domingo, 27 de dezembro de 2009

Aos domingos


Aos domingos o tempo se faz lento e partidário da nocividade, ao identificar cada centímetro de erros nas memórias individuais.


Aos domingos o sol se faz mais quente. Fazendo a necessidade de uma sombra ao lado do amor que um dia confiou em mim.



Aos domingos as ruas estão em silêncio. O que se escuta é o canto de solidão de um pássaro, é o barulho do galho seco caindo, enquanto os meus pés, ao tocarem o chão quente, fazem sussurros de queimadura.


Aos domingos as pessoas desaparecem. É como um anúncio de que o futuro encontrará a solidão socializada a todos os corações.


Aos domingos se faz necessário aprender com a lentidão, o clima, os silêncios, os barulhos, as pessoas desaparecidas, a solidão e com os erros.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Um amigo catalão



É a última tarde antes do natal. Lá fora faz uma chuvinhafilhadaputa. Um clima ideal para ficar longe das ruas da cidade. Aí, um amigo catalão, envia o vídeo do Fun People tocando “Si pudera”.

Fiquei putasso com o amigo. Ele tentou amenizar dizendo que as vezes é bom ouvir uma música e pensar que as grades estão sendo destruídas e o encontro acontecerá. Maldito catalão metido a poeta.



"Ay si pudiera mi amor
encontrarte otra vez en el lugar de siempre a la hora de siempre.
Tal vez, me entenderias, lo se...
Ay si pudiera, tal vez, encontrarte otra vez
y contarte las cosas que un dia calle por el bien de ambos,¿sabes?
Si pudiera mi amor explicarte el porque
fui solo esa noche a donde ambos soliamos ir.
¿Sabes donde estoy? ¿Donde estoy ahora? Tal vez...
(Sabes amor, a veces no todo es eterno como mi amor por ti.
Tenia un presentimiento y.. te menti.
Yo tenia un pacto y debia cumplir, y no queria involucrarte nillevarte.
No me escape de ti, estoy tras las rejas, y ellas, ellas meseparan de ti."
Si pudera por Fun People.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

2010: Should I Stay Or Should I Go e Por el suelo



“Devo ficar ou devo ir agora?
Se eu for haverá problemas
E se eu ficar haverá o dobro
Então venha e me deixe saber
The clash na música “Should I Stay Or Should I Go”

“Pelo solo caminha meu povo”
Manu Chao na música “Por el Suelo”



Quando digo que sou professor de história e trabalho com teatro as pessoas que estão ausentes da minha vida e distantes dos meus círculos de vivências escutam com certa admiração, no fundo é um falso glamour. A minha vida profissional é uma mentira.


Os meus trabalhos com o teatro voltarão em fevereiro de 2010, enquanto isso nenhum dinheiro estará entrando no meu bolso. A minha sobrevivência será com as economias dos últimos meses, ou seja, quase nada de grana. Quando a grana entrar será pouca, a realidade do teatro em Joinville é complicadíssima, mesmo a cidade sendo referência circuito teatral catarinense.


O governo do Estado de Santa Catarina faz de conta que contrata professores-as. A prefeitura de Joinville é a mesma ladainha. Estou refém das escolas privadas, cujo meu perfil não é adequado. O diploma de professor de história não tem segurança para conseguir um emprego.


As duas experiências profissionais relatadas transcorreram no presente ano, quando diferentes elogios foram destinados a mim, inclusive aplausos de pessoas que tenho como referência no teatro e no ensino da história. O que me faz acreditar que caminho com desenvolturas pelos dois campos profissionais.


Os pensamentos que povoam a noite de hoje é que formação profissional, dedicação e desenvolturas não são suficientes para manter uma vida profissional para pagar as contas, os passeios, os livros e afins. E os outros pensamentos são quais saídas adequadas devo tomar . Tudo como se “should i stay or should i go” estivesse zumbindo no meu cérebro.O melhor da dúvida é que após momentos de reflexão a decisão surgirá, o que faz o caminho “por el suelo” acontecer da melhor maneira possível. Que venha 2010.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O tempo e as músicas


