segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

“Eu odeio rap!”


Eu odeio rap!” é uma frase simples e direta. Uma vez escutei de um policial, outra de um adolescente branco “amante” de metal extremo e também de um rapaz de classe média. A frase faz parte de um discurso que pode ser lido nas entrelinhas da própria curta frase: no primeiro caso é como dissesse “Eu sou um autoritário!”, no segundo “Eu sou um racista!”, no último “Eu odeio os pobres!”. A música rap – e toda sua cultura – é um caminho, intencional ou não, de tornar público todos os preconceitos existentes na cidade.


Obrigado Ribas, Nalvan, Bruno e ao André por mostrarem Kamau, Emicida, Valete, Gutierrez e tantos outros-as.


P.S : os clássicos do rap já conhecia ;-)

16 comentários:

Upiara Boschi disse...

É fácil apontar preconceito nos outros. No teu parágrafo, tem três. O que será que ouve o policial quando chega em casa? Ele odeia rap porque vê nele uma manifestação daqueles que está acostumado a reprimir ou porque foi criado ouvindo, sei lá, samba, e não vê graça naquilo?

O adolescente branco "amante" de metal extremo não gosta de rap por racismo. Ok. Mas "amantes" de metal extremo não costumam gostar de coisas que não sejam metal extremo. Quando ele diz que odeia pop ou sertanejo, devo inferir racismo/preconceito contra loiras e trabalhadores rurais?

O rapaz de classe média é o que mais me intriga. Suspeito que se ouça mais hip hop/rap/etc em Mansões da vida do que nas quebradas.

Eu ia terminar dizendo que "sim, odeio rap", mas nem isso é verdade. Eu só acho chato paca. Tão chato quanto ser definido taxativamente por questões estéticas.

Bruno B disse...

Upiara, o que li no texto do maikon não faz uma generalização. Pelo que parece ele se se refere a um policial, um metaleiro, e um cara de classe média. Não todos.

Enfim, antes de tudo, é preconceito, no mínimo musical, gostar de apenas um estilo de música porque assim está acostumado, vale lembrar que a tradição e os bons costumes são, e foram utilizados, como uma eficaz maneira de estabelecer uma cultura dominante.

Considerar que sertanejo é música de trabalhadores rurais e loiras também é preconceito.

Acredito que o "som de balada" que toca na mansão é diferente do rap que o maikon listou acima, só ouvindo pra saber mesmo, claro, sem preconceito.

E o que você quis dizer com isso:

"Tão chato quanto ser definido taxativamente por questões estéticas"

abraços

Anônimo disse...

Upiara,

O meu texto é repleto de entrelinhas, ninguém tem responsabilidade de perceber a olho nu o quis dizer. O que faz alguém entender como você desenvolveu teu pensamento. Os casos citados são três experiências que ouvi nas ruas da cidade. O policial não era um policial aleatório, é uma figura tradicional no que remete a usar da força e do poder simbólico de uma farda da polícia militar. Outro fato é que o rap se faz presente nas periferias, por exemplo, de São Paulo, onde não existe um confronto, mas sim um ataque sistemático da polícia aos-as seus-uas moradores-as. Aí, um policial dizer “eu odeio rap!” é parte do mesmo elemento. Como sou parcial, eu tomo lado e não é o lado dos policiais. O garoto do metal extrema, sub-cultura urbana que conheço, pois vou aos shows das tais bandas, escuto e tenho convivência com pessoas bem intencionadas desse meio; existe um forte discurso racista, não é geral, nem um elemento essencial dessa sub-cultura, mas se faz presente. Realmente, existe uma intolerância sonora a qualquer coisa que não seja metal extrema, mas quando é falado em rap é perceptível ouvir uma expressão como “música de negro”, a maneira que é dita é carregada de preconceito.O garoto de classe média deve ouvir rap quando vai a mansão, mas músicas falando sobre mulheres, tendo como referência o conteúdo sexista, e todas as relações com carro, dinheiro e curtição aloprada. Ou seja, aquilo que a indústria diz que é o rap para se ouvir.

Por último, eu escrevi “é um caminho, intencional ou não, de tornar público todos os preconceitos existentes na cidade.” No Vivo na cidade escrevo os mais variados temas ligados a cidade. Eu entendo a cidade como uma composição de todos-as moradores-as e os respectivos conflitos de classes e individuais seja no campo da economia, da política, do pessoal. Considerando, essencialmente, quando fazemos a cidade estamos nos fazendo e vice e versa. Por isso, se o rap torna público e problematiza os preconceitos existentes na cidade é como se apontasse a mim e a qualquer outra pessoa da cidade.

Abraço,
Maikon K.
P.S finalmente uma discussão pública, mesmo que seja no mundo virtual.

Ivan disse...

Na real? Quem é do rap não liga pro que o cara do metal acha do rap, ou o que tal pessoas da classe média acha do Rap. Ele só é entendido pelas pessoas da classe urbana e pobre.
O que importa pro rap é os que gostam, os que amam.

E já há rap com sertanejo, samba, rock, entre outros...

Aconselho o cd do V.O, aqui de Joinville, lançado essa semana.

P_a_Z

alfakini disse...

É, Maikon pegou alguns estereótipos como exemplo, alguns deles eu conheço, por isso sei do que fala e consigo ter a mesma interpretação.

Percebo o preconceito em vários outros lugares onde estive, representado com frases slogans como "Hardcore não é Rock" e "Não me chama de modern@".

Infelizmente nem nos círculos que se dizem libertos, sem preconceitos, como o hardcore que nós frequentamos gosta de se intitular, supera os preconceitos. Essa é aquela batalha que nunca se vai ganhar, justamente pq é travada como uma guerra de um contra o outro. Superar o preconceito é um exercício diário, essa é a real.

