sábado, 22 de agosto de 2009

Eu e o vegetarianismo

Eu sou vegetariano desde 16 ou 17 anos. Sou daqueles dias que era preciso caminhar de bar em bar para encontrar alguma coisa sem carne de boi, peixe ou frango, aventuras acompanhadas por amigos como o Marcio, o Pedro e outros. O destino sempre acabava no mesmo pastel de palmito ou na porção de batata frita.



Os papos sobre direitos dos animais sempre estavam na pauta, onde a minha postura nada defensora dos direitos dos animais já era notória, enquanto os outros amigos também não eram grandes propagandistas – exceto o Pedro que sempre estava disposto a discutir o tema com pessoas contra o vegetarianismo. Entre nós, um dos debates mais fervorosos eram as campanhas da PETA – Pessoas pelo tratamento ético aos animais -, organização dos Estados Unidos da América, que entre as bandas mais populares – comercialmente falando – do hardcore faziam questão de levantar a bandeira.



Eu, o chatão, o mal humorado de sempre, fazia coro dos contrários as posições da PETA e as suas ações que se aproveitavam dos diferentes elementos da indústria do entretenimento para convencer as pessoas a se tornarem vegetarianas. Campanhas como enaltecendo a beleza do Brad Pitt e fazendo relação à dieta alimentar dele ou das famosas Campanhas com modelos contra a utilização de pele animal em suas roupas, ou seja, desejando uma indústria da moda mais “ética”, mas nunca questionando os padrões impostos pela própria indústria da moda e da indústria do entretenimento de modo geral. As pessoas se tornarem vegetarianas era o mais importante, mesmo que a sofrimento e as desigualdades continuassem no seu ritmo normal.



Entre nós existia mais interesses nas ações radicais de grupos como a ALF – Frente de Libertação Animal – onde a ação direta se fazia necessária para salvar os animais em situações de riscos. Claro, aproximação a ALF era somente discursiva, pois não tínhamos idéias de como fazer uma ação e nem onde destinar os animais salvos. Bem, idéias como essas somente ficaram entre uma mordida e outra no pastel de palmito.



Hoje, passados mais de dez anos da minha escolha alimentar, a cidade tem mais lugares para os-as vegetarianos-as, existem frente para atuar em defesa dos direitos dos animais, mesmo que se mantenha a proposta de fazer do vegetarianismo um capitalismo verde e mais “ético”. Enquanto isso continuo irritado com a PETA e sem fazer nada pelos direitos dos animais.




Os cincos parágrafos escritos até aqui vieram a minha cabeça ao visitar o Twitter do Fakis, que está em Portugal, e conhecer a mais nova estúpida campanha da PETA:


Eu tenho a minha consciência tranqüila de nunca ter vivido um pingo de simpatia pela PETA, mesmo que a minha opção alimentar se limita a mim. Onde a minha defesa do vegetarianismo é quase muda, quando o tema está na mesa prefiro sair da discussão e deixar o Marcão defendendo a minha opção alimentar.