Os tempos passaram. Uns estão empregados, outros desempregados, uns estão casados, outros separados e tem uns que estão naquele vai e vem de uma relação à outra. Uns estão certos, já outros, continuam com os erros. Uns são felizes, outros se mantém na montanha russa das tristezas a momentos empolgantes. No fundo, a todos, os tempos passaram e fazem das memórias sobras provocativas delineando um sorriso nos lábios, fazendo os pés baterem no chão, como se no quarto tocasse as músicas certas daqueles dias, chega a fazer os corpos dançarem na frente do espelho, como se todos nós estivéssemos prontos para uma festa com muita tequila, vinho chileno e uma geladeira cheia de cervejas. Nesse momento está como se a música crescesse no ritmo da beleza transformadora das nossas faces, os nossos passos são levados a inusitada sensação de um amor, de um amor meigo, brincalhão, divertido a caminho do campus, debaixo de um sol das 8 da matina. Graças as histórias vivenciadas coletivamente, possuímos memórias.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ausência



A leitura do livro “Cultura e Resistência” com entrevistas de Edward W. Said (1934-2003) concedidas ao radialista David Barsamian me levou a perceber uma carência na realidade da cidade de Joinville: ausência de intelectuais ativos.



Edward W. Said foi um professor de literatura de origem palestina e criação cristã. Sim, na Palestina não é composta somente por judeus e islãs, existem cristãos, ateus e outros. Edward viveu no contexto do Oriente Médio, estudou na Inglaterra e nos Estados Unidos da América. O que levou a desenvolver uma visão crítica sobre o processo de colonização que a população palestina está sofrendo desde ocupação inglesa, com a formação do Estado de Israel e com todo o incentivo direto dos EUA.



O fato é que Edward assumiu a condição de intelectual; não daqueles dos cadernos culturais  dominicais dos "grandes jornais"; não daqueles que ficam nas universidades como vivessem num cárcere; não daqueles que falam para os seus semelhantes, cuja linguagem tem o papel de dificultar o conhecimento de todas as pessoas. Pelo contrário, Edward fazia parte dos intelectuais com o papel de falar a verdade de maneira clara, sem a falsa objetividade e imparcialidade.



Edward fez dos seus livros, das suas entrevistas e das salas de aulas como espaços para ser um intelectual disparando palavras inteligentemente com a força de uma pedra disparada por um adolescente palestino num tanque do Exército colonial do Estado de Israel.



Por aqui, a vida e as opiniões de intelectuais como Edward, poderia citar Chomsky, Klein, Zinn ou Ali, são completamente ignoradas. E quando professores – ou qualquer outro profissional – assume o papel de intelectual está baseado em mentiras ou estão se propondo a falar com sutilizas viciadas em nome do petismo ou do tucanato. Sempre mantendo o poder e um cargo, jamais uma causa em nomes das pessoas vítimas de violações.  Somente sobra o papel de  reclamar a ausência de intelectuais ativos como Edward Said.


O colecionador de imagens

http://tuasimagensaominhasimagens.blogspot.com/

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Mame nas tetas do inferno



Sem dinheiro do Estado e nem do setor privado a Brain Films lança o curta “Mame nas tetas do inferno” no seu blogue. Inclusive saiu uma nota na página Orelhada, do Rubens Herbst. O meu entusiasmo com os dois adolescente da Brain Films é grande. Nem completaram 17 anos e com um computador e uma máquina fotográfica digital ficam criando roteiros, filmando e editando filmes seguindo todas as dicas dos seus mestres da cinema bagaça.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

“Eu odeio rap!”


Eu odeio rap!” é uma frase simples e direta. Uma vez escutei de um policial, outra de um adolescente branco “amante” de metal extremo e também de um rapaz de classe média. A frase faz parte de um discurso que pode ser lido nas entrelinhas da própria curta frase: no primeiro caso é como dissesse “Eu sou um autoritário!”, no segundo “Eu sou um racista!”, no último “Eu odeio os pobres!”. A música rap – e toda sua cultura – é um caminho, intencional ou não, de tornar público todos os preconceitos existentes na cidade.


Obrigado Ribas, Nalvan, Bruno e ao André por mostrarem Kamau, Emicida, Valete, Gutierrez e tantos outros-as.


P.S : os clássicos do rap já conhecia ;-)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Em 2010


Em 2010 vou trabalhar com teatro, recebendo o suficiente para pagar as contas e aproveitar a vida.


