terça-feira, 18 de agosto de 2009

O ato de pedalar e o nosso passado recente ?

A pergunta ficou martelando a minha cabeça nos últimos dias ao ler a nota IPPUJ utiliza a bicicleta nas atividades diárias cujo objetivo é incorporar as bicicletas na frota "para serem utilizadas em inspeções técnicas e serviços administrativos na área central da cidade" O IPPUJ estaria vivendo, aquilo que Hobsbawn chamou de "presente contínuo", onde o que se passa hoje não existe nenhuma ligação com o passado remoto e até mesmo o recente.



No ano de 2008 aconteceu um intenso debate sobre os corredores de ônibus – leia aqui, aqui e aqui – onde Waldimir Constante, arquiteto do IPPUJ, chegou a fazer referência que os ciclistas não deveriam circular nas ruas centrais da cidade de Joinville já que os corredores de ônibus e os carros em vias como Blumenau e João Colin eram intensos, ou seja, limitando o direito de ir e vir de quem usa a bicicleta. Na mesma medida o jornal A notícia fez variadas reportagens e notas sobre os-as ciclistas mortos – leia aqui, aqui, aqui e aqui - por atropelamentos nas ruas da cidade.



O IPPUJ está de brincadeira com os-as ciclistas da cidade e não faz idéia dos riscos de para seus-uas próprios-as funcionários-as ao pedalarem pelo centro. Quanto a mim, que tanto gosto de pedalar por diversão e por necessidade de acessar os diferentes lugares da cidade me sinto um grande bobo frente as ações do IPPUJ e percebo que o orgão vive, mais uma vez Hobsbawn, "sem qualquer relação orgânica com o passado público da época que vivem.", sendo as pessoas as prejudicadas diretamente.


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As duas citações de Hobsbawn foram retiradas da página 13 do livro "Era dos extremos" da editora CIA das Letras.