, moldada por ela. Só lhe é permitido aparecer naquilo que ela não é.”


Guy Debord no livro Sociedade do Espetáculo.



O povo da história não vai ao teatro. Assertiva ouvida por esses dias, não fiquei calado, já fui à defesa do povinho mais ou menos da história, questão de defesa da classe. No fundo deveria ter ficado calado, no máximo ter soltado um “será?”



A razão do meu silêncio serviria para sentenciar a verdade, não adianta esconder, o povo da história, isso incluí os-as professores-as da graduação, não desenvolveram, ou está escondido, o hábito de ir ao teatro, ao cinema, as mostras de artes, aos debates públicos, aos eventos independentes e afins. Existe uma minoria, já graduada e ainda em processo de graduação, que estão nos espaços citados, sempre os mesmos rostos.



Num parágrafo podemos citar os eventos ocorridos no Teatro do SESC, as sessões de filmes do Ciclo de Cinema, o Clube de Cinema do Ielusc, os Saraus na Estação da Memória, os eventos do DCE da UNIVILLE, os eventos do GEIPA e tantos outros. Exemplos que vão do domingo ao domingo, com entrada franca. E nada do povinho mais ou menos da história dar as caras.



Por um tempo acreditei que a razão era falta de grana, mas o argumento não é mais possível sustentar. Já que quando o evento envolve festa, cerveja, role hardcore, SxE ou Skin todos estão dentro até o pescoço. É melhor nem cair no que remete a política, pois aí o povo da história se afirma como envolvido, no mesmo caso somente uma minoria se mantém politizada e envolvida organicamente.



O X da questão é que indo aos tais os espaços não seremos seres humanos “mais avançados”(sic), mas ajudará na formação das nossas sensibilidades. Já que nada adianta viver de imagem, muitas vezes construídas por pessoas de fora do curso de história. Somos produtos da mesma história, estamos no mesmo lixo, na mesma lama da aparência e da pretensa auto-suficiência. É uma grande merda concluir o meu texto com a possibilidade de Guy Debord estar certo, já que o povo da história faz o permitido, o ato de parecer, como escreveu o elitista Debord.


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NOTA EXPLICATIVA: A utilização do fragmento de Debord é uma ironia. Simplesmente uma piada sem graça. Mais sem graça quando se faz necessário explica-la.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ontem era Sacco e Vanzetti, hoje é FAG e Battisti



Concluir a leitura do livro Sacco & Vanzetti, de Howard Fast, em pleno momento em que a Federação Anarquista Gaúcha passa por uma tremenda criminalização, Cesare Battisti é mantido preso e sua extradição poderá ser executada pelo governo brasileiro, faz se consolidar a idéia de que ainda somos (nós, os-as socialistas) uma pedra no sapato da classe dominante.


domingo, 22 de novembro de 2009

Cesare Livre: debate


Existe o discurso de que a lei é clara, basta seguir o que está escrito, a lei não se discute, se aplica, independente do contexto político, econômico, cultural e social. O fato é que todos esses discursos são essenciais para fazer política com nome de justiça. Um exemplo é a justiça brasileira manter no cárcere o preso político italiano Cesare Battisti, o exemplo ganha mais evidência quando a Justiça Brasileira e o Governo Brasileiro, sim o LULA, insistem em mantê-lo preso e enviar para Itália, onde possivelmente a morte o aguardará, já que muitos presos políticos italianos tiveram a morte no cárcere. Então a dica é assistir o debate via internet, no próximo dia 24 de novembro de 2009, 18h30, discutir o tema com amigos-as, companheiros-as de trabalho e de luta, levando o debate para os variados espaços.



Mais informações no Passa Palavra e Cesare Battisti Livre


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Em busca de si

"Em busca de si" é o nome da matéria publicada no caderno Anexo, do jornal Anotícia. Clique aqui e leia. Sobre "MARCO", a peça da CIA Rústico Teatral, já disse muito sobre a montagem por aqui e por aqui. Agora, caso queria assistir é seguir as informações do cartaz.

Quando o pai morre

Eu, sem pai a vida toda, fico pensando como sou estúpido por sentir saudades do que não vivi, de como fico preso às perguntas que jamais encontrei respostas. No fundo, nesse exato momento, desejo deixar de lado, querendo somente saber, o que se faz quando o pai morre.....

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Músicas da semana: Against Me!

Against Me! tem tocado diaramente no meu quarto, do primeiro ep ao último disco. Por isso, fiz uma seleção de vídeos. Veja, escute e tire suas conclusões.


Sink, Florida Sink


Cavalier Eternal



Problems



We Laugh At a danger... (é ao vivo, é muito foda!!!)


