terça-feira, 24 de novembro de 2009

O povo da História (ou: memórias de um ex-estudante de historia)

A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou, no modo de definir toda a realização humana, uma evidente degradação do ser em ter. A fase atual, em que a vida social está totalmente tomada pelos resultados acumulados da economia, leva a um deslizamento generalizado do ter para o parecer, do qual todo “ter” efetivo deve extrair seu prestígio imediato e sua função última. Ao mesmo tempo, toda realidade individual tornou-se social, diretamente dependente da força social, moldada por ela. Só lhe é permitido aparecer naquilo que ela não é.”


Guy Debord no livro Sociedade do Espetáculo.



O povo da história não vai ao teatro. Assertiva ouvida por esses dias, não fiquei calado, já fui à defesa do povinho mais ou menos da história, questão de defesa da classe. No fundo deveria ter ficado calado, no máximo ter soltado um “será?”



A razão do meu silêncio serviria para sentenciar a verdade, não adianta esconder, o povo da história, isso incluí os-as professores-as da graduação, não desenvolveram, ou está escondido, o hábito de ir ao teatro, ao cinema, as mostras de artes, aos debates públicos, aos eventos independentes e afins. Existe uma minoria, já graduada e ainda em processo de graduação, que estão nos espaços citados, sempre os mesmos rostos.



Num parágrafo podemos citar os eventos ocorridos no Teatro do SESC, as sessões de filmes do Ciclo de Cinema, o Clube de Cinema do Ielusc, os Saraus na Estação da Memória, os eventos do DCE da UNIVILLE, os eventos do GEIPA e tantos outros. Exemplos que vão do domingo ao domingo, com entrada franca. E nada do povinho mais ou menos da história dar as caras.



Por um tempo acreditei que a razão era falta de grana, mas o argumento não é mais possível sustentar. Já que quando o evento envolve festa, cerveja, role hardcore, SxE ou Skin todos estão dentro até o pescoço. É melhor nem cair no que remete a política, pois aí o povo da história se afirma como envolvido, no mesmo caso somente uma minoria se mantém politizada e envolvida organicamente.



O X da questão é que indo aos tais os espaços não seremos seres humanos “mais avançados”(sic), mas ajudará na formação das nossas sensibilidades. Já que nada adianta viver de imagem, muitas vezes construídas por pessoas de fora do curso de história. Somos produtos da mesma história, estamos no mesmo lixo, na mesma lama da aparência e da pretensa auto-suficiência. É uma grande merda concluir o meu texto com a possibilidade de Guy Debord estar certo, já que o povo da história faz o permitido, o ato de parecer, como escreveu o elitista Debord.


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NOTA EXPLICATIVA: A utilização do fragmento de Debord é uma ironia. Simplesmente uma piada sem graça. Mais sem graça quando se faz necessário explica-la.