quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Subemprego e a literatura

Você assistiu o filme “Anti-herói americano” e achou o máximo a vida do Harvey Parker. Leu Kerouac e deliciou-se com a vida de subempregado e escritor. O velho Buk te encanta ainda mais, já que fazia muito sexo, apostava nas corridas de cavalos, escrevia e sempre estava pulando de subemprego a subemprego. O Henry Miller vivendo entre as prostitutas, bêbados, sugando aqueles os ricos, da capital francesa, onde faziam de tudo para sentirem os cheiros da literatura e da arte. E imagina Hunter Thompson, escrevendo matérias loucas e consistentes, tomando muita bira e conhecendo o mundo. Diz aí, inspirador?




Todas as experiências citadas têm uma veia literária, um sabor vigoroso! Leituras importantes para os anos que passamos sentados nos bancos do campus universitários. O próprio Kerouac se cansou desses bancos, caiu na vida dos subempregos, estradas e literatura. Então, está pensando em largar tudo? Faça. A previsão não é nebulosa e nem ensolarada, é preciso tirar a bunda do cimento e ir, quem sabe você volte com um livro, experiências ou um novo vigor para se manter vivo.




Hoje vivo uma experiência de forte apelo literário, ao menos, Charles, Henry, Jack, Harvey e tantos outros e tantas outras souberam encontrar um apelo literário. Eu tenho um subemprego, mesmo diplomado (sic) para professor, faça mediação numa galeria de artes plásticas da iniciativa privada, em outros momentos faço o papel de operador de som, de luz, fotógrafo, alimento um blogue, carrego caixas, subo e desço escadas para uma pequena e nova Companhia de teatro. Diz, sentiu a veia literária, né?




O subemprego seria agradável e inspirador se não fosse triste e estivesse me magoando constantemente. Agora, com uma barriga maior dos tempos de estudante, dias desalentadores, uma fraqueza substancial para sair da frente do computador e criar, criar mesmo. Sabe, em tais condições fica evidente que roubaram toda literatura do bagulho.