Stop (na Tv e piscadela safada)

domingo, 15 de novembro de 2009

Um réu confesso (ou: a necessidade de mudanças)

“E esse [café] é último sobrevivente, o último dos moicanos doscafés nos quais eu fui formado. Minha universidade foram os cafés de Montevidéu, foi aqui que aprendi a arte de narrar, a arte de contar histórias. (...)aprendi muito mais escutando. Desde muito menino aprendi que, por alguma razão, nascemos com dois ouvidos e uma única boca.”

Eduardo Galeano (1)



Eu não tinha o hábito de ouvir. Gostava de falar, de ser ouvido, jurando que convencia. O abandono da prática de falante foi ocorrendo com passos devagarinhos, ainda mantenho uns quêzinhos de falante. Viu, sou um réu confesso. Ainda bem, já que dizem ser uma importante condição de mudança.



Assumir a condição de réu em processo de mudança não impede de sentir constrangimentos das encrencas, das quantas pessoas importantes deixei de conhecer, de ouvir. Quantos inimigos de classe, seja econômica ou cultural, não ouvi boas histórias de um passado próximo, de uma rua próxima do meu bairro, de uma vida que não tive e nem pensei querer.



A necessidade de mudança de falante que jurava convencer se fez presente no primeiro ano da graduação em história. Felizmente, nos outros quatro anos de graduação universitária ocorreu o aprendizado de ouvinte, era o momento que ouvia muita merda de professores-as portadores de diferentes títulos acadêmicos. Na maioria das vezes ficava em silêncio, somente não levava o desaforo para casa quando as merdas ditas faziam referências ao anarquismo, ao tema cidade, aos direitos humanos, a história da América Latina e as posturas constituídas no CALHEV. Aí, batia o pé e ia ao enfrentamento acompanhado de outras pessoas ou solitariamente, como um peregrino num terreno que tem todos os domínios, ao menos jurava possuir.



A sala de aula não se objetivava a construção do aprender a ouvir. Estava somente desenvolvendo o aprender falar. Felizmente os corredores, o bar, o ponto do zarcão, as salas do CALHEV, do DCE, a Biblioteca, a sala de informática, os banquinhos do campus universitários existiram, por lá se aprendia, se construía a condição de ouvinte, aprendizados não registrados no meu histórico escolar institucional.



Além dos ambientes informais de formação dentro do campus universitário, os diferentes lugares das lutas sociais na cidade foram válidos e dinâmicos a formação – ainda em processo – de ouvinte. Em diferentes momentos ouvir foi dolorido, ora por ser verdade ora por serem mentiras de pessoas equivocadas, de babacas. Continuar a contar sobre os aprendizados nas lutas sociais poderá deixar no ar um pingo de falante que jura convencer. O que não desejo mais.



Um outro campo de aprendizado foi com os amigos e amigas de diferentes idades, dos socialistas radicais aos humanistas liberais. Aí sim, fui o maior protagonista dos ranços mais chatos, inconvenientes e insuportáveis de típico pretenso falante que jurava convencer. Como a relação não era só política, mas de amizade, me fazia portador do título velado de chato, inconveniente e insuportável. No final das tentativas de persuasão ainda tinha a conta paga, uma carona até em casa, uma palavra de conforto ou um delicado abraço. Afinal, eram os amigos e as amigas.



Ao campus universitário não pretendo voltar, então o aprendizado de lá está eliminado. Ainda estou nas lutas sociais e a relação de amizade a cada dia floresce mais que nunca, o que ninguém destruirá, seja uma pessoa supostamente amiga, no fundo mentirosa, seja uma Yeda Crusius e sua polícia política e menos ainda os políticos canalhas e empresários fascista da cidade. Todos os exemplos repressivos são próximos daqueles que realizam a destruição em massa dos cafés onde Eduardo Galeano aprendeu a ouvir.



O fato é que os meus espaços não serão destruídos. Pois são os lugares de encontro com as minhas mudanças pessoais, os meus encontros com a esperança, as possibilidades de transformações cotidianas, lentas, mas vivas e necessárias.