Em 2010 vou trabalhar com cinema, recebendo o suficiente para aproveitar um pouco mais.


Em 2010 vou ser aprovado no mestrado.


Em 2010 vou escrever.


Em 2010 vou a Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.


Em 2010 ir até Curitiba continuará sendo como sair do bairro Floresta ao Bom Retiro, que bom.


Em 2010 estarei curado da minha doença.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Se o resumo é bom, imagina o livro.


Os cenários invisíveis do caso Battisti, escrito por Carlos Alberto Lungarzo, é uma surpresa entre todas as buscas por informações mais consistentes sobre o caso de Cesare Battisti. É possível passar pela história, pelo direito, pela política, fazendo a compreensão do caso ser mais amplo e consistente. Leia aqui.


Outra maneira de encontrar mais informações é ir a página do autor, Carlos Alberto Lungarzo, que também fornecerá interessantes informações para quem está – ou é – envolvido com direitos humanos.

Como é perceptível o Vivo na cidade está recebendo somente informações curtas sobre o caso do Cesare Battisti, a razão é que estou sem paciência para escrever com mais atenção, pois os dias estão sendo de uma dureza, fazendo tudo ficar bem nebuloso, não faço referência alguma às nuvens, falo de mim.

o que fazer no sábado

No dia 12 de dezembro (sábado) estará ocorrendo um debate sobre o caso Cesare Battisti e as perseguições e criminalizações dos movimentos sociais ocorridos na cidade de Joinville. O evento está marcado para as 16 hs, o local será o Centro de Direitos Humanos de Joinville “Maria Graça Braz” (RUA DOUTOR PLÁCIDO OLÍMPIO DE OLIVEIRA, 660 - BUCAREIN CEP: 89202450 - JOINVILLE – SC).


 

Mais informações: http://www.barraracriminalizacao.blogspot.com/

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

De língua pra fora


é hoje e amanhã. Mais informações : http://linguarudosfestival.blogspot.com/

Debate


No dia 12 de dezembro (sábado) estará ocorrendo um debate sobre o caso Cesare Battisti e as perseguições e criminalizações dos movimentos sociais ocorridos na cidade de Joinville. O evento está marcado para as 16 hs, o local será o Centro de Direitos Humanos de Joinville “Maria Graça Braz” (RUA DOUTOR PLÁCIDO OLÍMPIO DE OLIVEIRA, 660 - BUCAREIN CEP: 89202450 - JOINVILLE – SC).
 

Mais informações: http://www.barraracriminalizacao.blogspot.com/

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ato


http://www.barraracriminalizacao.blogspot.com/

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

É preciso informar


ontem foi Sacco & Vanzetti

e hoje é Cesare Battisti


Conheça o Comitê de Apoio aos Movimentos Sociais, clique aqui.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Agir é possível



É comum ouvir comentários como “Eu queria me envolver mais nas lutas sociais, mas justamente quando alguma luta está acontecendo estou completamente fodido com as coisas do trabalho (ou faculdade ou família)” Realmente, as dificuldades e as responsabilidades de estudos e de trabalhos são pedras no sapato quando buscamos ir além do que já estamos imersos.



A possibilidade de se envolver não é somente indo ao piquete de greve, a manifestação de rua e aos debates públicos. Um exemplo prático é assinando a petição pela libertação de Cesare Battisti, lendo e discutindo a mídia independente e dos movimentos sociais, levando as informações aos teus amigos e tuas amigas de trabalho e da escola.




E quando tiver condições de ir ao piquete de greve, levantar um cartaz numa manifestação de rua e discutir publicamente num debate; faça. O seu envolvimento jamais será menor do que um suposto líder de uma burocracia sindical, muito pelo contrário

O canto do povo de um lugar



Eu estou contribuindo na produção da peça “O canto do povo de um lugar”. A peça é dos-as alunos-as do projeto Teatrando no Profipo, que visa criar um cenário teatral de bairro. Vale a pena clicar aqui e saber como está a montagem.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Duas meninas e suas histórias


A Jaqueline de Mello é estudante de jornalismo do IELUSC e escreveu a reportagem “As Anas de Joinville”. A abordagem traz duas meninas e suas histórias, as diferenças na mesma cidade, afastadas por diferenças sentidas em cada rua de Joinville.