Sabes do que falo né, minha lingua coça hehe

Anônimo disse...

Fakis,

o que tu apontou é uma verdade. é que geralmente nos deixamos levar por bobagens, mas uma dia alguém vai perceber. To cansado dessas bobagens presa a "estética", no pior sentido do estético, que é da superficialidade, da roupa e dos comportamentos correlatos.
por isso, quando escrevi a postagem peguei exemplo em especial, nada de generalizações.

maikon k

Y. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Y. disse...

"O que importa pro rap é os que gostam, os que amam". E assim se faz para qualquer outro gênero ou cultura - pro metal, pro pagode, pro hardcore, pro samba, pro mulçumano, pro vegetariano, etc. Engraçado é que essas discussões quase sempre estão mais presas ao nome do que ao conceito. Hoje, como fã e como pessoa influenciada pelas experiências que o rap, o hip hop, me proporcionaram ao longo de no mínimo 10 anos, não consigo mais enxergar o rap como sendo uma coisa só. Aliás, nunca foi assim, mas normalmente iniciamos enxergando assim, e são raras as manifestações que não recebem influência direta ou indireta de algum outro contexto. O rap nasceu periférico, não negro. A cultura afro foi grande influenciadora, mas nunca dominadora - ou será que Beastie Boys deixou de ser referência? É por isto que qualquer definição do gênero, seja feita por um policial, um adolescente branco e de qualquer classe financeira, já nasce errada independente de quem a fala. E quem fala desse modo, fala condicionado pela sua experiência limitada sobre o assunto. Isto também serve para muitos que ouvem rap e falam besteira sobre outros estilos musicais. É normal, infelizmente (ou felizmente?).

Mas a discussão fica mais interessante quando se resiste ao habitual. Então, reforço o convite do Ivan: novo cd do V.O já está nas ruas, e as influências são diversas. Música feita por 3 negros: música negra, branca, amarela, jazz, samba, reggae, mpb, rock, mas, essencialmente rap. E para os que gostam de rap, é isso que importa.

Anônimo disse...

Eu cresci no punk-hardcore onde existe uma variação de sonoridade, temáticas e referências, apesar da mídia especializada somente tratar dos mesmos elementos. nesse caso sofre como o rap, as tais generalizações, quem vive a cultura (sub ou contra cultura) punk-hardcore consegue perceber os diferentes elementos.


Ouvindo rap sem freqüentar o circuito do rap – do hip hop em geral. Percebo que a música tem dois elementos interessantes: aproximação para conhecer outras sonoridades, flertar com elas e, principalmente, o foco das letras em questões locais. 90 % das bandas punks brasileiras atuais não fazem isso, das bandas joinvilenses quase nenhuma mantém essa postura, isso é um saco. Quem sabe seja interessante as bandas punks ouvirem com mais atenção o que o rap produz, ao menos as letras.

Abraço,
Maikon k

Anônimo disse...

Comigo aconteceu o contrário:
Onde moro tem muito rapper, z/s de SP.
Sou Headbanger e anarquista e já ouvi estes caras me taxarem de três coisas:
Bicha, por causa do meu cabelo, loc por causa do meu jeito sossegado e meu linguajar e playboyzinho pela minha pele clara (e olha que tenho mow cara de índio).
É como se o primeiro dissesse "sou autoritário", o segundo,"sou ignorante e analfabeto" e o último dissesse "sou racista". Vou dizer, aqui onde moro, rola uma espécie de "afro-fascismo", todo mundo nestas regiões, que ouve metal-extremo sabe do que estou falando. Chega de hipocrisia.

Adalberto (Avahetevera) Soza

Rainor disse...

Eu odeio rap pelo simples fato de ser uma porcaria. Sempre a mesma batida feita numa bateria eletrônica que NUNCA muda, sempre o cara se queixando das "elites", do capitalismo, da polícia, dando uma de vítima e nunca fazendo nada para mudar. Ridículo, aquilo não é música nem poesia, nem nada, apenas uma manifestação da suprema ignorância que reina nas nossas favelas.

Anônimo disse...

É a mesma coisa com qualquer estilo musical. Se tu ouvir uma banda que tem determinada ideologia, tu vai achar que é só aquilo. Mas tudo bem, cada um enxerga o que quer. A suprema ignorância que reina nas nossas favelas também reina em nossos condomínios.

Anônimo disse...

Rap = Porcaria

Anônimo disse...

RAP = LIXO.

Não sou obrigado a gostar dessa porcaria.

Anônimo disse...

Acho que vc confundiu o Rap com o funk. Eles sim só tem uma batida, esse tal de thu tha thu thu tha. O rap trata da realidade, diferentemente do funk que querem ser os "fodões" sem terem nem metade do dinheiro que dizem ter.

Anônimo disse...

O Rap trata de realidade. Se vocês voltarem seus olhos para os anos 70 ou 80, verão que os negros nos Estados Unidos eram totalmente reprimidos, quase não eram tratados como gente. Então, os primeiros rappers surgiram. Eles usaram suas rimas para tentar se libertarem do preconceito policial contra eles. O Rao foi e sempre será liberdade de expressão, seus corações falam com as rimas.
Em respostas aos "roqueiros" "metaleiros" que odeiam o Rap, digo que vocês também são ignorantes. Por acharem que o Rap não faz parte de cultura. O Rap faz parte de tudo, o Rap se uniu ao Rock, ao Pop, ao Reggae. Ouçam o disco Collision Course, da banda de ROCK Linkin Parke e com o RAPPER Jay-Z, ouçam o disco do RAPPER Nas e o Damian Marley (esqueci o nome do disco) você vê tantos rappers fazendo parcerias com cantores e cantoras Pop.
Abram sua mente, o Rap também liberta.