quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ausência



A leitura do livro “Cultura e Resistência” com entrevistas de Edward W. Said (1934-2003) concedidas ao radialista David Barsamian me levou a perceber uma carência na realidade da cidade de Joinville: ausência de intelectuais ativos.



Edward W. Said foi um professor de literatura de origem palestina e criação cristã. Sim, na Palestina não é composta somente por judeus e islãs, existem cristãos, ateus e outros. Edward viveu no contexto do Oriente Médio, estudou na Inglaterra e nos Estados Unidos da América. O que levou a desenvolver uma visão crítica sobre o processo de colonização que a população palestina está sofrendo desde ocupação inglesa, com a formação do Estado de Israel e com todo o incentivo direto dos EUA.



O fato é que Edward assumiu a condição de intelectual; não daqueles dos cadernos culturais  dominicais dos "grandes jornais"; não daqueles que ficam nas universidades como vivessem num cárcere; não daqueles que falam para os seus semelhantes, cuja linguagem tem o papel de dificultar o conhecimento de todas as pessoas. Pelo contrário, Edward fazia parte dos intelectuais com o papel de falar a verdade de maneira clara, sem a falsa objetividade e imparcialidade.



Edward fez dos seus livros, das suas entrevistas e das salas de aulas como espaços para ser um intelectual disparando palavras inteligentemente com a força de uma pedra disparada por um adolescente palestino num tanque do Exército colonial do Estado de Israel.



Por aqui, a vida e as opiniões de intelectuais como Edward, poderia citar Chomsky, Klein, Zinn ou Ali, são completamente ignoradas. E quando professores – ou qualquer outro profissional – assume o papel de intelectual está baseado em mentiras ou estão se propondo a falar com sutilizas viciadas em nome do petismo ou do tucanato. Sempre mantendo o poder e um cargo, jamais uma causa em nomes das pessoas vítimas de violações.  Somente sobra o papel de  reclamar a ausência de intelectuais ativos como Edward Said.


2 comentários:

Vinicius disse...

Muito interessante o comentário. A leitura do "Orientalismo", até agora, foi a mais "reveladora" e interessante da graduação. Abraços!

Anônimo disse...

Salve Vitch,
na univille quase ninguém fala do edward said, uma pena mesmo.
maikon k