quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Camas de ferro com lençóis de cambraia

— Compadre, quero morrer com decência, em minha cama.

De ferro, se for possível, e com lençóis de cambraia.”

Lorca no poema Romance sonâmbulo




Há 73 anos o poeta Frederico Garcia Lorca era assassinado por fascistas espanhóis. A cidade de Granada, na Andaluzia, lugar de nascimento de Lorca, assim como os lugares da Espanha, sofriam com o levante fascista do “generalíssimo Franco”, que se opunha a República e defendia a monarquia e o mais nefasto conservadorismo religioso.




Lorca era um poeta próximo do surrealismo, por seus inimigos era identificado como propagador do socialismo e da homossexualidade. Razões suficientes para um deputado ligado a Igreja Católica decretar a prisão de Lorca e com o levante fascista acabou determinando o assassinato do poeta, a versão oficial é de um tiro enquanto por todas as cidades que resistiam aos fascistas de Franco, o poeta Lorca havia sido fuzilado pelas costas.




O imaginário do povo espanhol tem em suas memórias que a decência acompanhou Lorca até seu último minuto, já que o poeta não abandonou seus sonhos. Enquanto cada um de nós, em nossas memórias, carregamos respeito a vida de Lorca e de todos-as outros-as lutadores anti-franquistas da Espanha, nessa mesma memória prepramos, para todos e todas, camas com lenções de cambraia.