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(1) http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=revista&id=134&iditens=393

Dia dos fodidos

É um domingo para comemorar. Dia da independência, da passagem da monarquia para a república. Não temos nada do que comemorar. Aliás, a história demonstra que foi só mais uma transição política de uma elite para outra, enquanto os fodidos eram fodidos cada vez mais. Na história podemos identificar diversas revoltas ocorridas nas primeiras décadas do Brasil República como a Revolta da Vacina, Canudos, Contestado, Greve de 1917, mobilização do sindicalismo revolucionário e tantos outros levantes populares. Outro fato são as cidades como lugares símbolos dos processos de margilização e exclusão, a formação das favelas, as expulsões das pessoas fodidas, tudo em nome de uma cidade mais “limpa”, prática ainda aplicada como política pública. Se devermos comemorar que seja lembrando dos fodidos reclamantes, dos fodidos que tentaram foder com a vida de quem fodia.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Deu no Anotícia e vai dar na rádio

A experiência com blogue da peça "MARCO" rendeu uma nota no jornal Anotícia.


"O processo criativo de “Marco” foi monitorado pelo blog marco-umacenapoetica.blogspot.com, numa iniciativa inédita da Cia. Rústico coordenada por Maikon Duarte. “Foi ele quem teve a ideia. Eu achava blog uma coisa muito individualista, mas o Maikon assumiu e alimentou. E houve um ótimo retorno, gerou curiosidade”, avalia Samuel."
Leia a nota completa clicando aqui.


Outro fato é que na quinta-feira de manhã o Vini, o Marco na peça, e eu estivemos na Rádio UDESC para conversar com a Ariane. A gravação vai ao ar na quinta-feira da próxima semana no programa "Conversa e poesia". O papo foi sobre o processo de montagem de uma peça, abordando sobre atuação, direção, iluminação, música, contraregra, coreografia e afins. Nos próximos dias escrevo mais informações sobre o programa.



quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ribas

O Ribas, meu amigo, está com um blogue.

Ribas é o vocalista e ao fundo está André tocando baixo, minutos antes de derrubar o cubo. Ambos são da banda Odeie seu ódio.



P.s : a postagem de hoje foi propaganda safada.


terça-feira, 10 de novembro de 2009

Reportagem sobre a presença negra em Joinville

Acabei de ler a reportagem “Afrodescendência: uma história mal contada em Joinville”, de Ludimila Castro, interessantes os apontamentos, caso tenha vontade de ler o esquema é clicar aqui.

A foto acima "representa a parteira e ama-de-leite Inácia, no início do século 20. Sem o sobrenome registrado, ela foi um dos personagens que trabalharam na Colônia Dona Francisca."


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

"MARCO"

O blogue Vivo na cidade está sem atualizações, as razões são as horas de ensaios e toda a correria para a estréia da peça “MARCO”, da CIA Rústico Teatral. Na peça estou fazendo parte dos bastidores, atuando como contra regra, assistente de produção e responsável pelo blogue “MARCO – uma cena poética.” Bem, quando aliviar os passos a mil por hora, volto a publicar com mais freqüência.



Clique aqui e veja as datas da temporada de novembro.



terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um reprodução necessária e válida.

Eu não tenho o hábito de reproduzir artigos ou manifestações textuais sem lançar as minhas considerações, quando faço é por conta de alguma emergência. Hoje será diferente, publicarei o artigo “Declaração dos direitos (dos deveres) dos narradores”, produzido pelo Coletivo Wu Ming, no verão de 2000. Vale a pena se deliciar com a leitura das obras literárias do Coletivo Wu Ming.


"Notas para uma Declaração dos direitos (e deveres) dos narradores(*)


Preâmbulo

O que é um narrador e quais são os seus deveres e direitos?



É narrador (ou narradora) quem conta histórias e reelabora mitos, conjuntos de referências simbólicas partilhadas - ou de alguma forma conhecidas e, quando for caso disso, questionadas, por uma comunidade.



Contar histórias é uma actividade fundamental para qualquer comunidade. Todos contamos histórias, sem histórias não estaríamos conscientes do nosso passado nem das nossas relações com o próximo. Não existiria qualidade de vida. Mas o narrador faz do contar histórias a sua actividade fundamental, a sua “especialização”; é como a diferença entre o passatempo do bricolage e o trabalho de carpinteiro.



O narrador desempenha - ou deveria desempenhar - uma função social comparável à do griot nas aldeias africanas, do bardo na cultura celta, do aedo no mundo clássico grego.



Contar histórias é um trabalho peculiar que pode trazer vantagens para quem o desenvolve, mas contudo é sempre um trabalho, tão integrado na vida da comunidade quanto o de apagar incêndios, cultivar os campos, assistir os incapacitados, etc..



Por outras palavras, o narrador não é um artista, mas um artesão da narração.



Deveres

O narrador tem o dever, de não se considerar superior aos seus semelhantes. É ilegítima qualquer concessão à imagem idealística e romântica do narrador como criatura pressupostamente mais “sensível”, em contacto com dimensões do ser mais elevadas, também quando escreve sobre absolutas banalidades quotidianas.




