quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Como era o meu pai?

Pergunta simples para aqueles que têm um amor gigantesco do tamanho de toda pieguice necessária para descrever. Uma pergunta difícil para quem odeia a figura autoritária, facilitando a criação de uma estúpida fabula de duas páginas e pensar que é o novo Orwell. As duas opções estão aí.



Uma opção de pai:



Uma excelente figura paterna, daquelas que passava as horas com seu cargo de direção numa grande empresa de Joinville. Na verdade, não posso descrever sabiamente o trabalho do meu pai, pois ele não tinha o hábito de comentar seus problemas fabris, mesmo ocupando um cargo que denotava grandes responsabilidades. As suas noites eram em casa ou praticando seu esporte favorito, o bolão, chegando a disputar grandes competições.



A outra opção de pai:



Uma excelente figura paterna, daqueles que não tentava impor seus desejos, onde as minhas escolhas eram apoiadas, onde ele mantinha um olhar distante creditando confiança nos meus rumos. Quando os problemas estivessem evidentes, mas aos meus olhos houvesse uma neblina, logo ele corria e estendia as mãos, os braços, os ombros, os ouvidos, a boca e o coração.




Nenhumas das opções estão corretas. A minha imaginação, muito criativa para as hipóteses de como era o meu pai, está desativada, como uma máquina. Hoje, sou um homem adulto, ainda sem pai, só que agora com plena certeza de que ele está morto e enterrado, condição que impõe o fato de jamais saber como ele poderia ter sido, além do que realmente foi: ausente.

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