sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Verão 04-05 e o Herman

Era o verão de 2004-05. Estava na sede do Diretório Central dos Estudantes da UNIVILLE, que naqueles anos a entidade estudantil era “guiada” por mãos da “Juventude Revolução”, a figura presidencial se chamava Godói, Juliano Godói, em algumas horas ser humano intragável em outras aconteciam conversas sob a tutela de assuntos sérios ou cômicos. Numa ocasião das tardes daquele verão estava por lá Godói e eu e uma garota que prefiro omitir o nome. A nossa conversa era sobre literatura.



Tentarei reproduzir o diálogo:


“Eu: Cara, li um conto impressionante.



Godói: É, qual ¿



Eu: “Bartlebey, o escriturário” do Herman Melville, conhece ¿



Godói: Nunca, não. Me diga que trata..”



Eu passei uns quinzes minutos narrando o conto, as curiosidades e os temperamentos dos personagens dessa curta história. Enquanto o Godói limpava as unhas com alguma coisa pontiaguda. Mas de qualquer maneira estava interessado, ao menos demonstrava.



A garota com a identidade preservada fez o seguinte comentário: “Quanta bobagem, o que esse livro ajudará na revolução¿” Eu fiquei em silêncio e com uma cara gigantesca de perplexidade.

Já o Godói soltou: “ _ _ _ _ _ _ deixa de ser burra.”



A conversa perdeu completamente o clima e a cada dia sentia que o ambiente da Juventude Revolução era um ambiente ausente dos exercícios do pensar e da reflexão. Ambiente que semanas depois potencializaria sua própria destruição, ao menos a primeira parte.