No fundo também os aspectos mais ridículos e espalhafatosos do ofício de escrever baseiam-se numa versão degradada do mito do artista, que se torna uma “estrela” pelo facto de o considerarem de alguma forma superior aos “comuns mortais”, menos mesquinho, mais interessante e sincero e, num certo sentido, heróico já que suporta os “tormentos” da criação.




Pelo facto do estereótipo do artista “angustiado” e “atormentado” suscitar mais sensacionalismo e possuir mais peso do que a fadiga de quem limpa as fossas biológicas, podemos compreender o quão distorcida está a actual escala de valores.




O narrador tem o dever de não confundir a efabulação, sua principal missão, com um excesso de autobiografismo obsessivo e ostentação narcísica. A renúncia a estas atitudes permite salvar a autenticidade dos momentos, permite que o narrador tenha uma vida para viver sem que seja uma personagem por interpretar sob coacção.



Direitos

O narrador que cumpre o dever de refutar os estereótipos supracitados tem o direito de ser deixado em paz por quem, ao invés, enche os bolsos propagandeando-os (cronistas de costumes, paparazzi culturais, etc.). Qualquer estratégia de defesa contra as intromissões deve basear-se na não sujeição à lógica. Em suma, quem se quer passar por “estrela”, quem posa para estúpidas sessões fotográficas ou quem responde a perguntas sobre todos os assuntos, não tem o direito de se queixar dessas mesmas intromissões.



O narrador tem o direito de não aparecer nos media. Se um canalizador não aparece ninguém lhe pede explicações ou o acusa de snobismo.



O narrador tem o direito de não se tornar numa besta amestrada das soirées ou da coscuvilhice literária.



O narrador tem o direito de não responder a perguntas que não considera pertinentes (sobre a sua vida privada, preferências sexuais, gostos culinários, hábitos quotidianos, etc.).



O narrador tem o direito de não se fingir versado em todos os assuntos.



O narrador tem o direito de se opôr, através da desobediência civil, contra as pretensões de quem o tente privar dos seus direitos (incluindo os editores)."

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

É hoje...

Hoje a Associação de Moradores do Itaum receberá quatro bandas de punk-hardcore (informações no cartaz). Um evento normal, se não a música não estivesse sendo realizada com velocidade, agressividade e amparada na cultura do "faça voçê mesmo", onde dinheiro da iniciativa privada ou de fundos municipais de incentivo a cultura não se fazem necessário para as criações e exibições de uma expressão cultural urbana que é o punk-hardcore.




A realização do evento é do Coletivo Contraparte - clique aqui e conheça.


A banda Entre Rejas tocará no evento, clique aqui e leia uma entrevista conduzida por mim.



domingo, 1 de novembro de 2009

Sem nada para fazer…

Sem nada para fazer durante o domingo, somente um computador ligado e o acesso a internet a dois passos de você? Escrevo sobre três referências blogueiras e afins. Ou seja, canais pessoais que valem a pena perder as horas, especialmente daquelas com uma chuvinhafilhadaputa ou um sol infernal.



Blog do André Forastieri: O leitor mais atendo da Revista Bizz dos anos noventa, da Caros Amigos e dos livros da Editora Conrad não estranhará o nome. O jornalista e editor foi responsável por boas reportagens de bandas bacanas da década de 1990 e lançou autores que você paga pau, mas somente leu um livro. Agora, me diga um blogue onde pode ler “Aliás, também me arrependo um tanto de ter feito tanta propaganda de Hunter Thompson. Agora, qualquer molenga que não sai de frente do computador é “gonzo”.”



Podcast do Camarada D: Eu deixo a entender que sou o entendido de todas as linguagens da internet? Infelizmente não sou, por exemplo, não tenho as manhas de fazer um podcast. Putis, nem expliquei o que é um podcast: é mais ou menos como um programa de rádio virtual, onde é possível disponibilizar suas seleções dos petardos musicais ou gravar suas opiniões e bobagens sobre o mundo. Um podcast que tenho escutado é do Camarada D, além de flamenguista doente e torcedor do avaí, também está envolvido com discussões e ações pertinentes ao tema da mobilidade urbana. Vale a pena escolher qual episódio e ouvir de um punk rock reto ao ska da jamaica ou um hardcore bruto.



Revista APES: Uma revista em formato de blogue, se é que isso existe. Os temas são músicas subterrâneas, barulhentas e agressivas, passando por literatura, cinema e fins. Os comentários sobre os festivais de cinema é um saco para quem vive numa cidade como Joinville, pois filmes bons e variados é caso raro nas telas grandes.