Dois trechos:


“A diferença entre as Anas de Joinville é mais do que social. As Anas representam os dois lados da cidade. Joinville tem 35 bairros, a maioria deles composta pelas classes B, C e D, nos quais as pessoas moram em barracos de madeira, as crianças brincam no meio das ruas ou em campos improvisados como no bairro Paranaguamirim. E as famílias dependem da boa ação da comunidade, de doações de alimentos e roupas arrecadados pelas igrejas. Alguns bairros ainda possuem valetas a céu aberto, são os casos do bairro Profipo e Paranaguamirim.”



“Uma Ana conversa com os pais diariamente, a outra Ana, só os vê no horário do almoço. Uma delas sonha em ver o pai em casa e descansado: “Ele trabalha demais com construção, chega todos os dias cansado, brinca comigo e com meu irmão, mas sei que tá cansado”. O pai de Ana é pedreiro e a mãe, costureira. A Ana que tem os pais empresários também sonha com algo parecido, essa Ana quer que os pais tirem férias e passem um pouco mais de tempo com ela. As Anas de Joinville são apenas crianças, mas têm problemas de adultos.”




quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Prates, um fascista servido no almoço



Luiz Carlos Prates, um sujeito estúpido, reacionário e preconceituoso. Nada do que sai da boca dele é possível de uma risada, só um riso curto e amargo. A ele destilo um ódio a todo seu discurso fascista servido no horário do almoço.


Eu não tenho o que dizer, por isso indico as considerações do Jornalismo B, clique aqui

Um passo e outros passos


A justiça brasileira é política, é o que vejo no caso do Cesare Battisti, o assalto a FAG e os inúmeros casos de prisões por conta do consumo de maconha e pequenos furtos. No caso de pequenos furtos e consumo de maconha somente um juiz, em Joinville, olha com o cuidado social e busca analisar o contexto, pois a lei aplicada sem avaliar o contexto é da politicagem mais canalha e mantedora das desigualdades, tanto econômica como de gênero. Pelo visto, outros  juízes estão avaliando de acordo com o contexto.



Ontem e hoje no jornal de papel “A notícia” e o jornal televisivo do “Meio Dia da RIC-Record” noticiaram o primeiro caso de adoção de uma menina por um casal de mulheres, ou seja, os direitos das lésbicas estão, paulatinamente, sendo reconhecidos, ao menos no que remete a leia. É um passo ao respeito a diversidade sexual.



Agora, é preciso transformar a nossa cultura machista e homofônica. Nesses casos culturais a dificuldade é maior, pois não é uma lei que faz a mudança, longe disso. É preciso a batalha em todos os espaços e lugares, felizmente pessoas estão se organizando com tais bandeiras, como no GEPAF e Associação Arco-Íris, que fazem outros passos rumo ao respeito a diversidade sexual.

Leitura repetida


Nos últimos tempos tenho escrito, mas nada adequado para publicar no Vivo na cidade. Nos últimos tempos não tenho visitado outras páginas virtuais para indicar por aqui. Nos últimos tempos tenho lido, mas também nada novo, voltei  a ler o que já tinha devorado, entre os tais livros está “Dias e noites de amor e de guerra” do Eduardo Galeano, li em 2001, mas por conta do comentário do Nils resolvi ler mais uma vez.


Um fragmento me pegou em cheio, ao menos é como tem sido as últimas noites:


"Afundo as mãos nos bolsos. Estico as pernas. A sonolência me dá estremecimento de prazer e de fadiga. Sinto a noite  metida na cidade. É tarde. Estou sozinho."

Eduardo Galeano


Nossa, como a palavra "última" esteve presente nessa postagem. Não foi de caso pensando, ficará assim.



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dois culpados




O Vini foi o responsável por minha entrada no teatro. Eu enchi a paciência dele até introduzi - lo ao mundo dos Blogues Então, ele é culpado de uma coisa e eu de outra.

Clique aqui e acesse o Blogue do Vini





Na foto: Eu com a máquina e o Vini ao fundo, fazendo brincadeiras no camarim do teatro do SESC de Lages.